Munique foi sede dos Jogos Olímpicos em 1972
A cidade alemã de Munique aprovou o conceito final da sua candidatura para receber novamente os Jogos Olímpicos.
O conselho municipal da capital bávara apoiou de forma esmagadora, na sessão plenária desta semana, a proposta pela qual busca ser selecionada pela Confederação Alemã de Esportes Olímpicos (DOSB) como candidata nacional para os Jogos Olímpicos de Verão de 2036, 2040 ou 2044.
O dossiê foi preparado nos últimos meses pelo departamento municipal de educação e esportes, em conjunto com outros departamentos, o Estado Livre da Baviera e representantes da ciência, do setor empresarial e do esporte organizado. A cidade deve submetê-lo à DOSB até 4 de junho, acompanhado de suas respostas a um questionário de 25 itens sobre sustentabilidade esportiva, social e ecológica, o espírito dos Jogos e a perspectiva dos jovens.
A candidatura busca se diferenciar por meio de um modelo de instalações altamente compacto, indo além da definição de “Uma Vila” da DOSB, que estabelece um tempo máximo de deslocamento de uma hora entre a Vila e os locais de competição. No caso de Munique, 90% das instalações estariam a menos de 30 minutos de distância, quase metade das modalidades esportivas seriam disputadas dentro do Parque Olímpico e mais de 90% dos atletas ficariam hospedados na Vila Olímpica. Trata-se de uma concentração planejada para reduzir deslocamentos, aprimorar a experiência dos participantes e aproveitar espaços já integrados à vida esportiva da cidade.
O novo mapa também incorpora modalidades adicionais que não constavam no projeto anterior. Beisebol masculino, softbol feminino, críquete, futebol americano sem contato, lacrosse e squash passam a fazer parte do programa planejado, com o squash localizado no futuro distrito PaketPost-Areal. A revisão também possibilita a remoção de dois pavilhões temporários planejados para a Messe München, o centro de exposições da cidade, enquanto o futebol reduz seu raio de atuação com uma distribuição que adiciona o estádio na rua Grünwalder, o Estádio Olímpico para jogos selecionados da fase de grupos e Ingolstadt às sedes já planejadas: Allianz Arena, Nuremberg, Augsburg e Stuttgart. Abrir mão de estádios mais distantes permitiria, pela primeira vez, acomodar todas as equipes de futebol na Vila Olímpica e integrá-las completamente à atmosfera olímpica.
O Theresienwiese, o grande parque de diversões associado à Oktoberfest, surge como um elemento distintivo do plano. A cidade propõe a criação de uma “Wiesn Olímpica” no local, uma celebração inspirada na atmosfera da Oktoberfest durante os Jogos, complementada por um centro de voluntariado que aumentaria a atividade no local. O mesmo espaço também seria utilizado como instalação esportiva, com o vôlei de praia atualmente identificado como a modalidade planejada.
Além do programa esportivo, o documento organiza projetos de desenvolvimento urbano em mobilidade, espaços verdes e habitação por meio de perfis elaborados com a MCube Consulting e especialistas da Universidade Técnica de Munique. Os perfis avaliam custos e financiamento, valor agregado quantitativo e qualitativo, viabilidade, cronograma e possíveis impactos negativos, com medidas para mitigá-los. A essa base se somam dois projetos estratégicos com os quais a cidade pretende apresentar sua candidatura como um laboratório de sustentabilidade e inovação aplicável a outras regiões da Alemanha.
A primeira proposta, “Munique Verde + Jogos Circulares”, define a visão dos primeiros Jogos Olímpicos e Paralímpicos verdadeiramente circulares do mundo, com materiais, infraestrutura e processos sujeitos ao princípio da circularidade, efeitos mensuráveis, construção circular, adaptação climática do espaço público, mineração urbana e ciclos de materiais. A segunda, “Condução Autônoma”, busca utilizar o evento como um acelerador para a condução autônoma no transporte público, com veículos autônomos no estilo riquixá, gestão de tráfego baseada em dados e projetos de demonstração escaláveis com impactos que vão além do evento.
O plano prioriza a modernização das instalações existentes em vez da construção de novos estádios, embora preveja a conversão da Vila Olímpica e Paralímpica e de um centro de mídia em moradias posteriormente. No setor de transportes, a candidatura se baseia em medidas que também beneficiariam a cidade após os Jogos, como um novo anel viário norte para a rede ferroviária suburbana e a extensão da linha U4 do metrô até o centro de exposições.
O processo nacional continuará durante o verão. O Departamento de Estado para os Jogos Olímpicos (DOSB) avaliará os projetos das quatro regiões candidatas — Munique, Hamburgo, Berlim e Reno-Ruhr — com a participação das federações olímpicas nacionais e do governo federal, antes de decidir, em 26 de setembro de 2026, em Baden-Baden, qual candidatura representará a Alemanha na disputa internacional.
O prefeito Dominik Krause defendeu o potencial simbólico e prático da cidade, afirmando que “Munique é uma cidade apaixonada por esportes e preservou e desenvolveu ainda mais seu legado olímpico”, e vinculou o projeto à aceleração das medidas urbanas e de infraestrutura. “Munique está pronta para as Olimpíadas!”, disse ele. O chefe do departamento de esportes, Florian Kraus, insistiu na dimensão social do plano, observando que “nosso objetivo comum permanece o mesmo: queremos sediar Jogos Olímpicos e Paralímpicos sustentáveis” em Munique, que representam um ganho para toda a comunidade urbana.”
A aprovação, no entanto, não encerrou o debate político. Segundo a Deutsche Presse-Agentur, a porta-voz de esportes do Partido Social-Democrata da Alemanha, Kathrin Abele, argumentou que “com a premiação, teríamos um conto de fadas de verão que faria os corações dos esportistas baterem mais forte” e acrescentou que a cidade teria “a oportunidade de dar um grande impulso à construção de moradias e infraestrutura”.
Da oposição, Tobias Ruff, presidente do grupo municipal ÖDP/Bündnis Kultur/München-Liste, questionou a falta de detalhes sobre mobilidade e financiamento, afirmando que “dez medidas de mobilidade não são suficientes para uma cidade de milhões de habitantes. Os planos permanecem vagos, não vinculativos e não totalmente financiados”. A associação de passageiros Pro Bahn também lamentou que medidas propostas, como um “bonde olímpico” para conectar o Parque Olímpico à Vila Olímpica, não constem no desenvolvimento ampliado do conceito.









