Conheça mais do esporte mais radical – e polêmico – dos Jogos de inverno!
Conheça mais do esporte mais radical – e polêmico – dos Jogos de inverno!

Por Thiago Chaguri
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Predazzo Ski Jumping Stadium, em Predazzo (Itália)
Período: 5 a 16 de fevereiro
Delegações participantes: 22
Total de atletas: 100 (50 mulheres e 50 homens)
Brasil: sem representantes
Evidências arqueológicas encontradas na Rússia indicam que a prática do esqui como meio de deslocamento remonta ao período entre 6.300 e 5.000 a.C. Além de gravuras rupestres identificadas no Mar Branco, datadas de 2.000 a 2.500 a.C, também há pinturas com mais de 5.000 anos encontradas na China.
Nos países nórdicos, há representações datadas de 3.000 a 4.000 a.C. Em Rødøy, no condado de Nordland, localizado na Noruega, existe uma gravura com cerca de 5.000 anos. Já no condado de Oppland, arqueólogos descobriram um esqui de madeira utilizado há 1.300 anos, com 1,72 m de comprimento e 14,5 cm de largura, equipado por uma fixação elevada e um orifício onde eram presas fivelas de vime e tiras de couro, responsáveis por prender os pés ao equipamento.

E é exatamente na Noruega que surgiu o embrião do esporte hoje conhecido como Salto de Esqui. Em 1809, na cidade de Morgedal, o tenente norueguês Olaf Rye construiu uma colina de neve e realizou o primeiro salto de esqui oficialmente registrado, alcançando 9,5 metros. Apesar do feito de Rye, o grande pioneiro da modalidade foi Sondre Norheim, um camponês considerado o inventor do esqui moderno. Norheim desenvolveu esquis com laterais curvas, facilitando as inclinações, aperfeiçoou um material para a fixação que prende a bota ao esqui e criou os termos “ski” e “slalom”.
Em 1860, o norueguês superou a marca dos 30 metros, atingindo 30,5 m. Seis anos depois, venceu a primeira competição de salto de esqui com premiação registrada, realizada em Ofte, Høydalsmo, e também a primeira competição de âmbito nacional, em 1868, disputada em Kristiania, atual Oslo. A capital norueguesa, inclusive, recebeu a primeira rampa oficial do salto de esqui, construída em 1879.
Em 1893, Torju Torjussen desenvolveu a técnica de aterrissagem conhecida como Telemark, ainda utilizada nos dias atuais, na qual o esquiador flexiona uma perna à frente e a outra atrás, mantendo os esquis paralelos para absorver o impacto do pouso. Até a década de 1920, os saltos alcançavam distâncias próximas a 45 metros. A partir desse período, a modalidade passou por um processo contínuo de aperfeiçoamento.
Juntamente ao combinado nórdico, esqui cross-country, patinação artística e patinação de velocidade, o salto de esqui integra ininterruptamente a programação dos Jogos Olímpicos de Inverno desde a primeira edição, realizada em 1924, em Chamonix, na França.
Em 1962, a Federação Internacional de Esqui e Snowboard introduziu a disputa em Pista Normal no Campeonato Mundial de Esqui Nórdico sediado em Zakopane, na Polônia. Dois anos depois, a novidade foi incorporada ao programa olímpico nos Jogos de Innsbruck, em 1964. A inclusão deste novo formato de rampa levou à divisão das disputas entre as categorias de Pista Normal e Pista Longa. A prova por equipes masculina foi adicionada ao programa olímpico em 1988, nos Jogos de Calgary.
O salto de esqui feminino foi incluído nos Jogos Olímpicos de Inverno na edição de 2014, em Sochi, com a prova individual em Pista Normal. Em Pequim 2022, foi introduzida a prova por equipes mistas, reunindo atletas de ambos os gêneros.
Novas mudanças estão previstas para os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina D’Ampezzo 2026: o evento marcará a estreia das provas individual feminina em Pista Longa e masculina de super equipes – esta categoria é, essencialmente, uma espécie de continuação da disputa tradicional por equipes, formada por quatro atletas.
Antes da decolagem, o saltador percorre a pista de aproximação, conhecida como inrun, em posição agachada e aerodinâmica, reduzindo o atrito com o ar para ganhar velocidade.
Na fase seguinte, o voo, o atleta salta e se comporta como um planador sem motor, utilizando a energia acumulada na descida e o controle das forças aerodinâmicas. Três forças atuam simultaneamente: o peso, o arrasto e a sustentação, que empurram o corpo para cima ao interagir com o fluxo de ar. O saltador busca permanecer o maior tempo possível no ar e alcançar maior distância.
A aterrissagem ocorre em uma encosta com inclinação de 34 graus, onde estão demarcados pontos de referência, como o Ponto P e o Ponto K, este último utilizado como parâmetro para um salto seguro e pontuação adicional.
Ao tocar o solo, o atleta adota a posição conhecida como Telemark (com os joelhos flexionados e um pé ligeiramente à frente do outro, mantendo equilíbrio), que ajuda a absorver o impacto, e segue até a área de desaceleração, chamada de outrun, onde controla a parada.
A Noruega é a nação mais laureada no Salto de esqui, com 36 pódios – 12 de ouro, 10 de prata e 14 de bronze. A Finlândia com 22 medalhas, sendo 10 de ouro e a Áustria, 27 medalhas com sete de ouro, estão em segundo e terceiro.
A Eslovênia foi a nação mais vencedora no salto de esqui em Pequim, graças a Ursa Bogataj levou o ouro na pista normal feminina e ajudou na vitória eslovena na disputa mista. A equipe masculina do país também conquistou uma prata.
Japão, Áustria e Noruega foram outras nações que subiram no lugar mais alto do pódio em Pequim.
Serão disputadas seis categorias: Pista Normal Individual (Feminino e Masculino), Pista Longa Individual (Masculino e feminino), Equipe Mista e Super Equipe Masculina. Após os treinos livres de ambientação à pista, os atletas disputam a fase classificatória, da qual 30 de cada gênero avançam para a final individual. Em cada prova, o atleta realiza dois saltos, e a soma das pontuações determinam sua classificação.
A pontuação que determina o desempenho final do atleta na prova no salto de esqui é definida pela combinação entre distância e estilo. A avaliação é realizada por cinco juízes posicionados em uma torre ao lado da encosta de pouso.
O ponto K (do alemão Kritisch, que significa ‘crítico’) é a linha de referência da pontuação na pista. Quando o atleta atinge essa marca, recebe 60 pontos. A partir daí, são atribuídos 1,8 ponto por metro adicional, com desconto caso a distância de pouso seja inferior ao ponto K.
O estilo é avaliado separadamente e pode render até 60 pontos no total. Cada um dos juízes pode conceder até 20 pontos por salto, levando em conta o voo, a aterrissagem e a fase final após o pouso. A nota mais alta e a mais baixa são descartadas, e apenas as três intermediárias são somadas.
Desde 2009, a pontuação total também inclui ajustes relacionados ao vento e ao portão de largada. O chamado Sistema de Compensação de Vento/Portão permite ao júri alterar o comprimento da corrida de aproximação conforme as condições climáticas, garantindo maior equidade na competição. Esses fatores são incorporados ao resultado final.
Sem histórico de atletas brasileiros na modalidade.
Os maiores
Matti Nykänen é o maior medalhista da história do salto de esqui olímpico. Entre 1984 e 1988, o finlandês conquistou três ouros em disputas individuais e um por equipes, além de uma prata individual. Em Calgary 1988, tornou-se o primeiro atleta a vencer as provas de Pista Normal e Pista Longa numa mesma edição. Apenas outro atleta não só repetiu esse feito como o superou: Simon Ammann faturou ambas as provas nas edições de Salt Lake City 2002 e Vancouver 2010. Com isso, o suíço ocupa o posto de maior campeão olímpico individual da modalidade, somando quatro ouros.
O rigor do traje
Cada detalhe do traje é rigorosamente controlado, pois pequenas variações podem influenciar diretamente a distância do voo, gerando, portanto, vantagem competitiva. Sendo assim, o descumprimento das especificações resulta em desclassificação do atleta.
O rigor é tanto que a FIS (Federação Internacional de Esqui e Snowboard) em janeiro de 2026 anunciou uma medida um tanto quanto inusitada e, obviamente, polêmica: a entidade irá medir o tamanho das genitálias dos atletas da categoria masculina. Há suspeitas de aplicação de ácido hialurônico nesta região para obtenção de vantagem competitiva, uma vez que o “volume” auxilia na estabilidade no ar.
As técnicas do Salto de esqui
A técnica que dita a modalidade até os tempos atuais, conhecida como a posição de voo em “V” e também “Técnica Graf-Boklöv”, foi criada pelo polonês Miroslav Graf nos anos 1960, aprimorada pelo canadense Steve Collins na década de 1980 e enfim reconhecida pelos juízes em 1988, quando Jan Boklöv conquistou o título da Copa do Mundo na temporada 1988/89.

Esse método consiste em formar um ângulo de aproximadamente 45° entre as pontas dianteiras dos esquis, o que cria uma zona de maior pressão aerodinâmica e permite que o atleta permaneça cerca de 30% mais tempo no ar em comparação à posição paralela.
A maioria dos atletas utilizam a posição em “V”, porém alguns nomes, como o atual líder do ranking masculino Domen Prevc, estão optando pelo “estilo H”, onde os esquis são afastados de maneira paralela ou com pouca angulação.
Masculino
Ryoyu Kobayashi: Campeão olímpico na Pista Normal e medalhista de prata na Pista Longa em Pequim 2022, o japonês é bicampeão da Copa do Mundo (2018/19 e 2021/22) e tricampeão do Torneio Four Hills (2018/19, 2021/22 e 2023/24). Na temporada 2018/19, o japonês entrou para um grupo seleto ao conquistar o “Grand Slam”, feito alcançado anteriormente apenas por Sven Hannawald (2001/02) e Kamil Stoch (2017/18), ao vencer as quatro etapas do Four Hills. Além disso, é recordista mundial de distância, com um salto de 291 metros em uma rampa construída especificamente para esse fim. A façanha ocorreu em 24 de abril de 2024, em Hlíðarfjall, na Islândia.

Stefan Kraft: Stefan Kraft também apresenta uma credencial de respeito que o coloca como postulante a medalha. O austríaco é tricampeão da Copa do Mundo (2016/17, 2019/20 e 2023/24), bicampeão do Campeonato Mundial de Esqui Nórdico (2017 e 2021), uma vez campeão do Four Hills (2014/15) e medalhista de ouro olímpico por equipes em Pequim 2022.
Domen Prevc: Campeão do Campeonato Mundial de Esqui Nórdico em 2025, Domen Prevc vive o melhor momento entre os atletas da categoria masculina. Além da liderança do ranking mundial, o esloveno apresenta desempenho dominante na temporada, com dez vitórias em 18 provas disputadas até 25 de janeiro.
Daniel Tschofenig: Outro esquiador que atravessa um bom momento e chega com a confiança em alta é Daniel Tschofenig. O austríaco é o atual campeão da Copa do Mundo (2024/25), venceu duas etapas e subiu ao pódio em mais três ocasiões na atual temporada.
Havor Egner Granerud: Havor Egner Granerud pode pintar como surpresa e lutar pela medalha olímpica. O prognóstico se deve mais à experiência e às suas conquistas entre 2020 e 2023, quando se tornou bicampeão da Copa do Mundo (2020/21 e 2022/23) e campeão do Four Hills (2022/23), do que o atual momento, no qual ocupa a 21ª posição no ranking.
Super Equipe Masculina: Atual campeã olímpica e vice do Campeonato Mundial de Esqui Nórdico em 2025, a Áustria novamente desponta como grande candidata ao ouro. O país possui quatro atletas no top-10 do ranking mundial, com destaques para Daniel Tschofernig e Jan Hoerl, presentes na conquista do ouro por equipes em Pequim 2022.
A Eslovênia, prata na edição olímpica anterior e atual detentora da medalha dourada no Campeonato Mundial de Esqui Nórdico de 2025,Alemanha, bronze em Pequim 2022, e Noruega, terceira colocada no Campeonato Mundial de Esqui Nórdico em 2025, completam a lista de favoritas à medalha olímpica.
Feminino

Nika Prevc : Irmã mais nova de Domen Prevc, Nika é atual bicampeã da Copa do Mundo (2023/24 e 2024/25), campeã do Campeonato Mundial de Esqui Nórdico (2025) e líder do ranking mundial, a eslovena é o principal nome do salto de esqui feminino na atualidade e, consequentemente, a maior candidata ao ouro olímpico.
Selina Freitag: Vice-campeã da Copa do Mundo e do Campeonato Mundial de Esqui Nórdico (2024/25), a alemã Selina Freitag se destaca pela consistência, fator que pode ser decisivo na disputa por uma vaga no pódio.
Nozomi Maruyama: Nozomi Maruyama aparece na atual temporada como a principal concorrente de Nika Prevc. A japonesa venceu cinco etapas da Copa do Mundo e subiu ao pódio em outras quatro oportunidades.
Abigail Strate: Abigail Strate também vem ganhando destaque no circuito e surge como potencial candidata a medalha. A canadense venceu uma etapa da Copa do Mundo e obteve o segundo lugar em outras três ocasiões.
Anna Odine Strom: Assim como Abigail Strate, a norueguesa Anna Odine Strom conquistou uma etapa da Copa do Mundo e impediu o duopólio entre Nika Prevc e Nozomi Maruyama. Strom ainda levou uma prata e dois bronzes na atual temporada.
Equipe feminina: Noruega, Eslovênia, Alemanha e Áustria dominam o topo do ranking feminino com nove entre as dez principais atletas do mundo. O conjunto norueguês é o atual campeão do Campeonato Mundial de Esqui Nórdico em 2025 e conta com Eirin Maria Kvandal e Anna Odine Strom entre as dez melhores ranqueadas. As austríacas levaram a prata no Mundial e terão um grupo coeso para a disputa de medalhas, formado por Jacqueline Seifriedsberger, Lisa Eder e Eva Pinkelnig, todas integrantes do top-10 do ranking.
Já a Eslovênia deposita esperança na atual bicampeã da Copa do Mundo Nika Prevc. Elma Klinec também pode entregar um bom desempenho para a equipe. Com destaque para Selina Freitag e Katharina Schmid, a Alemanha busca melhorar a 4ª colocação no Mundial e reúne condições de subir ao pódio.
Equipes Mistas: Na categoria de equipes mistas, o cenário repete o equilíbrio das disputas masculina e feminina, com Eslovênia, Noruega, Áustria e Alemanha figurando como principais candidatas. O Japão surge como possível surpresa, impulsionado por nomes como Ryoyu Kobayashi e Nozomi Maruyama.
07/02
18h45 – Pista Normal Individual feminino – 1ª Rodada
19h57 – Pista Normal Individual Feminino – Rodada Final (Disputa por medalhas) 🥇
09/02
19h – Pista Normal Individual Masculino – 1ª Rodada
20h12 – Pista Normal Individual Masculino – Rodada Final (Disputa por medalhas) 🥇
10/02
18h45 – Equipe Mista – 1ª Rodada
20h – Equipe Mista – Rodada Final (Disputa por medalhas) 🥇
14/02
18h45 – Pista Longa Individual Masculino – 1ª Rodada
19h57 – Pista Longa Individual Masculino – Rodada Final (Disputa por medalhas) 🥇
15/02
18h45 – Pista Longa Feminino – 1ª Rodada
19h57 – Pista Longa Feminino – Rodada Final (Disputa por medalhas) 🥇
16/02
19h – Super Equipe Masculino – 1ª Rodada
19h43 – Super Equipe Masculino – 2ª Rodada
20h20 – Super Equipe Masculino – Rodada Final (Disputa por medalhas) 🥇
*Todas as competições estão no horário de Brasília
