A lenda do basquete brasileiro não pôde comparecer ao evento e foi representado por seu filho, Felipe Schmidt.
“Infelizmente meu pai não pôde estar aqui conosco, mas ele está muito feliz e honrado em receber essa homenagem. Todos aqui viram a dedicação que ele teve dentro do esporte, do basquete, principalmente na seleção brasileira. Ele ter falado ‘não’ para a NBA, para defender a seleção brasileira, foi uma das suas maiores felicidades, principalmente no Pan-americano de 87 e nos Jogos Olímpicos. Obrigado, COB e todos!”, disse Felipe.
Esta edição trouxe uma novidade ao Hall da Fama do COB, com a inauguração oficial das categorias de Duplas e Equipes, reconhecendo que muitos dos maiores feitos olímpicos são construídos por trabalho conjunto. Assim, a estreia da primeira dupla na categoria não poderia ser diferente: Alex Welter e Lars Björkström, que transformaram o Brasil em potência das águas.
Campeões na classe Tornado nos Jogos de Moscou 1980, eles não apenas conquistaram a medalha de ouro, como encerraram um jejum de 24 anos sem títulos olímpicos do país desde o bicampeonato de Adhemar Ferreira da Silva, em 1956. A conquista marcou um ponto de virada para o esporte nacional, ao provar que o Brasil poderia vencer também além das pistas e dos ginásios, inaugurando uma era de protagonismo para a vela, que se tornaria uma das modalidades mais vitoriosas do país em Jogos Olímpicos.
Ao som de “Canção da América”, de Milton Nascimento, e aplaudida de pé, a dupla foi conduzida ao palco do Hall da Fama pelo bicampeão olímpico e integrante do próprio Hall, Marcelo Ferreira. Os dois deixaram as marcas de suas mãos direitas em um mesmo molde, simbolizando a união da dupla homenageada.
“Ser convidado para integrar o Hall da Fama do COB foi uma honra enorme. Um reconhecimento que veio no tempo certo e que representa não apenas uma conquista individual, mas a história e o crescimento da vela e do esporte olímpico brasileiro”, disse Alex Welter após receber a homenagem do medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima e da vice‑presidente do COB e medalhista olímpica, Yane Marques.
“Nossa parceria se construiu naturalmente, com muito entrosamento dentro e fora do barco. Quando cheguei ao Brasil, comecei a frequentar clubes náuticos e foi nesse ambiente que conheci o Alex. Eu havia conseguido trazer um barco da classe Tornado da Europa, algo bastante complexo na época, devido às restrições de importação. Esse encontro foi decisivo para a formação da nossa dupla”, relembrou Lars, que nasceu na Suécia e se naturalizou brasileiro.
Encerrando as homenagens da noite, Ricardo Santos e Emanuel Rego tiveram sua trajetória celebrada como uma das parcerias mais marcantes da história do vôlei de praia. Campeões mundiais em Copacabana, em 2003, medalhistas de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e de bronze em Pequim 2008, a dupla construiu uma carreira vitoriosa também no Circuito Mundial e no Circuito Brasileiro, consolidando‑se como uma das mais vencedoras da modalidade.
A condução ao palco foi feita pelo campeão olímpico Alison “Mamute” Cerutti, que ressaltou o legado da trajetória da dupla e discursou em homenagem aos ídolos do esporte. Muito emocionados, eles subiram de mãos dadas deixarem suas marcas na placa que simboliza o ingresso dos ídolos do vôlei de praia no Hall da Fama.
“Obrigado, Radamés Lattari, presidente da CBV, agradeço à toda a comissão técnica que fez parte disso, o Dentinho, que foi meu grande apoiador. À toda minha família, minha esposa, meu filho, que está aqui presente, meus outros dois filhos que não puderam vir. Mas eu queria deixar uma mensagem especial à uma pessoa que infelizmente não está mais aqui, o Paulo, que foi o responsável por minha vida esportiva, por me ingressar no vôlei. Infelizmente, o perdemos no ano passado. Certamente, sem ele eu não estaria podendo viver esse momento tão especial. Obrigado pela presença de todos!”, disse Ricardo.
“Agradeço ao Comitê Olímpico do Brasil, não pela homenagem, mas sim por trazer esse espírito de ter mais atletas querendo estar em lugares especiais e dar oportunidade para eles. Deixo aqui meu agradecimento e reconhecimento para nossa equipe técnica, o Cajá e o Rossini, dois gigantes que nos levaram até longe”, disse Emanuel. Em um segundo momento, o medalhista olímpico se emocionou ao falar com carinho da família. “Meu pai está com 87 anos, ele gravou todos os meus jogos, tenho na minha casa 200 DVDs. Meu pai não pôde vir hoje, mas foi ele que me mostrou o que é hombridade, o que é ser homem de verdade. E minha mãe, uma pessoa de 80 anos que me ensinou a cuidar do casaquinho para não ter frio, me alimentar bem, e me tornou uma pessoa melhor. Então, meus pais, onde vocês estiverem, agradeço a vocês”, concluiu.
A dupla recebeu as homenagens das mãos das primeiras campeãs olímpicas da modalidade e integrantes do Hall da Fama, Jackie Silva e Sandra Pires, além do presidente da Confederação Brasileira de Voleibol, Radamés Lattari.
Na sequência do evento, arte e paladar transportaram os convidados diretamente para a Casa Brasil em Milão. Quem esteve no Copacabana Palace, pôde conferir de perto a obra “Pulso Forte”, criada pelo mestre Eduardo Kobra. Pintada em tempo real, a tela simboliza a resiliência e a identidade dos nossos atletas de inverno e ficará eternizada no Hall da Fama. A experiência sensorial foi completa com o menu exclusivo do coquetel, assinado a quatro mãos. O Chef Raphael Rego, que brilhou na gastronomia da Casa Brasil, uniu seu talento ao Chef Nello Cassese, do Copacabana Palace.
Vida e carreira dos homenageados estão disponíveis na página digital do Hall da Fama, no site do COB, com biografias, vídeos, fotos, registros históricos e um espaço interativo para mensagens dos fãs.