O Brasil conquistou sete medalhas — quatro ouros e três pratas — e chegou 19 pódios no Mundial de natação paralímpica em Singapura nas finais da manhã desta terça-feira, 23, considerando o horário de Brasília.
O terceiro dia de evento teve como destaques brasileiros tanto o primeiro título da estreante Beatriz Flausino, campeã nos 100m peito da classe SB14 (deficiência intelectual), como também conquistas de atletas que chegaram como favoritos em suas disputas, caso do tetracampeonato da pernambucana Carol Santiago, nos 50m livre da classe S12 (baixa visão), e do tricampeonato do mineiro Gabriel Araújo, ouro nos 100m costas da classe S2 (comprometimento físico-motor). Além disso, o Brasil ainda obteve o ouro no revezamento 4x50m medley 20 pontos, a última prova das finais desta terça-feira.
O Brasil ocupa a quarta colocação do quadro de medalhas, com seis ouros, oito pratas e cinco bronzes. O ranking é liderado pela China, que acumula 12 ouros, três pratas e dois bronzes, totalizando 17 medalhas. A seguir, vêm Itália (7 ouros, 7 pratas e 6 bronzes) e Grã-Bretanha (7 ouros, 6 pratas e 10 bronzes).
Dobradinha nos 100m peito SB14 feminino
O ouro de Beatriz nos 100m peito SB14 veio com tempo de 1min12s61. Ela foi seguida pela paranaense Débora Carneiro, que ficou com a medalha de prata, com 1min15s08. O bronze foi para a britânica Olivia Baronius (1min15s63). Na mesma prova, a paranaense Beatriz Carneiro, irmã de Débora, ficou na sexta colocação, com 1min17s22.
“Que emoção. Faz muito tempo que eu quero nadar para este tempo, para mostrar que realmente consigo fazer um minuto e 12 segundos. Não tenho palavras para a realização de um sonho, estou muito feliz. A estratégia para chegar a isso foi nadar por eu mesma, focar em mim e dar meu melhor. Só bastava eu acreditar em mim mesma. Eu entrei e falei ‘Bia, agora é com você, você pode’”, disse Beatriz Flausino.
A marca de Beatriz é o novo recorde das Américas da prova. O tempo registrado em Singapura é melhor do que os 1min13s69 feitos por ela em setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, na Segunda Etapa Nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa de Natação, recorde anterior da disputa.Beatriz, 21, está em seu primeiro Mundial. Ela começou a nadar aos oito anos por orientação médica, para lidar com crises de bronquite e passou a competir em provas com atletas sem deficiência aos 10 anos. Em 2023, recebeu o diagnóstico de autismo e deficiência intelectual, entrando no Movimento Paralímpico em 2025. Sua primeira competição internacional foi o Grand Prix de Guadalajara, no México, no qual conquistou o índice estabelecido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para competir em Singapura.
Débora, medalhista de prata, voltou ao pódio dos 100m peito após ter vencido a prova no Mundial de Manchester em 2023. “Foi uma prova muito acirrada. Foi incrível. Eu sou a segunda do mundo, eu estou muito feliz. A medalha não é só minha, é de todo mundo”, comemorou Débora. “Agradeço a todos os que torceram por mim”, finalizou.
Tetracampeonato para Carol Santiago

