Estreante em Los Angeles 2028, flag football impulsiona sonhos e proporciona novas oportunidades para crianças e jovens da zona sul de São Paulo
Estreante em Los Angeles 2028, flag football impulsiona sonhos e proporciona novas oportunidades para crianças e jovens da zona sul de São Paulo

Sonhar em vestir a camisa da Seleção Brasileira ou integrar uma equipe técnica esportiva pode parecer distante para muitos jovens. No entanto, no CEU Paraisópolis, zona sul de São Paulo, esse sonho começa a ganhar forma por meio de um projeto que vai além das linhas do campo. Entre passes, corridas e jogadas estrategicamente construídas, o First Down promove a prática do flag football, modalidade sem contato físico derivada do futebol americano, e o consolida como uma ferramenta de acolhimento, aprendizado e desenvolvimento de crianças, jovens e adultos.
Idealizado por Fernando Ferreira, professor de Educação Física e treinador principal (head coach), o projeto surgiu em 2023, de forma voluntária, a partir de conversas com a gestão da unidade onde seu filho praticava judô. A proposta apresentou o flag football como uma nova possibilidade esportiva para o território. Atualmente, o projeto atende 52 praticantes.
O First Down é aberto a participantes a partir dos 7 anos de idade, com treinos organizados por faixa etária e nível de desenvolvimento. As atividades gratuitas acontecem às terças e quintas-feiras, das 14h às 17h, e aos sábados, das 8h30 às 11h30, com turmas de formação, níveis intermediários e grupos competitivos. Para participar, basta comparecer nos horários e realizar uma aula experimental.
O objetivo é o mesmo do futebol americano tradicional: avançar com a bola até a zona final do campo adversário para marcar pontos, chamados de touchdowns. Em vez de derrubar o adversário com um tackle (empurrão ou agarrão), cada jogador utiliza fitas (flags) presas à cintura. A jogada é encerrada quando o defensor retira uma dessas fitas do portador da bola. É inclusivo, dinâmico e estimula trabalho em equipe, estratégia, agilidade e coordenação.
Ampliação do projeto
No início, o principal desafio foi atrair participantes, já que o flag football ainda era pouco conhecido. Com ações de divulgação e o crescimento da modalidade no país, o cenário mudou, e o esporte passou a ganhar espaço. “A iniciativa vai além da prática esportiva: promove respeito, consciência cidadã e novos propósitos de vida, oferecendo um ambiente seguro e transformador”, destaca Fernando. Sua trajetória na modalidade começou aos 21 anos, após passagem pelas artes marciais. Foram 16 anos como atleta, experiência que se transformou em profissão.
Com a ampliação do projeto, os treinos deixaram a quadra externa e passaram a acontecer também em um espaço gramado cedido pelo CEU Paraisópolis, ampliando as possibilidades técnicas e de jogo. Atualmente, o projeto conta com o apoio da coach Renata Fernandes Denser Ferreira, esposa de Fernando, e expandiu as atividades para o CEU Butantã, com aulas às quartas-feiras, das 14h às 16h.
Impactos e conquistas
Os resultados do First Down têm se mostrado promissores. Em 2025, o projeto participou de 11 eventos, incluindo seis campeonatos e clínicas, e levou seis atletas ao Training Camp de Flag Football da Seleção Brasileira de base, nas categorias masculina e feminina. A iniciativa também marcou presença no Brasileirão de Base, com atletas emprestados que conquistaram vice-campeonatos em diferentes categorias.
O aluno Paulo César Silva Pedreira, de 17 anos, por exemplo, atuou como auxiliar de coach nos trainings camps do Miami Dolphins e New England Patriots. Além disso, o jovem foi homenageado pelo grafiteiro e muralista Eduardo Kobra em um mural localizado na Rua Pedroso Alvarenga, na capital paulista, como parte das ações da NFL Brasil.
No próximo dia 31 de janeiro, os atletas Agatha Lorrany, Sabrina Medeiros e Willians Nascimento participarão de um Training Camp, organizado pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), que definirá a equipe brasileira para os Jogos Sul-Americanos da Juventude – Panamá 2026. Paulo e Agatha também realizam cursos de arbitragem e já atuam como auxiliares de coach no projeto.
Mais do que jogadas e resultados esportivos, o First Down demonstra que cada avanço em campo representa, sobretudo, um passo firme na construção de futuros possíveis. “Queremos ver os nossos atletas crescendo e se tornando professores do próprio projeto, árbitros e grandes profissionais”, conclui o treinador.
