Confira como serão as disputas do Biatlo em Milão Cortina!
Confira como serão as disputas do Biatlo em Milão Cortina!

Por Gabriel Sanches
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Arena de Biatlo Anterselva (Cortina D’Ampezzo)
Período: 08/02 a 21/02
Delegações participantes: 29
Total de atletas: 210 (105 homens e 105 mulheres)
Brasil: Não participa
Esporte derivado da combinação do esqui alpino e do tiro esportivo, o biatlo tem origem nas tradições do esqui da Escandinávia, onde os povos antigos cultuavam o deus nórdico Ullr como divindade associada tanto ao esqui quanto à caça. Em seus primórdios, a prática que deu origem ao biatlo funcionava como um método de preparação militar na Noruega.
No século XVIII, unidades militares norueguesas especializadas em esqui promoviam competições divididas em quatro tipos: Em termos atuais, essas disputas correspondiam a modalidades semelhantes ao esqui alpino, slalom, biatlo e esqui cross-country.
Em 1912 o esporte foi oficializado, sob a denominação de patrulha militar, e integrou o programa dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1924. Depois, foi apresentado posteriormente como esporte de demonstração nas edições de 1928, 1936 e 1948.
Nesse intervalo, Noruega e Finlândia destacaram-se como algumas das principais potências na modalidade. Em 1948, o biatlo passou por uma reorganização sob a União Internacional de Pentatlo Moderno e Biatlo (UIPMB) sendo reconhecido oficialmente como esporte olímpico em 1955, alcançando ampla difusão nos circuitos de esportes de inverno soviéticos e suecos.

Em 1960, o esporte estreou oficialmente na edição de Squaw Valley (USA). trinta e dois anos depois, em Albertville, tivemos as primeiras competições femininas, e em Sochi-2014, as primeiras competições mistas. Em 1993, a gestão do biatlo passa a ser responsabilidade de outro órgão, a União Internacional de Biatlo (IBU, sigla em inglês). Atualmente, a IBU conta com 61 comitês membros, sendo 41 na Europa, 11 na Ásia, 7 nas Américas e 2 na Oceania.
Noruega, criador do esporte, é o maior medalhista da modalidade, com 22 ouros, 18 pratas e 15 bronzes, uma medalha a mais do que Alemanha, que tem 20 ouros, 21 pratas e 13 bronzes. Os noruegueses inclusive passaram os alemães no quadro de medalhas geral na última edição, Pequim-2022. A França completa o pódio com 32 láures, sendo 12 de ouro.

A Noruega dominou o Biatlo na última olimpíada de inverno, conquistando seis dos 11 ouros possíveis. Com mais duas pratas e seis bronzes, fechou a modalidade com 14 pódios. O norueguês Johannes Thingnes Boe, com quatro ouros e um bronze, foi destaque individual da competição. França, com sete medalhas (três ouros e quatro pratas) e Suécia com quatro (um ouro e três pratas) completaram o ‘pódio’ do Biatlo em Pequim.
A grande disputa do biatlo em Pequim aconteceu no revezamento misto, onde Noruega e França disputaram até os últimos metros o ouro, que ficou com os noruegueses por 0s9 em uma chegada emocionante.
Em Milão-Cortina, o biatlo seguirá o modelo tradicional da modalidade, com disputas nas categorias masculina, feminina e mista. O programa inclui provas individuais, sprint, perseguição, largada em massa e revezamento, totalizando 11 eventos de medalha. Homens e mulheres competem em formatos semelhantes, variando apenas as distâncias.
Confira as categorias:
Individual: principal prova – a mais cansativa – do Biatlo, onde as mulheres esquiam 15 km e os homens, 20 km. Os participantes saem em intervalos de 30 segundos. No percurso há quatro passagens pelo estande de tiro, sendo que duas são em pé e outras deitadas, realizadas de forma alternada. Para cada erro o atleta é penalizado com um minuto no tempo total.
Sprint: a prova mais rápida do Biatlo, com a feminina sendo disputada em 7,5km e a masculina, 10km. Os competidores largam de forma escalonada, de 30 em 30 segundos e assim como na prova individual, passam pelas mesmas séries de tiro. A diferença está que em cada erro cometido resulta em uma penalidade de 150 metros, cumpridas no circuito de penalização antes do biatleta retornar ao percurso. Os tempos obtidos nesta prova determinam a ordem de saída da perseguição.
Perseguição: as mulheres fazem 10 km e os homens 12,5 Km. Também é uma prova com quatro séries de tiro. O campeão do sprint larga primeiro, com os demais saindo de acordo com a diferença de tempo na prova anterior.
Largada em massa: modalidade mais recente do biatlo, com a prova masculina tendo 15 km e a feminina 12,5Km. Na largada em massa, os biatletas iniciam a prova simultaneamente e vence quem chegar na frente. Para evitar aglomerações e acidentes na largada, apenas os 30 melhores biatletas – os 15 melhores no ranking geral da Copa do Mundo e todos os medalhistas que não estiverem entre esses 15 – participam da largada em massa.
Revezamentos: as equipes são formadas por quatro atletas, com cada um percorrendo 7,5 km no masculino e 6 km no feminino e realizando duas sessões de tiro cada. Nessa modalidade, é permitido o uso de munições adicionais antes da aplicação das penalidades, que devem ser cumpridas no circuito – 150 metros adicionais para cada erro no tiro.
Já no revezamento misto, o sistema é o mesmo, com dois atletas de cada gênero. As mulheres se revezam por 6km durante as 2 primeiras pernas. As pernas 3 e 4 são feitas por homens, que esquiam por 7,5 km.
A história do Brasil no Biatlo ainda é curta, mas com alguns capítulos interessantes. em 2004 a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) foi reconhecida pela IBU. Em 2006, veio a primeira participação em uma prova internacional oficial de biatlo, com os atletas Leandro Ribela e Buck Kelmerson, em Obertilliach, na Áustria. Em 2007 o brasileiro da modalidade passou a ser disputado.
Em 2012 o Brasil garantiu pela primeira vez vaga no Campeonato Mundial de Biatlo, com Jaqueline Mourão, que competiu nas provas de sprint e individual. A atleta também protagonizou o momento mais marcante da história do biatlo brasileiro até então ao assegurar a classificação do país para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014, participando novamente das provas de sprint e individual.

Atualmente o Brasil conta com alguns atletas na modalidade, mas sem dúvidas o principal nome brasileiro hoje é Gaia Brunello, que até 2024 representava a Itália, seu país de origem, mas que por ter mãe brasileira, decidiu defender o Brasil, mas não conseguiu a classificação para os Jogos Olímpicos.
Ajuda na defesa nacional?
Na Noruega, até 1984 o biatlo foi um ramo da Det frivillige Skyttervesen , uma organização criada pelo governo do país para promover o tiro ao alvo civil em apoio à defesa nacional, os os voluntários eram treinados para aprender técnicas de tiro e de esqui cross country
O rifle do biatlo
De calibre 22, o rifle não pode pesar mais do que 3,5kg. Suas balas subsônicas não possuem um barulho estridente, chegando a velocidade de 380 metros por segundo, o que não faz necessário o uso de protetores auriculares. Mas o biatleta não pode sair da área de tiro com a arma carregada, senão será desclassificado automaticamente.
O Clube Zero
Em 1999 a IBU criou um clube para colocar todos os biatletas que conseguirem vencer uma prova individual nos Jogos Olímpicos ou Campeonatos Mundiais sem errar nenhum tiro. Atualmente, 18 campeões olímpicos fazem parte desse clube, com Quentin Fillon Maillet (FRA) e Marte Olsbu Roeiseland (NOR) sendo os mais recentes membros do clube.
Masculino
Johan-Olav Botn – Com a aposentadoria de Johannes Thingnes Boe, a noruega conta com Botn, de 26 anos e que vem de um excelente desempenho nas etapas da Copa do Mundo, incluindo três títulos no mês de dezembro e pode ser um nome que pode brilhar nesta olimpíada de inverno.
Endre Stroemsheim – Outro norueugês que tenta assumir o protagonismo do biatlo após a aposentadoria de Boe,Endre liderou o pódio 100% do país na prova da largada em massa do último mundial, com Boe em terceiro, e quer mostrar que pode repetir o feito nesta e nas outras provas em Milão-Cortina sendo nome da Noruega no Biatlo

Tommaso Giacomel – É a esperança do ouro italiano no Biatlo, que até hoje nunca veio – até hoje foram uma prata e seis bronzes conquistados pelos italianos. Além de atuar em casa, o vice mundial da prova individual em 2025 também vem de três títulos em etapas de Copa do Mundo no último mês.
Eric Perrot – Atual campeão mundial da principal prova do biatlo, Perrot vai brigar por muitas medalhas em Milão-Cortina, prometendo rivalizar com os favoritos em todas as provas.
Quentin Fillon Maillet – Apesar de estar em sétimo na temporada 2025/26 da copa do mundo, ele não pode ser descartado, afinal, ele é o atual campeão olímpico e além dos pódios que ele disputar, ele vai ser importante nos revezamentos que a França for participar em Milão-Cortina
Feminino
Lou Jeanmonnot – Atual líder da Copa do Mundo de Biatlo, onde venceu três etapas da Copa do Mundo no último mês e em constante evolução, a francesa de 27 anos pode se consagrar na Itália e conquistar as primeiras medalhas olímpicas da carreira no individual e nos revezamentos.
Maren Kirkeeide – A representante norueguesa que promete acirrar a briga pela medalha de ouro, também está em busca de consagração em Milão-Cortina. Com apenas 22 anos, Kirkeeide vem crescendo rapidamente no cenário mundial – está em segundo na Copa do Mundo – e pode brilhar na olimpíada.

Justine Braisaz-Bouchet – Campeã olímpica em 2022, não vem em um bom momento, mas tem a experiência necessária para brigar por uma medalha em Milão-Cortina no individual e pode liderar a França nos revezamentos, onde o país é sempre forte
Elvira Oberg – A sueca de 26 anos teve uma grande olimpíada em Pequim-2022 com três pódios, mas conseguiu dar o salto de evolução no último ciclo, sendo uma atleta mais forte apenas nas provas de sprint e perseguição, onde deve brigar pelo ouro.
Franziska Preuss – A experiente alemã de 31 anos conseguiu o título mundial de perseguição em 2025 e deve ser nessa prova e na sprint que ela deverá buscar mais medalhas olímpicas – ela tem um bronze no revezamento feminino em Pequim-2022
08/02
10h05 – Revezamento Misto 4×6 km/7,5 km 🥇
10/02
09h30 – individual 20km masculino 🥇
11/02
10h15 – individual 15km feminino 🥇
13/02
10h00 – sprint 10km masculino🥇
14/02
10h45 – sprint 7,5km feminino 🥇
15/02
07h15 – Perseguição 12,5 km masculino 🥇
10h45 – Perseguição 10 km feminino 🥇
17/02
10h30 – Revezamento 4×7,5km masculino🥇
18/02
10h45 – Revezamento 4×6 km feminino 🥇
20/02
10h15 – Largada em massa 15 km masculino🥇
21/02
10h15 – Largada em massa 15 km feminino 🥇
*Todas as competições estão no horário de Brasília
