Confira como será a disputa do Hóquei no Gelo em Milão Cortina!
Confira como será a disputa do Hóquei no Gelo em Milão Cortina!

Por Marcos Antonio
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: PalaItalia Santa Giulia e Fiera Milano, Milão
Período: 05 a 22 de fevereiro
Delegações participantes: 13
Total de atletas: 300 (masculino) e 230 (feminino)
Brasil: Não se classificou
Um dos poucos esportes coletivos nas olimpíadas de inverno, o hóquei no gelo é disputado entre duas equipes de seis jogadores em uma pista de gelo de 60x30m. Calçando patins e usando tacos (sticks), o objetivo é colocar o disco (puck) na baliza do adversário. Persistindo o empate, é disputada uma prorrogação no sistema de ‘morte súbita’, quem marcar primeiro vence a partida. Se ainda assim o empate persistir, são disputados os shootouts, uma espécie de pênaltis onde o jogador parte do meio da quadra para tentar marcar o gol no goleiro.
O esporte surgiu no Canadá como um derivado do hóquei na grama no século XIX durante algum inverno rigoroso no país. Os primeiros jogos, de caráter informal, foram realizados por soldados britânicos em Kingston, Ontário, e em Halifax, Nova Escócia, sobre espelhos de água congelados, como rios e lagos, durante o rigoroso inverno canadense.
A primeira equipe reconhecida oficialmente foi a McGill University Hockey Club, fundada em 1880, quando o hóquei no gelo se tornou o esporte nacional do Canadá e se espalhou por todo o país.
Em 1892, o então Governador Geral do Canadá, Lord Stanley of Preston (cujos filhos eram fãs de hóquei), compareceu ao festival de inverno, e ficou muito impressionado com o esporte. Tanto que achou que deveria existir um troféu para a melhor equipe de hóquei. Por isso, Stanley doou um troféu de prata, que seria dado todo os anos à equipe vencedora do Canadá, a Stanley Cup, taça que passou a ser dada posteriormente ao campeão da NHL – principal liga de hóquei no gelo no mundo com equipes do Canadá e Estados Unidos, criada em 1917.

O hóquei no gelo é um dos poucos esportes de inverno que fez parte dos jogos de verão, fazendo parte do programa olímpico na Antuérpia 1920. E desde a primeira edição dos jogos de inverno, Chamonix 1924, o hóquei no gelo masculino esteve presente. No entanto, os jogadores de ligas profissionais foram proibidos de competir. Já o feminino estreou nos Jogos Olímpicos em 1998, apenas 74 anos depois da estreia do masculino.
No masculino, o Canadá é o país com mais medalhas, com 16, sendo nove de ouro. Já os russos, se juntarem os ouros da União Soviética (7), Equipe Unificada (1) e a alcunha usada em 2018, Atletas Olímpicos da Rússia (1), também chegam aos mesmos nove dos canadenses. Estados Unidos e Suécia, com dois ouros, e Finlândia, Grã-Bretanha e Tchéquia, com um cada, são os outros países com títulos olímpicos na modalidade.
O Canadá também lidera no feminino com cinco conquistas contra duas dos Estados Unidos, os únicos países campeões olímpicos no feminino.

Sem os profissionais da NHL, a Finlândia se aproveitou e surpreendeu os favoritos Comitê olímpico da Rússia (ROC) na decisão, vencendo por 2 a 1 e ficando com o ouro no masculino, o primeiro da história dos Suomis, como a seleção é conhecida. A Eslováquia ficou com o bronze.
Já no feminino, mais um clássico entre Canadá e Estados Unidos. Vitória canadense na decisão por 3 a 2 e o quinto ouro em sete edições, se recuperando da derrota sofrida em Pyeongchang em 2018 . A Finlândia foi bronze.
Os torneios de hóquei no gelo olímpico seguem a mesma fórmula de outras edições: no masculino, 12 equipes são divididas em três grupos. O vencedor no tempo normal ganha 3 pontos; o vencedor na prorrogação ganha 2 pontos e o perdedor ganha 1 ponto. Os líderes de cada grupo e o melhor segundo colocado avançam direto para as quartas de final, com os outros oito times disputando as oitavas de final.
No feminino, são 10 seleções classificadas, divididas em dois grupos. O grupo A tem as cinco melhores equipes do ranking mundial, com as demais no grupo B. Todas as seleções do grupo A avançam para as quartas de final, com a primeira fase servindo apenas para definir o chaveamento. Já no grupo B, apenas as três primeiras equipes passam para o mata-mata.
O surgimento de pistas de gelo no Brasil a partir da década de 1960 estimulou a prática do hóquei no Brasil. A partir dos anos 1980, com a popularização do hóquei in-line – com patins de rodinhas – e a diminuição das pistas de gelo, os atletas e clubes existentes migraram para as quadras e só em 2014 que o Brasil voltou a ter equipe de Hóquei no gelo participando de competições, o Pan-americano de seleções. O Brasil desde então participou de todas as edições do torneio, inclusive conquistando uma medalha de bronze em 2015, maior feito do país no hóquei no gelo até então.
Atualmente, a Confederação Brasileira de Desportos no gelo (CBDG) possui um programa de iniciação esportiva em seu Centro de Treinamento, a Arena Ice Brasil, em São Paulo.

A volta dos profissionais
A partir dos Jogos de Nagano, em 1998, os jogadores profissionais da NHL passaram a disputar os Jogos Olímpicos, o que durou até os Jogos de Sochi 2014. Em Pyeongchang 2018 e Pequim 2022 eles ficaram de fora, deixando o nível técnico um pouco menor – Na China eles quase voltaram, mas a Pandemia de COVID-19 impediu. Mas em 2024 foi anunciado um acordo entre o COI e a NHL que possibilitou a volta dos profissionais para Milão- Cortina e os Jogos seguintes.
Rússia fora
Uma ausência sentida será a da Rússia, que não poderá disputar nem mesmo sob a alcunha de Comitê Olímpico Russo (ROC, sigla em inglês), usada nos Jogos de Pequim- 2022. O país, muito tradicional no esporte, foi vetado tanto no masculino quanto no feminino, desde a invasão à Ucrânia em 2022. Em seu lugar, a seleção francesa entra nos dois naipes.
As arenas da discórdia
As Arenas PalaItalia e Fiera Milano se tornaram o grande problema dos Jogos Olímpicos de Inverno. As obras atrasaram muito mais do que o esperado e corre-se o sério risco de o gelo da pista não estar em totais condições de patinação no primeiro jogo nas olimpíadas em 5 de fevereiro. A NHL chegou a ameaçar proibir seus jogadores de irem aos Jogos se não tiverem condições seguras para os seus milionários jogadores atuarem. Mas até o momento, o Comitê Organizador dos Jogos tem conseguido dar garantias de que as arenas estarão aptas para receber partidas e os jogadores estão estão confirmados.
Brigas proibidas
Tão tradicional na NHL, o momento da pancadaria entre dois jogadores é expressamente proibida em Olimpíadas. O jogador que agredir o outro ou até retirar a luva e para partir para briga pode ser expulso sumariamente da partida durante os Jogos Olímpicos. Na NHL,a briga acontece dentro um conjunto de regras e são dados somente cinco minutos de punição para os brigões.
Canadá: Com a volta dos jogadores da NHL, a seleção canadense volta a ter um status de favorita ao título. Das cinco olimpíadas de inverno em que os jogadores da NHL puderam participar, o Canadá ficou com três ouros (2002, 2010 e 2014). E no torneio 4 Nations, com todos os jogadores da NHL, os canadenses ficaram com o título.

Ter a equipe completa em Milão Cortina será fundamental, pois nos três mundiais de hóquei no gelo disputados no ciclo, o Canadá não teve seus melhores jogadores e só foi campeão do mundo em 2023. Nomes como Nathan MacKinnon, Connor McDavid e a lenda Sidney Crosby, foram convocados e fazem do Canadá a seleção a ser batida na Itália.
Estados Unidos: Os atuais campeões mundiais, quebrando um jejum de 65 anos, os estadunidenses vêm com certo favoritismo para Milão Cortina, com boas chances de conseguir o seu terceiro ouro e quebrar outro jejum, este já dura 46 anos. O maior desafio desta seleção relativamente jovem será a seleção canadense, mais experiente e consagrada. Mas como o último encontro dos países, a decisão do torneio 4 Nations, foi decidido a favor dos canadenses com time completo somente no tempo extra, os ianques precisam acertar detalhes para conseguir beliscar esta medalha de ouro
Tchéquia: Outra seleção tradicional do cenário do hóquei, os tchecos gostam de surpreender em grandes competições. Campeões mundiais em 2024, a seleção vai em busca de um pódio que não vem desde Turim 2006. Novamente em solo italiano, a esperança reside em Martin Necas e David Pastrnak, astros da NHL e principais nomes do último título mundial.

Suíça: Uma seleção emergente no cenário mundial, a Suíça vem de dois vice-campeonatos mundiais seguidos e, com os jogadores da NHL mesclados ao bom conjunto defensivo suíço, pode ser outra seleção a incomodar. Olho em Kevin Fiala e Nico Hirschier, que jogam na liga estadunidense, e o veterano goleiro Leonardo Genoni, líder do ferrolho da equipe.
Suécia: Outra seleção tradicional no cenário mundial, a Suécia quer repetir o feito de Turim em 2006 e ficar novamente com o ouro. Para isso, vai precisar de talentos como o jovem Leo Carlsson, e os já veteranos Elias Lindholm e Filip Fosberg para brigar pelo pódio e, quem sabe, surpreender e ficar com o ouro olímpico.
Estados Unidos: A eterna rivalidade contra o Canadá ganhará mais um capítulo em Milão Cortina. E após perder o ouro em Pequim, as estadunidenses levaram vantagem nos mundiais, vencendo dois (2023 e 2025) contra um (2024) do Canadá. Hilary Knight, Alex Carpenter, Kelly Pannek e companhia querem evitar que o Canadá volte com sua hegemonia olímpica.

Canadá: Após recuperar o ouro em Pequim, o Canadá viu os Estados Unidos se saírem melhor nos mundiais. Possivelmente, no provável duelo das seleções pelo ouro, as coisas serão decididas no detalhe. Em busca de seu sexto ouro em oito olimpíadas, o Canadá tem um elenco um pouco mais coeso e deverá contar com os talentos da craque Marie-Philip Poulin, tetra olímpica e eleita MVP do último mundial, e da sua sucessora, Jenn Gardner como destaques técnicos.
Finlândia: A principal seleção europeia no hóquei no gelo feminino, as Suomis tentarão mais uma vez buscar uma medalha de outro metal que não seja o bronze – que a Finlândia já tem quatro. Para tentar desbancar ou Estados Unidos ou Canadá – como no mundial de 2019, as nórdicas contam com os talentos da goleira Sanni Ahola e da atacante Petra Niemen. Mas em condições normais, a Finlândia é a favorita para o bronze.
Tchéquia: Uma seleção que vem evoluindo a passos largos nos últimos 20 anos. Em 2015 as tchecas disputaram a primeira divisão do mundial pela primeira vez e, nos mundiais de 2022 e 2023, conquistaram a medalha de bronze. Após estrearem na Olimpíada de Pequim na sétima colocação, a Tchéquia deve rivalizar com a Finlândia pelo bronze, ou até fazer o feito inédito de surpreender as grandes favoritas Canadá e Estados Unidos, principalmente se suas atacantes Katerina Mrazova e Tereza Vanisova estiverem sem problemas de lesões e inspiradas.

05/02
08h10 – Alemanha x Suécia (F)
10h40 – Itália x França (F)
12h40 – Estados Unidos x Tchéquia (F)
17h10 – Finlândia x Canadá (F)
06/02
08h10 – França x Japão (F)
10h40 – Tchéquia x Suíça (F)
07/02
08h10 – Alemanha x Japão (F)
10h40 – Suécia x França (F)
12h40 – Estados Unidos x Finlândia (F)
17h10 – Suíça x Canadá (F)
08/02
12h40 – França x Suécia (F)
17h10 – Tchéquia x Finlândia (F)
09/02
08h10 – Itália x Japão (F)
12h40 – Alemanha x França (F)
16h40 – Estados Unidos x Suíça (F)
17h10 – Canadá x Tchéquia (F)
10/02
08h10 – Suécia x Japão (F)
12h40 – Alemanha x Itália (F)
16h10 – Estados Unidos x Canadá (F)
17h10 – Finlândia x Suíça (F)
11/02
12h40 – Eslováquia x Finlândia (M)
17h10 – Suécia x Itália (M)
12/02
08h10 – Suíça x França (M)
12h40 – Tchéquia x Canadá (M)
17h10 – Estados Unidos x Letônia (M)
17h10 – Alemanha x Dinamarca (M)
13/02
08h10 – Finlândia x Suécia (M)
08h10 – Itália x Eslováquia (M)
12h40 – Tchéquia x França (M)
12h40 – Quartas de final (F)
17h10 – Canadá x Suíça (M)
17h10 – Quartas de final (F)
14/02
08h10 – Eslováquia x Suécia (M)
08h10 – Alemanha x Letônia (M)
12h40 – Finlândia x Itália (M)
12h40 – Quartas de final (F)
17h10 – Estados Unidos x Dinamarca (M)
17h10 – Quartas de final (F)
15/02
08h10 – Suíça x Tchéquia (M)
12h40 – Canadá x França (M)
15h10 – Dinamarca x Letônia (M)
17h10 – Estados Unidos x Alemanha (M)
16/02
12h40 -Semifinal (F)
17h10 – Semifinal (F)
17/02
08h10 – Playoffs (M)
12h40 – Playoffs (M)
15h10 – Playoffs (M)
17h10 – Playoffs (M)
18/02
08h10 – Quartas de final (M)
12h40 – Quartas de final (M)
15h10 – Quartas de final (M)
17h10 – Quartas de final (M)
19/02
10h40 – Disputa do bronze – feminino 🥉
15h10 – Final – feminino 🥇
20/02
12h40 -Semifinal (M)
17h10 – Semifinal (M)
21/02
16:40h – Disputa do bronze – masculino🥉
22/02
10:10h – Final – masculino🥇
*Todas as competições estão no horário de Brasília
