A delegação brasileira começou o Campeonato das Américas de Paraesgrima com duas medalhas nas disputas por equipes mistas, nesta terça-feira (27), no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. O Brasil conquistou o ouro no florete, com Jovane Guissone, Mônica Santos, Kevin Damasceno e Fabiana Soares, após vencer a Colômbia por 20 a 14 na final. Mais cedo, a equipe formada por Jovane, Mônica, Rayssa Veras e Lenilson Oliveira garantiu a prata na espada, depois de perder a decisão para a Argentina por 20 a 18.
Ouro no florete após viradas e campanha de três vitórias
O Brasil conquistou o primeiro título da história do Campeonato das Américas no florete por equipes mistas. A competição adotou o formato de confrontos até 20 pontos, que também será utilizado na estreia da prova nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles-2028.
A campanha brasileira começou com uma vitória por 20 a 3 sobre a Argentina. A equipe dominou o confronto desde o primeiro jogo, quando Mônica Santos abriu 5 a 0. Fabiana Soares ampliou para 10 a 0, Jovane Guissone levou o placar a 15 a 1 e Kevin Damasceno confirmou a classificação ao fechar a disputa em 20 a 3.
Na semifinal, diante dos Estados Unidos, o Brasil precisou reagir após um início desfavorável. Mônica Santos perdeu o primeiro jogo por 5 a 1, mas Kevin Damasceno mudou o cenário do confronto ao marcar nove pontos contra apenas um do adversário, colocando os brasileiros à frente por 10 a 6. Fabiana Soares manteve a vantagem, apesar da reação norte-americana, e Jovane Guissone encerrou a disputa com vitória por 20 a 15.
A decisão contra a Colômbia também começou com o Brasil em desvantagem. Mônica Santos perdeu o primeiro duelo por 5 a 2, mas Fabiana Soares protagonizou a virada ao marcar oito pontos contra dois de Ivonne Padilla, colocando a equipe à frente por 10 a 7. Kevin Damasceno ampliou a diferença para 15 a 11, antes de Jovane Guissone confirmar o ouro ao vencer o último quarto do duelo por 5 a 3, estabelecendo o placar final de 20 a 14. Responsável por fechar a decisão, Jovane Guissone destacou o trabalho coletivo e a importância da conquista para a sequência da competição.
“Eu quero parabenizar a nossa equipe pelo belo resultado que a gente teve hoje. Também foi um bom resultado na espada, e o ouro veio. Como eu falei, a gente ia trabalhar pelo ouro, o ouro veio. Então, quero parabenizar a todos vocês, que foi show. E é assim que amanhã a gente inicia a prova individual, 100% com sangue nos olhos”, afirmou Jovane.
Fabiana Soares, que teve participação decisiva na virada brasileira durante a final, também valorizou a união do grupo. “Eu também quero agradecer à minha equipe pela confiança de estar fazendo parte mais uma vez da Seleção Brasileira. Fazendo parte da equipe de florete, que eu gosto muito, que eu amo. A gente se diverte, a gente berra um com o outro, dá força e eu acho que é isso, né? Uma equipe é isso, está todo mundo junto. Independentemente se perde ou se ganha, a gente está dando força um para o outro”, declarou Fabiana.
Mais cedo, Brasil conquista prata na espada por equipes mistas
Antes da conquista do ouro no florete, o Brasil já havia garantido sua primeira medalha no Campeonato das Américas com a prata na espada por equipes mistas. Jovane Guissone, Mônica Santos, Rayssa Veras e Lenilson Oliveira venceram Colômbia e Estados Unidos antes de serem superados pela Argentina na decisão.
A estreia brasileira foi diante da Colômbia, em um confronto marcado por mudanças no placar. Depois da equipe sair atrás em 5 a 0, Rayssa Veras marcou dez pontos consecutivos sem sofrer nenhum e colocou o Brasil à frente por 10 a 5. Jovane Guissone ampliou a vantagem para 15 a 7, mas os colombianos reagiram na última parcial. Lenilson Oliveira conseguiu assegurar a classificação com a vitória brasileira por 20 a 18.
Na semifinal contra os Estados Unidos, o Brasil protagonizou uma recuperação ainda maior. O primeiro jogo, entre Jovane Guissone e Scott Rodgers, terminou sem pontos. Na sequência, os norte-americanos abriram dez pontos após o confronto entre Mônica e Jataya.
Coube a Lenilson Oliveira mudar o rumo da disputa. Diante de Nicholas Badeaux, o brasileiro marcou 15 pontos contra apenas dois do adversário, transformando a desvantagem de dez pontos em uma liderança por 15 a 12. Rayssa Veras manteve a diferença no jogo final, encerrado em 5 a 5, e confirmou a vitória do Brasil por 20 a 17.
Na final, contra a Argentina, o equilíbrio permaneceu até os últimos pontos. Mônica Santos abriu a disputa com derrota por 1 a 0, e Lenilson Oliveira terminou a segunda parcial com a equipe brasileira atrás por 10 a 7. Rayssa Veras voltou a ter papel importante na reação ao marcar oito pontos contra quatro de Karen Castillo, colocando o Brasil em vantagem por 15 a 14. No confronto decisivo, Hugo Alderete superou Jovane Guissone por 6 a 3 e garantiu o título argentino por 20 a 18.
Após a conquista da prata, Rayssa Veras avaliou a campanha brasileira e destacou o aprendizado proporcionado pela decisão.
“Foi um pouco mais complicado, mas um toquezinho de cada vez, equipe unida desde o início, concentrada para poder cumprir o objetivo. Fomos caminhando, e o segundo jogo eu achei um pouco mais difícil, pelo menos para mim, porque era um pouco mais de pressão, mas deu tudo certo e a gente conseguiu ir para a final. Infelizmente, foi mais nervoso do que qualquer outra coisa e perdemos na final, mas fica o aprendizado. Vamos para a próxima, para cima deles”, afirmou Rayssa.
Jovane Guissone também comentou as características da prova, disputada em um formato mais curto do que o tradicional.
“A prova mista, por ser 20 pontos, é uma prova muito curta, né? Então, tu não pode errar. Às vezes, eu digo assim, não digo ser o medo, mas o fato de tu não errar, às vezes tu te prende de tentar fazer. Eu fiquei um pouco chateado, porque eu queria ter fechado com medalha de ouro. Deixei escapar ali, mas, se Deus quiser, vamos para o florete agora e vamos buscar medalha de ouro”, declarou o esgrimista, antes de conquistar o título na segunda prova do dia.
Dia marcado por conquistas inéditas e resultados históricos
O primeiro dia do Campeonato das Américas também entrou para a história da paraesgrima continental. Ao vencer o Brasil na decisão da espada por equipes mistas, a Argentina conquistou sua primeira medalha de ouro em provas por equipes na história da competição, considerando todas as armas.
A equipe argentina campeã foi formada por Carlos Freitas, Hugo Alderete, Karen Castillo e Dariana Janeth Ferreira. A conquista veio diante dos brasileiros, que defendiam o título continental da espada masculina por equipes, e representou um marco para o desenvolvimento da modalidade no país vizinho.

