Guia Milão-Cortina 2026: Esqui Alpino

Conheça mais sobre a modalidade que pode entregar a primeira medalha do Brasil no inverno!

Arte de Vitor Pata
Arte de Vitor Pata

Por Jamis Gomes Jr

FICHA TÉCNICA

Locais de disputa: Centro de Esqui Stelvio, em Bormio (masculino) e Centro de Esqui Alpino Tofane, em Cortina d’Ampezzo (feminino)

Período: 07/02 a 18/02
Delegações participantes: 85
Total de atletas: 306 (153 homens e 153 mulheres)
Brasil: Lucas Pinheiro, Giovanni Ongaro, Christian Oliveira e Alice Padilha

O Esqui Alpino é um dos esportes mais tradicionais e populares dos Jogos Olímpicos de Inverno. Suas origens remontam ao final do século XIX em 1868, quando a prática do esqui deixou de ser apenas um meio de locomoção nos países nórdicos e passou a ganhar caráter esportivo com a disputa da primeira competição de esqui alpino em Oslo, Noruega. Sondre Norheim, primeiro campeão e criador do esqui com laterais fixas e da técnica da curva do slalom, é considerado o pai do Esqui Alpino moderno.

Apesar da popularidade, a modalidade estreou no programa olímpico somente em Garmisch-Partenkirchen 1936 – com uma prova combinada de Downhill e Slalom – e desde então faz parte de todas as edições dos Jogos Olímpicos de Inverno, sempre nos dois gêneros. O slalom gigante entrou no programa olímpico em Oslo 1952 e o Super-G, entrou em Calgary 1988.

Em Milão-Cortina 2026, o esqui alpino terá papel central, com provas realizadas em duas sedes icônicas do esporte: Bormio, conhecida por suas pistas rápidas e técnicas, e Cortina d’Ampezzo, que volta a receber competições olímpicas após sediar os Jogos de 1956.

Maiores vencedores

A Áustria é a principal nação no esqui alpino olímpico. São 128 medalhas conquistadas, sendo 40 de ouro, 44 de prata e 44 de bronze. Suíça com 75 medalhas – 27 de ouro – e Estados Unidos com 48 pódios – 17 medalhas de ouro, completam o pódio do quadro de medalhas geral

Como foi em Pequim?

Das 11 nações que medalharam em Pequim, a Suíça foi a melhor com cinco ouros, uma prata e três bronzes. Áustria com três ouros, três pratas e um bronze e França com um ouro, uma prata e um bronze vem em seguida. Matias Mayer, com um ouro e um bronze e Federica Brigione, com uma prata e um bronze, foram que saíram com mais medalhas da China.

Como será em Milão-Cortina?

O programa olímpico do esqui alpino em Milão-Cortina 2026 contará com dez eventos, sendo cinco masculinos e cinco femininos. As provas são divididas em disciplinas de velocidade, disciplinas técnicas e o combinado alpino por equipes.

Provas de velocidade

Downhill e Super-G – São disputadas em uma única descida, vencendo o atleta que registrar o menor tempo. O downhill é a prova mais rápida da modalidade, enquanto o super-G combina alta velocidade com maior exigência técnica.

Provas técnicas

Slalom e Slalom gigante – Essas provas são disputadas em duas descidas em zigue-zague, com percursos diferentes na mesma pista. A soma dos tempos define o resultado final. Novamente, quem fizer o menor tempo, vence. O slalom é a prova mais curta e técnica, enquanto o slalom gigante apresenta curvas mais amplas e maior velocidade média.

Combinado alpino por equipes – Cada país é representado por dois atletas do mesmo naipe, um competindo no downhill e outro no slalom. A soma dos tempos das duas descidas define a classificação final da equipe.

O BRASIL NO ESQUI ALPINO

A primeira participação brasileira em competições oficiais no Esqui Alpino aconteceu no Campeonato Mundial de Portillo, Chile, em 1966 com os atletas Francisco e Luigi Giobbi, Michael Reis de Carvalho e Sergio Hamburger.

E foi no esqui alpino que o Brasil participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos de inverno. Em 1992 em Albertvile, na França, com uma delegação formada pelos esquiadores Evelyn Schuler, Christian Munder, Fábio Igel, Hans Egger, Marcelo Apovian, Roberto Detlof e Sérgio Schuler.

O Brasil vive, neste ciclo olímpico, o melhor momento de sua história no esqui alpino. Pela primeira vez, o país chega a uma temporada olímpica com chances reais de ampliar sua presença na modalidade. O grande nome é Lucas Pinheiro Braathen, atleta que já figura entre a elite mundial do esporte. Atualmente, o brasileiro ocupa posições de destaque nos rankings de largada da Copa do Mundo, estando no top 10 tanto do slalom quanto do slalom gigante, desempenho que coloca o país em uma situação inédita no processo de classificação olímpica. Além de Lucas, o Brasil terá Giovanni Oncaro e Christian Oliveira.

E os motivos para comemorar não param por aí. No âmbito feminino, o Brasil volta a ter uma representante na modalidade, a jovem Alice Padilha de 18 anos, algo que não acontecia desde 2014 quando Maya Harrisson competiu em Sochi.

Curiosidades

A Tríplice Coroa

Quem vencer os três eventos (slalom, slalom gigante e downhill) da Copa do mundo na mesma temporada ou as três provas na mesma olimpíada recebem a tríplice coroa no esqui alpino. Apenas dois esquiadores conseguiram tal façanha: Toni Sailer (AUT) nos jogos olímpicos de 1956 em Cortina d’Ampezzo e Jean Claude Killy (FRA) nas Olimpíadas de 1968 em Grenoble.

O que significa slalom?

Slalom é uma palavra que vem dos dialetos noruegueses, do original slalåm, que significa trilha ( låm ) em uma encosta ( sla ).

O esporte democrático

O Esqui Alpino é um dos esportes mais democráticos do Jogos de inverno. Em Milão-Cortina, serão 85 países disputando medalhas. A quantidade de países é explicada pela popularidade do esporte. Em 2023, uma pesquisa estimou que 55 milhões de pessoas praticam o esqui alpino no mundo.

Recorde de velocidade

Johan Clarey se tornou o primeiro esquiador na história a quebrar a barreira dos 160 km/h em uma descida de downhill, a prova mais veloz do esqui alpino. Ele conseguiu o feito na etapa de Wengen, na Suíça, em 2013.

Destaques

Masculino

Lucas Pinheiro Braathen : O maior nome da história do esqui alpino brasileiro chega a Milão-Cortina 2026 como candidato real à medalha. Especialista nas provas técnicas, Lucas Pinheiro Braathen colocou o Brasil definitivamente no mapa da modalidade. Na atual temporada, venceu o slalom de Levi, na Finlândia, foi prata no slalom gigante de Alta Badia, na Itália, e voltou ao pódio com mais uma prata em Adelboden, na Suíça.

Marco Odermatt: Atual principal nome do esqui alpino masculino, Odermatt se destaca tanto nas provas de velocidade quanto no slalom gigante. Em Pequim, o suíço foi ouro no Slalom gigante e agora chega aos Jogos de Milão-cortina como forte candidato a múltiplas medalhas.

Franjo Von Allmen: Jovem valor do esqui suíço, Von Allmen foi campeão mundial do downhill em 2025 e chega forte nas provas de velocidade em Milão-cortina, o que deixa a Suíça com boas chances de medalha por equipes também.

Giovanni Fronzani: Outro jovem valor do esqui alpino, o italiano, que foi campeão mundial júnior, tem se destacado na última temporada da Copa do Mundo 2025/26 e vai para competir uma olimpíada em casa em um ótimo momento, o que pode trazer muitas medalhas para ele.

Feminino

Mikaela Shiffrin: Mais vitoriosa atleta do esqui alpino feminino da história, estadunidense chega a Milão-Cortina como recordista de vitórias na Copa do Mundo. Após se recuperar de uma grave lesão no fim de 2024. Ela voltou em alto nível na temporada de 2025.

Sofia Goggia: Especialista em downhill, a italiana tem histórico de brilhar em grandes eventos e competirá em casa. Campeã olímpica em 2018 e medalhista de prata em Pequim 2022, é uma das maiores esperanças italianas para o ouro.

Lindsey Vonn: Lenda do esqui alpino, a estadunidense retornou da aposentadoria em 2024 e no fim de 2025, se tornou a mais velha a vencer uma etapa de Copa do mundo aos 41 anos. Ela já revelou que a pista de Cortina d’Ampezzo é uma das suas favoritas, o que a deixa como um dos nomes que pode surpreender.

Julia Scheib: A austríaca, campeã mundial júnior, levou alguns anos para se destacar no cenário adulto. Hoje, ela lidera no slalom gigante na etapa 2025/26 da Copa do Mundo, o que a credencia para brigar pelo ouro em Milão-Cortina.

CALENDÁRIO

07/02 

11h30 – Downhill masculino🥇

08/02 

11h30 – Downhill feminino🥇

09/02 

10h30 – Combinado por equipes masculino – Downhill

14h00 – Combinado por equipes masculino – Slalom🥇

10/02 

10h30 – Combinado por equipes feminino – Downhill

14h00 – Combinado por equipes feminino – Slalom🥇

11/02 

11h30 – Super-G masculino🥇

11h30 – Super-G feminino🥇

14/02

10h00 – Slalom gigante masculino (1ª e 2ª descidas)🥇

15/02 

10h00 – Slalom gigante feminino (1ª e 2ª descidas)🥇

16/02 

10h00 – Slalom masculino (1ª e 2ª descidas)🥇

18/02 

10h00 – Slalom feminino (1ª e 2ª descidas)🥇

*Todas as competições estão no horário de Brasília

Redação Surto Olímpico

Redação Surto Olímpico

Desde 2011, vivendo os esportes olímpicos e paralímpicos com intensidade o ano inteiro. Estamos por trás de cada matéria, cobertura e bastidor que conecta atletas e torcedores com informação acessível, atualizada e verdadeira.
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