A marcha atlética no Brasil está prestes a completar 90 anos de história. E não há momento melhor da prova no país: no dia 12 de abril, Brasília recebe o Mundial de Marcha Atlética Caixa por Equipes 2026. Além disso, os brasileiros comemoraram, nos últimos dois anos, conquistas inéditas para a modalidade. Caio Bonfim (CASO-DF), que marchará em casa, é o atual campeão mundial e vice-campeão olímpico dos 20 km, além de vice-campeão mundial dos 35 km.
A marcha atlética surgiu em meados do século 19, na Inglaterra. Chegou aos Estados Unidos nos anos de 1900 como um espetáculo de resistência. A partir do interesse despertado, a rápida caminhada por longas distâncias – que demanda o contato permanente de um dos pés no chão durante as passadas – entrou como parte do decatlo do programa olímpico de Saint Louis, em 1904. Na edição seguinte, em Londres-1908, a marcha atlética se tornou uma modalidade individual, em que homens marcharam 3.500 metros e 10 milhas.
A prova foi introduzida no Brasil a partir dos Jogos Olímpicos de Berlim, realizados em 1936. Na ocasião, os dirigentes esportivos José Carlos Daudt e Túlio de Rose, ligados à Sogipa, de Porto Alegre, foram até a Alemanha e se encantaram com a disputa. Decidiram, então, trazê-la ao Brasil. A primeira prova de marcha atlética no Brasil foi organizada em 1937, na capital gaúcha: Carmindo Klein foi o campeão dos 5 km.
Foi a partir do Rio Grande do Sul, e também de São Paulo, onde a prova chegou nos anos 1950 por meio de Antonio Glayr Santarnecchi, que a marcha atlética se disseminou pelo Brasil. Na década de 1970, com a introdução da disputa nos Campeonatos Brasileiros, surgiu o primeiro ”fenômeno” da marcha atlética brasileira: o paulistano Fernando Elias (1935-2026).
Nascido no bairro da Mooca, iniciou no atletismo pelas corridas. Depois, já morando em Santo André e funcionário-atleta da Pirelli, decidiu-se pela marcha. Na nova modalidade, a qual se dedicou por quatro décadas – foi o primeiro campeão brasileiro, em 1973 – , passou a ser conhecido como ”O Demolidor de Recordes”, tendo quebrado dezenas de marcas paulistas, brasileiras e sul-americanas, com 33 homologadas.
Mas foi a partir da década de 1980 que a marcha atlética brasileira expandiu sua presença para além das fronteiras continentais. O primeiro grande nome internacional do Brasil foi o paulista Marcelo Moreira Palma. Foi ele quem inaugurou a presença brasileira em Jogos Olímpicos: em Seul-1988, terminou em 45º lugar (1:31.42) nos 20 km. No ano seguinte, ele faria parte da primeira delegação que disputou o Mundial por Equipes, em 1989, na cidade catalã de L’Hospitalet de Llobregat. Foi também com Marcelo que o Brasil conquistou sua primeira medalha em Jogos Pan-Americanos: o bronze nos 20 km em Havana-1991.

