Secretário afirmou em audiência pública que a inclusão de pessoas autistas e com deficiência no esporte era um ‘problema’
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) emitiu uma nota de repúdio contra as falas capacitistas do Secretário dos Esportes de São Caetano (SP) Mauro Chekin, feitas durante audiência pública de prestação de contas da Pasta na última semana. As falas sobre a inclusão de crianças com deficiência ao esporte ser um ‘problema’, repercutiram nas redes sociais e motivaram uma resposta da CPB:
“A fala é discriminatória e inadmissível, revela desconhecimento sobre o papel transformador do esporte na promoção da cidadania, da dignidade e da igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência. A inclusão é um direito e um compromisso constitucional e civilizatório que deve ser defendido e promovido por todos os agentes públicos.” disse o Comitê em nota.
Durante a audiência de prestação de contas, Chekin disse que existe um ‘grande problema com qualquer autista ou deficiente’ no esporte: “Hoje, com o problema da inclusão social, que eu acho importante e tem que ser feita, mas nós temos que tomar muito cuidado com os esportes principalmente. Não são todos os profissionais que são capacitados a fazer isso. (…) Nós temos que ver o profissional que quer trabalhar com isso. Não posso obrigar.”
A CPB afirmou em Nota Que a cidade de São Caetano tem uma tradição com esporte paralímpico, sendo polo de atletismo e de natação da entidade antes da criação do CT paralímpico e que firmou recentemente uma parceira com o próprio Comitê Paralímpico Brasileiro, por meio da sua área de Educação Paralímpica, para capacitação de professores de Educação Física da rede escolar municipal.
O Ministério do Esporte também repudiou a declaração de Chekin e ressaltou que é dever do poder público garantir acesso e participação plena de pessoas com deficiência em todas as dimensões da vida social, incluindo o esporte, e destacou que o Brasil possui legislação ampla sobre o tema, como a Constituição Federal, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão.
A pasta afirmou que por meio da Secretaria nacional do Desporto, vai entrar em contato com a secretaria de esportes de São Caetano para oferecer orientações técnicas e acesso a programas federais voltados à inclusão.
Confira abaixo a declaração completa do Comitê Paralímpico Brasileiro:
“O Comitê Paralímpico Brasileiro manifesta seu mais veemente repúdio às declarações proferidas pelo secretário municipal de Esporte, Lazer e Juventude de São Caetano do Sul, senhor Mauro Checkin, durante audiência pública realizada em 29 de abril de 2026, na Câmara dos Vereadores de São Caetano do Sul, nas quais se referiu à inclusão pelo esporte como um “problema”.
A fala é discriminatória e inadmissível, revela desconhecimento sobre o papel transformador do esporte na promoção da cidadania, da dignidade e da igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência. A inclusão é um direito e um compromisso constitucional e civilizatório que deve ser defendido e promovido por todos os agentes públicos.
Destaca-se ainda que a cidade de São Caetano do Sul tem a sua história vinculada ao Movimento Paralímpico nacional. O munícipio já foi um dos polos de treinamentos das Seleções Brasileiras de atletismo e natação paralímpicos antes da construção do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, na capital paulista, além de se manter como moradia de diversos atletas paralímpicos da atualidade. Firmou ainda recentemente uma parceira com o próprio Comitê Paralímpico Brasileiro, por meio da sua área de Educação Paralímpica, para capacitação de professores de Educação Física da rede escolar municipal.
O esporte paralímpico brasileiro é hoje referência mundial pelos resultados esportivos bem como pelo impacto social que gera diariamente em milhares de vidas em todo o país. Tratar a inclusão como obstáculo desconsidera avanços históricos construídos com esforço coletivo e desrespeita atletas, profissionais e toda a comunidade de pessoas com deficiência.
Espera-se de gestores públicos responsabilidade, preparo e compromisso com políticas que ampliem o acesso e não que reforcem preconceitos ou retrocessos. Declarações dessa natureza não contribuem para o debate público e tampouco refletem os valores que devem nortear a gestão do esporte no Brasil.
O Comitê Paralímpico Brasileiro reafirma seu compromisso inegociável com a inclusão, com o desenvolvimento humano por meio do esporte e com a construção de uma sociedade mais justa, acessível e igualitária.”
Comitê Paralímpico Brasileiro









