Conheça o esporte radical em que o atleta desce deitado em um trenó!
Conheça o esporte radical em que o atleta desce deitado em um trenó!

*Por Hugo Magliano
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Centro de Esportes de Deslizamento “Eugenio Monti” (Cortina d’Ampezzo)
Período: 07 a 12 de fevereiro
Delegações participantes: 19
Total de atletas: 106 atletas (59 homens e 47 mulheres)
Brasil: Não se classificou
O luge é um dos três esportes de trenó presente nos Jogos Olímpicos de Inverno (os outros são skeleton e bobsled) onde os atletas descem a pista com as costas no trenó e de barriga para cima. O esporte surgiu na Suíça por volta do século XVI usando trajetos naturais. Apenas 300 anos depois surgiram as primeiras pistas artificiais, construídas por proprietários de resorts na Suíça para turistas em busca de adrenalina. O primeiro uso da palavra ‘Luge’ registrado foi em 1905, e ela deriva do dialeto savoia / suíço da palavra francesa luge , que significa “pequeno trenó de deslizamento”.
No luge, os atletas iniciam sentados no trenó e o impulsionam com as mãos, usando as alças de cada lado da rampa de partida e dando uma espécie de ‘remada’ no gelo, na largada com a ajuda de luvas especiais com micro agulhas nos dedos. Em eventos de duplas, o atleta mais atrás ajuda no impulso inicial por meio de um elástico atrelado às costas do seu parceiro e ambos dão ‘remadas’ sincronizadas.
Antes da primeira curva, recolhem as mãos e deitam no trenó de barriga para cima, descendo a pista o mais rápido possível enquanto o guiam com sutis movimentos das pernas e ombros. Os atletas também buscam aproveitar as curvas e a inclinação natural da pista, chamada de chicane, para que a gravidade o acelere. No entanto, bater nas laterais significa perder velocidade e estabilidade.
O esporte fez sua estreia na Olimpíada de Inverno nos Jogos de Innsbruck, em 1964, com eventos individuais masculinos e femininos, além de uma prova de duplas, que tecnicamente era aberta desde 1994, mas apenas homens competiram nela. Em Sochi 2014 foi adicionada a prova de revezamento por equipes. Em Milão-Cortina 2026, o evento das duplas será finalmente separado em duplas masculinas e femininas.
Em algumas pistas o competidor pode superar os 150 km/h, o que faz o luge ser o esporte olímpico de inverno mais rápido. O luge utiliza uma cronometragem extremamente precisa, e não raro a diferença entre os atletas é de poucos milésimos. Após a descida, para frear, o atleta volta à posição sentada e levanta a parte da frente do trenó, aumentando o atrito na parte de trás.
Com o objetivo de garantir a igualdade na competição, os atletas de luge podem receber peso extra, chamado de lastro, em seus trenós, para atingir um peso combinado mínimo. Isso acontece porque atletas mais pesados podem ter vantagem devido à força da gravidade. Mas existe um limite máximo de lastro que pode ser adicionado ao trenó e os atletas são pesados com e sem equipamento para garantir a lisura da competição. Também não é permitido aquecer as lâminas de aço do trenó. Qualquer discrepância no peso ou na temperatura do trenó pode resultar na desclassificação imediata do atleta ou da equipe.
A Alemanha é o país amplamente dominante no luge. Somando as conquistas da Alemanha, da Alemanha Oriental, da Alemanha Ocidental e da Alemanha Unificada, os germânicos são donos de 38 dos 52 ouros disputados na modalidade. Eles conquistaram 87 das 153 medalhas distribuídas, mais da metade!
De fato, a única vez que a Alemanha não foi a maior medalhista na modalidade foi em Lillehammer 1994, quando a Itália conquistou dois ouros, uma prata e um bronze – Itália inclusive é a segunda no quadro de medalhas geral, com 18 pódios, sendo sete de ouro. A Áustria com 25 pódios, seis de ouro, vem em seguida.
O luge foi totalmente dominado pela Alemanha em Pequim. Foram quatro ouros em quatro provas, com Johannes Ludwig, Natalie Geisenberg, Tobias Wendl e Tobias Arlt levando os todos os ouros nas provas individuais, duplas e por equipes. Com duas pratas e um bronze, a Áustria foi quem mais se aproximou do domínio alemão. Itália, Letônia e Comitê Olímpico da Rússia conquistaram um bronze cada.
Em Milão-Cortina 2026 serão disputados cinco eventos: individuais e duplas (masculinas e femininas) e revezamento por equipes. Em todas as disputas, vence quem tiver o menor tempo somado. Para uma descida ser validada, os competidores precisam estar com pelo menos uma parte do seu corpo em contato com o trenó quando este cruzar a linha de chegada. Nas provas individuais masculinas, a largada é na parte mais elevada da pista, por isso o percurso e a velocidade máxima atingida são maiores. Nas demais provas a largada se dá um pouco mais à frente.
Individual: cada atleta faz três descidas e tem seus tempos somados. A quarta e última descida, que determina os medalhistas, é reservada apenas para os vinte mais rápidos. Na primeira descida a ordem é estabelecida por sorteio. Na segunda e terceira é por ordem crescente de tempo (quem tiver o menor tempo vai primeiro). E na quarta descida é por ordem decrescente, ou seja, o mais lento desce primeiro.
Duplas: todas as duplas realizam duas descidas e não há qualquer tipo de corte dos mais lentos. A segunda descida é em ordem decrescente de tempo. No revezamento cada equipe desce apenas uma vez.
O revezamento: a atleta individual feminina faz a primeira descida, disparando o cronômetro. Na chegada, ela toca numa placa no alto enquanto ainda está no trenó. Essa placa ao ser tocada libera imediatamente a descida do atleta individual masculino, que repete o processo, liberando após as duplas masculinas e depois as duplas femininas, que param o cronômetro ao concluírem sua descida e tocarem na placa. Se qualquer dos componentes do revezamento não tocar na placa ou não concluir sua descida, a equipe inteira é desclassificada.
As atividades do Brasil no luge começaram no final da década de 90, após a fundação da Associação Brasileira de Bobsled, Skeleton e Luge (ABBSL), que deu origem a atual Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG).
As primeiras competições do país na modalidade foram em 1997, com Ricardo Raschini e Renato Mizoguchi. Os dois participaram dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City, nos Estados Unidos. Raschini ficou em 45º e Mizoguchi em 46º entre 50 competidores.
Enquanto Raschini migrou para o bobsled, Mizoguchi seguiu no luge e conseguiu a classificação para Turim 2006. No entanto, ele não participou após sofrer um acidente grave durante o evento teste para a homologação da pista de Turim.
Para Milão-Cortina 2026, o Brasil sequer teve atletas tentando a classificação no luge. Mas a CBDG trabalha para mudar esse cenário em breve. Nomes como Bruno Aguiar Valadão, Matheus Siqueira e Alessandro Consolini iniciaram na modalidade e recebem treinamento específico para representar o Brasil em competições internacionais. O alvo maior são os Jogos Olímpicos da Juventude em 2028 e os Jogos Olímpicos de Inverno em 2030.
Esporte de família
O luge é um esporte muito praticado por famílias. Em Milão-Cortina vários atletas competirão ao lado – e algumas vezes contra – familiares. Temos os irmãos Kendija Aparjode e Kristers Aparjods da Letônia, David e Nico Gleirscher, Madeleine e Selina Egle e Jonas e Yannick Müller da Áustria e Svante e Tove Kohala da Suécia. Ainda temos os casais Dominik Fischnaller (ITA) e Emily Fischnaller (USA) e Martins Bots e Elina leva Bota da Letônia.
Jornada Dupla
Wolfgang Kindl (AUT) vai trabalhar dobrado em Milão-Cortina: compete no individual masculino e nas duplas masculinas. Nas duplas seu parceiro é Thomas Steu. E a jornada pode ser tripla caso ele seja selecionado para disputar o revezamento por equipes.
Quanto mais frio, melhor
A temperatura do gelo da pista influencia muito a velocidade do trenó. Um gelo mais frio (próximo de -10º C ou menos) geralmente é mais duro e possui menor fricção, aumentando a velocidade, mas reduzindo a dirigibilidade. Enquanto que temperaturas mais altas (próximas a 0º C) tornam o gelo mais macio e aderente, além de formar uma fina camada de água líquida na superfície. Em tais condições os atletas são mais lentos. Por essas razões, os recordes de pista costumam ser obtidos entre dezembro a fevereiro, quando o inverno é mais rigoroso nos países europeus.
A última morte em Olimpíadas
Foi no luge que tivemos a última morte em Jogos Olímpicos. Na edição de Vancouver em 2010, o georgiano Nodar Kumaritashvili perdeu o controle do seu trenó em um dos treinamentos na pista na última curva. Ele acabou sendo arremessado e atingiu o único poste que estava sem proteção. Ele estava a 143 km/h na hora do impacto. Nodar foi levado para o hospital, mas não resistiu, falecendo no dia da cerimônia de abertura dos Jogos.
Individual Masculino
Felix Loch: Campeão olímpico em 2010 e 2014, ele era o favorito em 2018 e liderava a prova até a última descida, mas um erro lhe custou o pódio. Ele terminou em 5º lugar. Já em 2022, Felix foi o 4º a dois décimos da medalha. Agora em Milão-Cortina, o alemão vem pra sua quinta, e provavelmente, última olimpíada. É óbvio que ele deseja fechar seu currículo com mais um ouro. Ele é hexacampeão mundial e tri europeu na categoria.
Jonas Müller:Atual bicampeão europeu na categoria e campeão mundial em 2023, o austríaco também foi prata no mundial de 2020.
Max Langenhan: Campeão europeu em 2023 e mundial em 2024 e 2025, o alemão teve uma temporada mágica, mas atualmente está se recuperando de uma lesão e não está em seu melhor condicionamento. Ainda assim, chega como um dos favoritos em Milão-Cortina.
Nico Gleirscher: Campeão mundial em 2021 no evento sprint, prata em 2024 no individual masculino e em 2025 no revezamento por equipes. Constantemente está entre os top-10 nas etapas de Copa do Mundo e não pode ser ignorado. Também foi prata em 2024 no campeonato europeu, além de bronze nos anos de 2022 e 2025. Seu irmão mais velho, David, também é luger, mas não conseguiu classificação devido à forte concorrência interna austríaca.
Individual Feminino
Julia Taubitz: A sempre sorridente alemã é bicampeã mundial e quatro vezes vice nos últimos seis anos. Ela também é a atual campeã europeia e possui dezenas de vitórias individuais em sua carreira. Nos últimos três anos, Julia foi a atleta mais regular da temporada. Sem a concorrência da austríaca Madeleine Egle, suspensa por não ter realizado um número mínimo de testes antidoping, Julia chega como grande favorita ao ouro.
Anna Berreiter: Em Pequim 2022, a alemã foi medalhista de prata atrás da lendária e atualmente aposentada Natalie Geisenberger. Em 2023, Anna venceu o campeonato europeu e o mundial, além de ter sido a terceira atleta mais regular da temporada.
Lisa Schulte: Apesar de um começo de temporada não muito consistente, a austríaca não pode ser ignorada, já que ficou em 6º lugar em Pequim 2022 e foi campeã mundial em 2024. Sua compatriota Hannah Prock possui o luge nas veias e vai atrás de melhorar o 5º lugar obtido em Pequim 2022.
Merle Fräbel: Vice-campeã mundial em 2025 e medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude em Lausanne 2020, a jovem alemã, de 22 anos, já desponta como promessa do luge feminino alemão e deve brigar por medalhas em Milão-Cortina 2026.
Duplas Masculinas
Tobias Wendl / Tobias Arlt: A dupla alemã é a atual tricampeã olímpica (2014, 2018 e 2022) e vão em busca do tetra. Nesses mesmos anos, também ganharam a competição por equipes, de certa forma que, caso consigam um ouro ou uma prata em Milão-Cortina, passarão à sua compatriota Natalie Geisenberger como maiores vencedores olímpicos de luge da história! – Natalie possui seis ouros e um bronze, obtidos entre 2010 a 2022.
Além disso, também se tornarão os mais medalhados alemães em olimpíadas de inverno (a contar por ouros). Motivação é o que não vai faltar para a dupla conhecida como “Expresso da Baviera” no que provavelmente deve ser sua última olimpíada.
Martins Bots / Roberts Plume: Medalhistas de prata no campeonato europeu de 2023 e 2024 e prata no mundial de 2025, a dupla letã também possui no currículo o bronze olímpico no revezamento em Pequim 2022.
Juri Gatt / Riccardo Schöpf: O dueto austríaco foi campeão mundial em 2024 e vice europeu em 2025.
Toni Eggert / Florian Müller: Eggert é consagrado no esporte, competindo desde 2008. Ele foi prata em Pequim 2022 e bronze em Pyeongchang 2018. Levou o ouro mundial cinco vezes (2017, 2019, 2020, 2021 e 2023) e a prata três vezes (2012, 2013 e 2016). Ele também é tetracampeão europeu (2013, 2016, 2018 e 2022). A maior parte das suas conquistas foram ao lado de Sascha Benecken, o qual anunciou sua aposentadoria junto com Eggert em 2023. Mas ano depois Toni Eggert voltou atrás da sua aposentadoria e agora compete ao lado de Florian Müller, que ainda não possui títulos.
Duplas Femininas
Selina Egle / Lara Kipp :Apesar de jovem, a dupla austríaca coleciona conquistas: atual campeã europeia e bi mundial, elas também foram prata no ano de 2023. Igualmente foram fundamentais nos triunfos austríacos no revezamento dos campeonatos europeus de 2024 e 2025, surpreendendo a franca favorita Alemanha.
Dajana Eitberger / Magdalena Matschina : Dajana era uma condecorada atleta da categoria individual até julho de 2024, quando começou a participar nas duplas com a jovem Magdalena. Juntas as alemãs foram bronze no mundial em 2025.
Chevonne Forgan / Sophia Kirkby: A dupla possui dois bronzes em mundiais: em 2022 e em 2024, mas apesar dos poucos títulos, as estadunidenses vêm em crescente exponencial no esporte.
Andrea Vötter / Marion Oberhofer: Campeãs europeias em 2023, prata em 2024 e bronze no ano seguinte. Também serão fundamentais para as ambições italianas no revezamento por equipes. Não podemos esquecer que competem em casa e terão apoio massivo quando entrarem em ação.
Revezamento por Equipes
Alemanha: Com favoritos em todas as categorias, o país chega pronto para abocanhar mais um ouro. De fato, desde que o revezamento se tornou olímpico, em Sochi 2014, a Alemanha venceu todos, sendo a atual tricampeã. Felix Loch e Tobias Wendl/Tobias Arlt são remanescentes dessas vitórias germânicas.
Áustria: A perda de Madeleine Egle no individual feminino é um duro golpe para as ambições austríacas no revezamento, porém, atletas como Lisa Schulte podem suprir a carência. A Áustria também tem nas duplas femininas um ótimo trunfo com Egle/Kipp. Apenas um desastre tiraria a Áustria do pódio. Em 2018 os austríacos foram bronze, e em 2022 medalhistas de prata. Dessas conquistas, permanecem David Gleirscher, Wolfgang Kindl e Thomas Steu.
Letônia: A nação já possui dois bronzes nesta prova, obtidos em 2014 e 2022. Do time que foi bronze nas últimas olimpíadas, permanecem Kristers Aparjods e a dupla Martins Bots/Roberts Plume.
Estados Unidos: O luge tem crescido no país. Estadunidenses têm conseguido subir ao pódio em etapas da Copa do Mundo e do Mundial. Embora o país ainda não tenha medalhas no revezamento, atletas como Chevonne Forgan/Sophia Kirkby e Summer Britcher podem mudar essa realidade.
07/02
17h00 – Individual masculino – Descida 1
18h32 – Individual masculino – Descida 2
08/02
17h00h – Individual masculino – Descida 3
18h31 – Individual masculino – Descida 4 🥇
09/02
17h00 – Individual feminino – Descida 1
18h32 – Individual feminino – Descida 2
10/02
17h00 – Individual feminino – Descida 3
18h41 – Individual feminino – Descida 4 🥇
11/02
17h00 – Duplas femininas – Descida 1
17h48 – Duplas masculinas – Descida 1
18h48 – Duplas femininas – Descida 2 🥇
19h37 – Duplas masculinas – Descida 2 🥇
12/02
18h30 – Revezamento por equipes 🥇
*Todas as competições estão no horário de Brasília
*Todas as competições estão no horário de Brasília
