O combinado estava no programa olímpico desde a primeira edição
Entre a tristeza e o orgulho, a Federação Nacional de Esqui divulgou um comunicado contundente em resposta à decisão do COI de excluir o combinado nórdico do programa dos próximos Jogos de Inverno, a serem realizados daqui a quatro anos.
Embora a medida já fosse amplamente esperada há muito tempo, ela ainda representa um duro golpe para os atletas e para toda a comunidade envolvida na modalidade. O Comitê Olímpico Internacional confirmou, no entanto, que os próximos Jogos nos Alpes Franceses serão os primeiros a alcançar a igualdade total de gênero, fator que afetou diretamente o futuro do combinado nórdico. “Este é um golpe enorme para o esporte, para a Federação, mas acima de tudo para cada atleta, seja da equipe francesa, dos comitês regionais de esqui ou dos clubes”, explicou a FFS, acrescentando com pesar que “todos treinam diariamente com paixão, disciplina e determinação”.
O esporte, com mais de cem anos de existência, está profundamente ligado à história dos Jogos de Inverno do Comitê Olímpico Internacional, tendo acompanhado o Movimento Olímpico desde a edição inaugural em Chamonix, em 1924. Ele também proporcionou alguns dos momentos mais gloriosos do esqui francês: a histórica dobradinha de Fabrice Guy e Sylvain Guillaume em casa, em Albertville, em 1992; o título olímpico de Jason Lamy-Chappuis em Vancouver, em 2010; e suas cinco medalhas em Campeonatos Mundiais, incluindo títulos mundiais em 2011 e 2013.
“Esses desempenhos deixaram uma marca indelével na história do combinado nórdico francês e inspiraram várias gerações de atletas”, acrescentou a entidade dirigente, devastada após a decisão do Conselho Executivo liderado pela presidente Kirsty Coventry.
A verdade, porém, é que questões sobre a diversidade competitiva na modalidade representavam, há muito tempo, mais uma barreira que a entidade sediada em Lausanne estava determinada a superar; a paridade de gênero era a principal preocupação de um COI que já prevê que a participação feminina ultrapassará os 47% registrados em Milão-Cortina 2026. Por enquanto, a edição no norte da Itália será lembrada como a última a incluir o combinado nórdico no programa.
Historicamente, apenas um pequeno número de nações dominou a competição, o que contraria diretamente a ambição do COI de ampliar a distribuição de medalhas e o equilíbrio competitivo. A Noruega — de forma bastante apropriada, dada a natureza da modalidade e a evidente supremacia do país — conquistou 38 medalhas em sua história, incluindo 18 de ouro, enquanto a Alemanha alcançou o pódio 28 vezes. Finlândia e Áustria também figuram entre as principais nações; a Áustria ocupa a quarta posição no ranking histórico, apesar de ter conquistado três medalhas de ouro olímpicas.
Além desses países, houve pouca diversidade significativa — outro fator que preocupava os dirigentes do COI antes de decidirem excluir o esporte, ignorando apelos como o do senador de Nova York, Chuck Schumer, que no mês passado chegou a enviar uma carta formal a Coventry defendendo a inclusão das mulheres.
“A todos os atletas que praticam o combinado nórdico: saibam que a Federação está ao lado de vocês”, declarou a FFS, consternada com os rumos que a modalidade está tomando agora que ficou fora do programa olímpico. “O comprometimento, os sacrifícios e o desempenho de vocês merecem reconhecimento e valorização. Nada pode apagar o que vocês representam para a FFS”, acrescentou a instituição com orgulho.
A federação também afirmou que permanecerá “comprometida” em defender essa modalidade emblemática e em apoiar todos os seus atletas diante dos desafios que virão.
“Mais do que nunca, vamos nos manter unidos em apoio aos nossos atletas do combinado nórdico”, concluiu a FFS.
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