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Brasil soma mais sete medalhas no Regional das Américas de Paraesgrima

No último dia de disputas individuais, a Delegação Brasileira subiu ao pódio nas quatro provas realizadas, com um ouro, duas pratas e quatro bronzes

Paulo César Guimarães 9 min
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Brasil segue dominante no Regional das Américas
Brasil segue dominante no Regional das AméricasFoto: Divulgação CBEsgrima

O Brasil encerrou as disputas individuais do Campeonato das Américas de Paraesgrima 2026 com mais sete medalhas neste sábado (31), no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. A delegação subiu ao pódio nas quatro provas realizadas no quinto dia de competição, com um ouro, duas pratas e quatro bronzes. Fabiana Soares conquistou o título do sabre feminino A, Rayssa Veras e Jovane Guissone ficaram com as pratas, enquanto Kevin Damasceno, Mônica Santos, Vanderson Chaves e Rafael Tassone completaram a relação de medalhistas.

O principal destaque foi o segundo título individual de Fabiana, que já havia vencido o florete feminino A e voltou ao lugar mais alto do pódio após nova final brasileira contra Rayssa Veras. No florete masculino B, o Brasil colocou três representantes nas semifinais e conquistou três das quatro medalhas distribuídas. Com os resultados, a delegação chegou a 21 medalhas na competição, sendo sete ouros, oito pratas e seis bronzes.

Fabiana conquista segundo ouro individual em final contra Rayssa Veras

Fabiana Soares encerrou sua participação nas provas individuais do Regional das Américas com duas medalhas de ouro. Depois de conquistar o primeiro título individual continental da carreira no florete feminino A, a brasileira também venceu o sabre feminino A neste sábado. Na decisão, superou a compatriota Rayssa Veras por 15 a 12 e garantiu mais uma dobradinha para o país.

Fabiana iniciou a campanha com três vitórias e uma derrota na fase de poules. Nas quartas de final, venceu a colombiana Erika Torres Torres por 15 a 12 e, na semifinal, superou a norte-americana Victoria Isaacson por 15 a 7.

Rayssa, por sua vez, terminou invicta a primeira fase, com quatro vitórias em quatro confrontos. Nas eliminatórias, derrotou a norte-americana Shelby Mitchell por 15 a 4 nas quartas de final e Stephanina Michaelis, também dos Estados Unidos, por 15 a 7 na semifinal.

Na decisão brasileira, Fabiana chegou a abrir 14 a 8, ficando a apenas um toque do título. Rayssa reagiu com quatro pontos consecutivos e diminuiu a diferença para 14 a 12, mas Fabiana conseguiu marcar novamente e confirmou a vitória.

A conquista teve um significado especial para a campeã, que nunca havia vencido uma prova individual no Regional das Américas antes desta edição. Além disso, o sabre não é sua principal especialidade. Fabiana também destacou a dificuldade de enfrentar Rayssa, adversária que não conseguia superar nessa arma havia bastante tempo.

“Estou mega feliz, realmente não esperava. É uma felicidade que não cabe em mim. Fui campeã no individual do florete e agora campeã no sabre. Não esperava, mas sei do meu potencial. Não joguei muito bem a poule, comecei nervosa, meio ansiosa, perdi um jogo que não poderia ter perdido. Mas tudo deu certo no final. Tem muito tempo que não ganho dela [Rayssa], muito tempo mesmo. Na última competição, fiz a final com ela e perdi por 15 a 12. Agora ganhei por 15 a 12. Estou muito feliz, porque ela é uma atleta muito boa”, comemorou Fabiana.

A brasileira também destacou o trabalho de preparação realizado em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e agradeceu ao treinador Guilherme Giffoni e às pessoas que acompanham sua trajetória esportiva.

Carminha Oliveira completou a participação brasileira no sabre feminino A. Com duas vitórias e duas derrotas na fase de poules, avançou às eliminatórias e venceu a colombiana Ivonne Padilla por 15 a 2 nas oitavas de final. Sua campanha terminou nas quartas, diante da norte-americana Victoria Isaacson, por 15 a 12, garantindo a sétima colocação.

Três brasileiros conquistam medalhas no florete masculino B

O florete masculino B também teve destaque brasileiro, com três atletas do país entre os quatro semifinalistas. Jovane Guissone conquistou a prata, enquanto Vanderson Chaves e Rafael Tassone garantiram os bronzes. O único estrangeiro no pódio foi o colombiano Hector Fabio Molano Barrios, que venceu Jovane por 15 a 10 na decisão.

Jovane começou sua campanha com seis vitórias em seis confrontos na fase de poules, terminando na primeira colocação dessa etapa. Depois de avançar diretamente às quartas de final, derrotou o colombiano Eduardo Escobar por 15 a 3. Na semifinal, venceu o compatriota Vanderson Chaves por 15 a 6.

A decisão colocou frente a frente o brasileiro, que mantinha o título continental do florete desde 2015, e Molano Barrios, que já havia conquistado medalhas na espada e no sabre durante a semana. O colombiano levou a melhor e interrompeu a sequência de conquistas de Jovane na arma.

Mesmo com a prata, o campeão paralímpico valorizou o desempenho coletivo e a presença de três brasileiros no pódio.

“Eu quero agradecer a todos, agradecer à gurizada também, que foi muito bem. Eu sempre digo: medalha é sempre bom. E estar ao lado da galera do Brasil também é muito bom. Então fico muito feliz pelo Tassone e pelo Vanderson. Quem compete sabe o que a gente faz, o que a gente passa para chegar até onde chegou. Então a gente só tem que agradecer a Deus e continuar trabalhando muito para que, nas próximas competições, a gente mude as cores das nossas medalhas”, afirmou Jovane.

Vanderson Chaves também construiu uma campanha consistente. Depois de quatro vitórias em cinco confrontos na fase de poules, venceu o colombiano Juan Angarita por 15 a 6 nas oitavas de final. Nas quartas, avançou após a retirada de Renato Santana, garantindo presença na semifinal contra Jovane.

O bronze teve um significado especial para Vanderson, que destacou o nervosismo durante a competição e o respeito pelo companheiro de seleção.

“Eu comecei jogando bem na poule. No quadro eliminatório, também consegui desenvolver bem. Estava nervoso, porque queria medalhar e ainda não tinha conseguido performar do jeito que queria. Mas, graças a Deus, tudo fluiu tranquilo. Fiz uma semifinal com o Jovane, e é sempre bom jogar com ele. Meu objetivo é ganhar dele, porque é sempre bom ganhar do melhor. O melhor do Brasil é ele. Fico feliz também de ter o Tassone aqui nesse pódio com a gente. É um cara que está crescendo bastante em todas as armas que está jogando. E vou para cima sempre”, declarou Vanderson.

Rafael Tassone completou o trio brasileiro no pódio. Ele terminou a fase de poules com três vitórias e três derrotas e, nas eliminatórias, venceu dois venezuelanos: Yendri Rivero Bueno, por 15 a 11, nas oitavas de final, e Numa Rojas Estrada, por 15 a 8, nas quartas. Na semifinal, foi superado pelo colombiano Molano Barrios por 15 a 9.

Após a conquista, Tassone fez questão de reconhecer o apoio recebido durante sua trajetória. “Realmente, glória a Deus por esse dia. Agradecer minha mãe, que não desistiu de mim. Gratidão ao professor Ivan, que é um cara excepcional, gratidão a Abel por abrir as portas pra mim. Glória a Deus!”, celebrou o medalhista de bronze.

Outros dois brasileiros participaram da prova. Renato Santana, campeão do sabre masculino B na sexta-feira (30), somou três vitórias em cinco confrontos nas poules e venceu Vitor Penalva por 15 a 1 nas oitavas de final. Nas quartas, não disputou o confronto contra Vanderson Chaves, terminando na sexta colocação.

Vitor Penalva, por sua vez, registrou uma vitória em seis confrontos na fase de poules e encerrou sua participação nas oitavas de final, diante de Renato, ficando na 12ª posição.

Kevin Damasceno supera nervosismo e conquista bronze no florete masculino A

O Brasil também subiu ao pódio no florete masculino A, com Kevin Damasceno conquistando o bronze. O brasileiro entrou diretamente na fase eliminatória, beneficiado por sua posição no ranking, e venceu dois confrontos antes de chegar à semifinal.

Nas oitavas de final, Kevin superou o canadense Ryan Rousell por 15 a 13. Depois, venceu o venezuelano Diego Anzola Soto por 15 a 9 nas quartas. Na semifinal, enfrentou o norte-americano Abe Kaplan, que venceu por 15 a 6 e encerrou a campanha do brasileiro.

Kaplan, de apenas 17 anos, conquistou posteriormente o título continental ao vencer o compatriota Byron Branch na decisão. O norte-americano disputava seu primeiro Regional das Américas no florete.

Após garantir o bronze, Kevin destacou a importância do apoio familiar e contou que precisou lidar com a ansiedade durante a competição.

“Eu queria agradecer primeiramente à minha família, que estava assistindo ao jogo e torcendo por mim. Comecei o primeiro jogo bem nervoso, bem ansioso, mas depois fui conseguindo controlar a ansiedade, chegar até o quadro de oito e passar para a semifinal. Na semifinal, fiquei mais nervoso ainda e não estava conseguindo encaixar o meu jogo contra o americano, que acabou conseguindo a vitória”, contou Kevin.

Lenilson de Oliveira também chegou às quartas de final, terminando em sexto lugar. Ele venceu todos os quatro confrontos da fase de poules e derrotou o compatriota Alex Sandro Souza por 15 a 7 nas oitavas. Na sequência, foi superado pelo venezuelano Wilfre Paz Simoza por 15 a 4.

Lucas Julião registrou duas vitórias e duas derrotas na primeira fase e chegou às oitavas, quando enfrentou Paz Simoza, que venceu por 15 a 4.

Alex Sandro Souza também somou duas vitórias em quatro confrontos nas poules e encerrou sua campanha diante de Lenilson nas oitavas. Moacir Ribeiro completou a participação brasileira, com uma vitória em cinco confrontos na primeira fase, sem avançar às eliminatórias.

Mônica Santos conquista mais um bronze e destaca dedicação ao sabre

Na outra prova realizada pela manhã, Mônica Santos conquistou a medalha de bronze do sabre feminino B. A brasileira terminou a fase de poules invicta, com cinco vitórias em cinco confrontos, e avançou diretamente às quartas de final.

Na primeira disputa eliminatória, venceu a norte-americana Cora Weeks por 15 a 5. A classificação à decisão acabou impedida pela colombiana Nancy Honey Izquierdo Marquinez, que venceu a semifinal por 15 a 11.

O título ficou com outra colombiana, Yulieth Alexandra Londoño Mora, que derrotou Nancy Honey por 15 a 4 na final. Claudia Patricia Quiñones Ramos, também da Colômbia, completou o pódio com o bronze.

Mônica destacou que vem aumentando sua dedicação aos treinamentos de sabre. Embora tenha comemorado mais uma medalha, reconheceu que esperava chegar à decisão e disputar o ouro.

“Tô treinando bastante sabre agora. Tô muito feliz com o resultado. Queria muito ter chegado à final e lutar pelo ouro, mas não deu muito certo. Estamos firmes para amanhã, quando teremos mais duas disputas por equipes femininas. Vamos lá, pessoal! Fiquem ligadinhos e assistam aos nossos jogos”, afirmou Mônica.

Rudineia Manica e Vivian Barbosa também representaram o Brasil na prova. Ambas conquistaram duas vitórias e sofreram três derrotas na fase de poules. Nas oitavas de final, Rudineia enfrentou a norte-americana Cora Weeks, que venceu por 15 a 7. A brasileira terminou em nono lugar. Vivian, por sua vez, foi superada pela também norte-americana Leslie Irby por 15 a 1, encerrando sua participação na décima colocação.

Brasil chega a 21 medalhas no Regional das Américas

Com os resultados deste sábado, o Brasil chegou a 21 medalhas no Campeonato das Américas de Paraesgrima 2026, sendo sete ouros, oito pratas e seis bronzes.

A competição reúne 81 atletas de oito países, incluindo 22 representantes brasileiros, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.

Além da disputa por medalhas, o evento integra o processo classificatório para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles-2028. Os resultados distribuem pontos para o ranking utilizado na classificação aos próximos Jogos.

O Campeonato das Américas de Paraesgrima chega ao fim neste domingo (1º de novembro), com quatro provas por equipes. Pela manhã, acontecem as disputas do florete masculino e do sabre feminino. À tarde, será a vez do florete feminino e do sabre masculino. A competição tem entrada gratuita para o público no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.

*com informações da Confederação Brasileira de Esgrima

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