O evento masculino sofre com a indecisão politica da sede das partidas
O presidente da IIHF. Luc Tardif, lamentou indecisão na escolha da sede das disputas do Hóquei sobre o gelo masculino nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2030, nos Alpes Franceses.
A organização dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2030, nos Alpes franceses, atravessa um período de grande incerteza, mesmo nos mais altos escalões do esporte, com o presidente da IIHF explorando alternativas inusitadas para os Jogos.
Tardif, ex-jogador franco-canadense, soou o alarme sobre o torneio masculino de hóquei sobre o gelo: ele ainda não tem sede confirmada. Em uma entrevista publicada recentemente pelo L’Équipe, o dirigente europeu usou uma imagem impactante, afirmando que, no momento, o hóquei masculino está efetivamente “sem casa”.
A competição, originalmente planejada para Nice, agora está oficialmente sem local definido, após a cidade desistir do projeto. A desistência reacendeu um antigo problema no planejamento olímpico: o hóquei no gelo é logisticamente complexo, politicamente delicado e, crucialmente, financeiramente fundamental. Os recentes Jogos de Milão-Cortina serviram de alerta, com cronogramas apertados e problemas operacionais transformando o esporte em um teste de estresse recorrente para os organizadores, uma experiência que os planejadores franceses querem evitar a todo custo.
Aos 73 anos, Tardif não é um homem dado a indignações superficiais, mas sua mensagem tem sido consistente há meses: a França não pode se dar ao luxo de negligenciar este assunto. Ele insiste que o esporte não é um mero enfeite, mas sim um dos pilares econômicos dos Jogos de Inverno. “O torneio masculino de hóquei no gelo é extremamente importante nas Olimpíadas”, afirmou, antes de reforçar o argumento com um dado impactante: o hóquei, enfatizou, representa cerca de 60% da receita de bilheteria olímpica.
Em outras palavras, é o motor das bilheterias. E com isso, acrescentou Tardif, vem um apelo tão político quanto prático: às vezes, o hóquei gostaria de ser tratado de acordo com seu verdadeiro valor.
Ele também lembrou, quase como um diretor de palco exausto listando as entradas, que o calendário do hóquei o torna excepcionalmente visível: começa dois dias antes da abertura, termina no último dia e atrai emissoras do mundo todo durante todo o torneio. Quando essa constante atenção da mídia se une à incerteza sobre o local, o risco não é apenas de constrangimento; é uma oscilação na reputação que pode afetar até mesmo a participação.
A crise atual remonta a um bloqueio político em Nice, a cidade inicialmente escolhida para sediar o torneio. O conceito original era ambicioso: converter a Allianz Riviera, casa do OGC Nice, em uma pista de gelo temporária para as Olimpíadas. Esse plano esbarrou na oposição local, cristalizada pela postura do novo prefeito da cidade, Éric Ciotti, que resistiu a qualquer proposta que privasse o clube de futebol de seu estádio durante os meses necessários para adaptá-lo para uso olímpico.
Em 28 de abril, os organizadores indicaram que estavam avaliando a possibilidade de transferir pelo menos parte do programa de hóquei para Lyon ou Paris, argumentando que as infraestruturas existentes nas principais áreas metropolitanas poderiam oferecer uma solução mais confiável do que uma construção improvisada na Côte d’Azur. Outras localidades mais próximas de Nice também foram avaliadas, particularmente na planície do Var, a oeste, onde os planejadores exploraram a possibilidade de instalar uma pista de gelo temporária em locais como o estádio Charles-Ehrmann ou o campo de rúgbi de Arboras, segundo a imprensa local.
Os organizadores descreveram a busca mais ampla com a linguagem que normalmente precede uma mudança radical: “em um espírito de moderação e otimização orçamentária”, afirmaram, o comitê estava ampliando suas investigações, considerando a mobilização de instalações já existentes em grandes centros urbanos como Lyon ou Paris.
A Paris Entertainment Company, que administra a Accor Arena e a Adidas Arena, apresentou uma proposta para sediar o torneio olímpico na capital, uma proposta ambiciosa no papel. No entanto, Paris não é a única cidade a se candidatar. Semanas antes, o prefeito de Lyon, Grégory Doucet, ofereceu-se publicamente para sediar as competições caso Nice fosse retirada da lista oficial de sedes, apresentando a cidade como a opção metropolitana mais próxima do complexo olímpico alpino.









