Simone Biles diz que tem 50% de possibilidades de participar de Los Angeles 2028

Biles é detentora de 11 medalhas olímpicas

Foto: AP/Morry Gash
Foto: AP/Morry Gash

Em entrevista, a ginasta estadunidense Simone Biles diz que tem 50% de possibilidades de participar de Los Angeles 2028.

Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, na Prefeitura de Madri, por ocasião do evento Future Health organizado pela Sanitas, a icônica ginasta continuou deixando seus fãs no escuro, sem confirmar sua participação nos Jogos Olímpicos.

Poucas ginastas na história do esporte são tão reverenciadas quanto a estrela americana Simone Biles: 11 medalhas olímpicas e 30 medalhas em campeonatos mundiais, 23 delas de ouro, um recorde absoluto tanto para homens quanto para mulheres. No auge de sua carreira, ela escolheu algo mais raro do que qualquer pódio: priorizar sua saúde mental. Isso aconteceu nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, quando ela desistiu de várias finais devido ao estresse. Ela se afastou justamente quando tudo parecia estar ao seu alcance.

“Levar a saúde mental a sério não é mais sinal de fraqueza, é sinal de força. É hora de falarmos sobre isso”, explicou ela a Daniel Arribas, do jornal El País, no último fim de semana.

Arribas começou com a pergunta que todos estavam se fazendo. Mais de 660 dias se passaram desde sua última apresentação na final de Paris, e será que Simone Biles estará presente nas próximas Olimpíadas? “Não é estranho sentir falta de algo que você faz há tantos anos, então sim, pode-se dizer que sinto falta”, começou a ginasta natural de Ohio.

“No entanto, ao mesmo tempo, é muito bom ter essa liberdade. É uma pausa mental e física”, acrescentou a atleta de 29 anos, que agora se dedica ao yoga e ao pilates, atividades que ela insiste praticar por prazer, porque, como ela mesma disse, “na verdade, odeio exercícios”. Aliás, o pilates nem sequer a diverte; é, admitiu, mais uma demonstração de amor pelo marido, Jonathan Owens, jogador do Chicago Bears, da NFL.

Conforme a conversa se desenrolava, a expectativa aumentava silenciosamente. Em suas mãos, Biles tinha o poder de oferecer uma pista significativa sobre Los Angeles. Um lampejo de crença surgiu quando lhe perguntaram sobre seu status atual, se ela poderia ser chamada de ex-ginasta ou se rejeitava completamente esse termo doloroso. Ela foi inequívoca: ainda está ativa e em excelente forma.

“É verdade que para competir é preciso treinar, mas ainda tenho condições físicas para fazer o que eu quiser”, explicou a atleta, que também possui nacionalidade belizenha.

Então chegou o momento que todos aguardavam, uma espécie de bomba, embora sem uma atualização definitiva. Assim como disse à CNN um mês atrás, quando questionada sobre Los Angeles, as chances continuam de cinquenta por cento. Ela até começou em um tom que soava levemente como uma despedida: “Aproveito esta oportunidade para dizer algo: acho que devemos saber admirar os atletas enquanto eles ainda estão ativos e competindo. Participei de três Jogos Olímpicos e me sinto realizada”.

Ainda assim, ela suavizou a declaração, enfatizando que, no fim das contas, “a decisão será sempre minha”, embora reconhecendo como é difícil ignorar o apelo de uma Olimpíada em casa. Não há nenhuma confirmação, e tudo indica que sua presença ou aposentadoria definitiva será confirmada nos próximos meses.

A saúde mental, inevitavelmente, tornou-se o outro pilar da discussão. Biles tem sido uma das figuras mais proeminentes no desmantelamento do antigo estigma no esporte de elite. “Não tenho vergonha de fazer terapia; tudo isso me ajuda muito, e cada vez que compito, me impulsiona a dar o meu melhor”, confessou Biles, que precisou se afastar das competições no auge de sua carreira antes de voltar a brilhar em Paris, dois verões atrás.

Questionada se sente o peso de ter sido o rosto da saúde mental no esporte nos últimos anos, a americana foi enfática: “Não me importo, porque não vejo isso como um fardo.”

“É algo natural para mim. Sempre fui assim. E se, com isso, eu puder ajudar pelo menos uma pessoa, ficarei mais do que feliz”, acrescentou a embaixadora do Prêmio Laureus. A 27ª edição da cerimônia aconteceu em Madri há poucas semanas.

Antes de encerrar com perguntas mais pessoais, a superestrela falou sobre o que sente ter perdido por ser, simplesmente, Simone Biles: privacidade. Pode ser “muito difícil”, refletiu, “principalmente quando você quer voltar a ser uma pessoa normal”. É um futuro que ela espera alcançar um dia, quando se afastar do mundo da fama e puder formar uma família. Ter filhos, admitiu, continua sendo seu maior sonho.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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