Veja os principais favoritos ao pódio da modalidade que é uma das mais rápidas da Olimpíada!
Veja os principais favoritos ao pódio da modalidade que é uma das mais rápidas da Olimpíada!

Por Gabriel Alcântara
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Centro de Esportes de Deslizamento “Eugenio Monti” (Cortina d’Ampezzo)
Período: 15/02 a 22/02
Delegações participantes: 23
Total de atletas: Máximo de 170 (114 homens e 56 mulheres)
Brasil: 2-man e 4-man: Edson Bindilatti, Davidson de Souza, Rafael Souza, Luis Bacca e Gustavo Ferreira
Conhecido como “Fórmula 1 do gelo” devido à velocidade que os trenós de dois e quatro lugares atingem nas pistas, o bobsled começou a ser praticado no século XIX na Suíça em estradas cobertas por neve. Apesar de haver registros do esporte sendo praticado simultaneamente nos Estados Unidos, foi na Europa que ele se desenvolveu.
A primeira pista própria para a prática foi construída na Suíça na década de 1870 em St. Moritz, para retirar das ruas as pessoas andando com trenós e sofrendo acidentes. Esta pista existe até hoje e não usa gelo artificial. Nas duas primeiras décadas do século XX, competições já eram disputadas Europa afora, e em 1923, foi criada a primeira federação internacional da modalidade, a Federação Internacional de Bobsled e Tobogã (atual IBSF).

No ano seguinte, quando foi realizada a primeira Olimpíada de Inverno, a modalidade apareceu com o quarteto masculino (four-man), e duas edições depois, em Lake Placid -1932, a disputa de duplas masculinas (two-man) entrou no programa Olímpico. Em 2002, a prova feminina em dupla (two-woman) entrou para os Jogos, e na última Olimpíada, em Pequim 2022, estreou o individual feminino (monobob).
As pistas têm entre 1300 à 1500 metros e são feitas de concreto para depois serem cobertas por gelo. Já os trenós têm entre 50 à 60 cm de comprimento e podem chegar até a 150 km/h.
A Alemanha domina o cenário do bobsled, com 32 medalhas no total, sendo 16 ouros, 9 pratas e 7 bronzes. A Suíça vem logo atrás com 31 medalhas: 10 ouros, 10 pratas e 11 bronzes. Os Estados Unidos aparecem na terceira posição do ranking, conquistando 28 medalhas: 8 ouros, 11 pratas e 9 bronzes.
As medalhas alemãs poderiam ser ainda maiores em quantidade. Se somarmos as medalhas da Alemanha Oriental (5 ouros, 5 pratas e 3 bronzes) e da Alemanha Ocidental (1 ouro, 3 pratas e 2 bronzes), os germânicos chegariam a 22 ouros, 17 pratas e 12 bronzes, totalizando 51 medalhas ao todo.

No masculino, o pódio foi todo alemão no two-man. A lenda Francesco Friedrich conquistou a medalha de ouro, junto com Thorsten Margis. Johannes Lochner e Florian Bauer levando a prata e Christoph Hafer, junto com Matthias Sommer no bronze. No four-man, repetição de Friedrich em primeiro e Lochner em segundo. Na terceira posição, o canadense Justin Kripps ficou com o bronze.
No feminino, o ouro do two-woman ficou com as alemãs Laura Nolte e Deborah Levi. A prata também ficou com a Alemanha, com Mariama Jamanka e Alexandra Burghardt, e o bronze ficou com as estadunidenses Elana Meyers Taylor e Sylvia Hofmann.
Na estreia do monobob em Olimpíadas de Inverno, a primeira medalha de ouro da história ficou com a canadense naturalizada estadunidense, Kaillie Humphries. A prata também foi para os Estados Unidos, com Elana Meyers Taylor, e o bronze, com a canadense Christine de Bruin.
Serão disputadas quatro provas em Milão-Cortina: four-man, two-man, two-woman e o monobob feminino – trenó de apenas um lugar. Em todas elas, os atletas fazem pelo menos três tomadas de tempos, com os 20 melhores trenós se classificando para a quarta e última descida, que define os medalhistas olímpicos. A classificação final é feita com a soma dos tempos dos trenós em todas as descidas.
As primeiras equipes brasileiras de bobsled surgiram em 1996, mesmo ano da criação da Associação Brasileira de Bobsled, Skeleton e Luge (ABBSL), atual CBDG. Já no ano seguinte, o país participava de competições internacionais como a Copa América, e em 1998, o Brasil quase estreou nos Jogos Olímpicos, mas questões burocráticas impediram o debute.
Em 2000, veio a primeira medalha, um bronze no quarteto em uma etapa da Copa América. Dois anos depois, o país conquistou seu primeiro título no bobsled feminino vencendo a etapa de Calgary da Copa América. No mesmo ano, os homens estrearam nos Jogos Olímpicos com o trenó de quatro pessoas.

No ano de 2003, a seleção brasileira participou de seu primeiro Mundial e da sua primeira Copa do Mundo de bobsled. Em 2006, foi a vez dos homens conquistarem seu primeiro título, a Copa Challenge, na Alemanha. No mesmo ano, eles participaram da segunda olimpíada consecutiva.
O Brasil não participou dos Jogos de Vancouver, mas participou do Mundial do ano seguinte. O país voltou aos Jogos em 2014, quando foi 28º colocado no masculino e 19º no feminino, que competiu como campeãs da Copa América. No ano seguinte, foi a vez do quarteto masculino conquistar o continente, título repetido em 2018. Após ficar na 23ª posição em Pyeongchang 2018, a melhor participação olímpica do masculino veio em Pequim 2022, quando o trenó brasileiro terminou na 20ª posição.
O Brasil tentou duas equipes no four-man para Milão-Cortina, mas acabou classificando apenas o trenó pilotado por Edson Bindilatti. Pela primeira vez, o trenó utilizado pelos brasileiros é próprio e de primeira linha. Antes, o Brasil precisava alugar um trenó, que era de segunda mão, para poder participar de torneios classificatórias e das Olimpíadas de Inverno. Com essa evolução realizada pela CBDG, os resultados podem melhorar de forma significativa. A qualificação foi feita na Copa América de Bobsled.
A realeza descendo de trenó
O 11° Marquês de Portago representou a Espanha nas olimpíadas de Cortina d’Ampezzo, em 1956, terminando em 4° lugar no two-man, ficando sem a medalha por menos de dois décimos. E o atual Príncipe de Mônaco, Albert II, representou a nação cinco vezes nas olimpíadas entre os anos de 1988 a 2002, com o melhor resultado sendo obtido em Calgary 1988, quando ficou com o 25º lugar no two-man.
O Pioneiro
O italiano Eugenio Monti, dono de seis medalhas olímpicas, ajudou os canadenses Victor Emery, Douglas Anakin, John Emery e Peter Kirbya a resolverem um problema mecânico no trenó nas olimpíadas de Innsbruck 1964. Os canadenses levaram o ouro no four-man e Monti foi terceiro. Repetindo a dose, o italiano emprestou um parafuso do próprio trenó à dupla britânica Anthony Nash e Robert Dixon no two-man (os britânicos ficaram em primeiro e Monti em segundo). Pelos gestos, Monti se tornou o primeiro atleta a receber a Medalha Pierre de Coubertin, concedida em 1964 pelo seu espírito olímpico.
O clássico da Sessão da tarde

A Jamaica, país tropical do caribe e sem tradição em esportes de inverno, se classificou de forma inédita para as Olimpíadas em Calgary 1988. No two-man, ficaram na 30ª posição. No four-man, a equipe não completou a quarta descida e foram desqualificados. A história inspirou o famoso filme “Jamaica Abaixo de Zero”, de 1993, um dos clássicos da sessão da tarde da TV Globo.
Recorde mundial
A maior velocidade registrada por um trenó foi no mundial de bobsled de 2019 em Whistler (CAN), quando o trenó alemão liderado por Francesco Friedrich (GER) atingiu a velocidade 157,06 km/h na sua terceira descida
Alemanha: Os alemães virão com tudo para mais uma Olimpíada de Inverno. Francesco Friedrich, lenda alemã, venceu a maioria das competições que disputou no two-man desde o ano de 2016, e no four-man desde a temporada de 2018/19. Mas, na última temporada, o seu reinado deu lugar a um novo alemão, Johannes Lochner, que até o fechamento desta edição, venceu cinco de seis etapas, no two-man e no four-man. Uma nova lenda pode estar a caminho no bobsled mundial ou o legado atual de Friedrich irá continuar. Milão-Cortina reserva esta grande batalha.
No feminino, Laura Nolte e Deborah Levi, campeãs mundiais júnior em 2021, construíram um domínio no two-woman, depois da aposentadoria de Mariama Jamanka, após Pequim 2022. Juntas, conquistaram o quarto título no two-woman.

Lisa Buckwitz é outra atleta que não se pode descartar na disputa do topo no monobob. Ganhou as últimas duas copas do mundo na modalidade e disputou com Nolte, que ganhou o seu primeiro título recentemente, dominando no combinado de todas as modalidades femininas no bobsled.
Kim Kalicki é dúvida para a sua performance em Milão-Cortina. A atual vice-campeã do mundial no two-woman e medalhista de bronze na copa do mundo de bobsled tem se recuperado aos poucos de uma pneumonia grave, que a tirou de três etapas do campeonato. Ela voltou a atuar na penúltima etapa da copa no mundo, realizada em St. Moritz e, caso esteja 100% nas Olimpíadas, têm totais condições de disputa por medalha no two-woman.
Estados Unidos: Kaillie Humphries, Kaysha Love e Elana Meyers Taylor são as atletas que irão disputar no pelotão de frente das categorias femininas. A atual campeã olímpica de monobob e bicampeã no two-woman pelo Canadá, Kaillie Humphries, vem muito forte para a disputa das duas categorias.

Kaysha Love é a atual campeã do Mundial de Lake Placid no ano passado, no monobob, e está entre as candidatas para as categorias femininas.
Por fim, Elana Meyers Taylor, medalhista de prata no monobob em Pequim 2022, vem abaixo das duas pelos resultados recentes na edição atual da Copa do Mundo, mas não é carta fora do baralho, principalmente no monobob, medalhando nas últimos dois mundiais (prata em Winterberg 2024 e bronze em Lake Placid 2025).
Grã-Bretanha: Brad Hall na temporada 2024-25 foi terceiro lugar no two-man e no four-man, sendo a esperança dos britânicos nas categorias do bobsled. Teve uma temporada abaixo do que vem performando nos últimos anos.
Foi prata no mundial de St. Moritz 2023 e bronze em Lake Placid 2025, no four-man. Já em copas do mundo, foi bronze na temporada de 2022-23 no two-man e bronze novamente nas duas categorias em 2024-25.
Suíça: Historicamente, a Suíça é uma potência no bobsled. Para essa edição, Michael Vogt é o nome mais forte nesse ciclo olímpico, com dois top 5 nas temporadas 2022-23 e 2023-24
No feminino, Melanie Hasler – namorada de Michael Vogt – é uma das atletas de destaque do país e está constantemente no top 10 nas copas do mundo de bobsled recentes, nas duas categorias.
Itália: País-sede das olimpíadas, os italianos vem com força pela torcida local e, especialmente, no crescimento do ciclo de Patrick Baumgartner, top 10 das últimas duas edições no four-man e que vem disputando o top 5 de novo na temporada vigente. No two-man, já conseguiu top 5 na temporada anterior (2024-25), mas não atingiu os mesmos resultados nesta categoria. Quem sabe o quarteto local não surpreenda o mundo em casa.
Austrália: Breeana “Bree” Walker é a atleta que comanda as esperanças australianas em Milão-Cortina. No monobob, Walker já foi três vezes vice-campeã e está lutando pelo título dessa temporada. É a atleta mais cotada para disputar de frente contra as alemãs Laura Nolte e Lisa Buckwitz.
15/02
10h00 – monobob feminino, bateria 1
11h50 – monobob feminino, bateria 2
16/02
10h00 – two-man, bateria 1
11h57 – two-man, bateria 2
19h00 – monobob feminino, bateria 3
21h06 – monobob feminino, bateria 4🥇
17/02
19h00 – two-man, bateria 3
21h05 – two-man, bateria 4🥇
20/02
18h00 – two-woman, bateria 1
19h50 – two-woman, bateria 2
21/02
10h00 – four-man, bateria 1
11h57 – four-man, bateria 2
19h00 – two-woman, bateria 3
21h05 – two-woman, bateria 4🥇
22/02
10h00 – four-man, bateria 3
12h15 – four-man, bateria 4🥇
*Todas as competições estão no horário de Brasília
