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CBV anuncia testes de gênero na Superliga feminina e põe temporada de Tiffany Abreu em xeque

Entidade máxima do vôlei brasileiro vai impor testes de "elegibilidade" para atletas em torneios femininos de quadra e praia e ameaça temporada de Tiffany pelo Osasco

Matheus Maia 4 min
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CBV anuncia testes de gênero na Superliga feminina e põe temporada de Tiffany Abreu em xeque
Foto: (foto: Carol Fotografia/Osasco/Divulgação)

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou, nesta sexta-feira (14), o início de testes de "elegibilidade" para atletas mulheres nas ligas nacionais de praia e quadra. A entidade afirmou estar seguindo orientações do Comitê Olímpico Internacional (COI), Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV). Posicionamentos oficiais da CBV e Osasco estão ao fim da matéria.

O novo procedimento vai ser realizado em todas as atletas das divisões A e B da Superliga, Supercopa e Copa Brasil, esses válidos para o ano de 2026, e Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, para a faixa adulta, e CBVP Challenger, com vigência para a temporada 2027.

Em sintonia com o movimento global de impedimento à participação de pessoas trans no esporte, liderado pelo COI, a CBV anunciou em nota oficial que vai começar a testar todas as atletas de nível nacional para o cumprimento de requisitos de elegibilidade decididos pelo órgão. O que o novo exame buscará é a presença do gene SRY, cromossomo indicativo do sexo masculino.

Caso a atleta teste negativo, estará permanentemente autorizada a competir em torneios femininos, no entanto o resultado positivo vai impedir a participaçao em eventos femininos. A CBV ainda informa que esta proibição não se estenderá ao naipe masculino.

Existem exceções para caso uma atleta teste positivo, a principal é a Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa (CAIS), condição que é conhecida por não gerar traços sexuais masculinos e deixar a pessoa com aparência feminina, além de outras síndromes similares específicas.

A principal afetada pela política será a atleta trans Tiffany Abreu, do Osasco. A craque já vinha sendo impedida de atuar em torneio sul-americanos e mundiais e, agora, pode ser proibida de atuar nacionalmente. O tema havia vindo a tona, em março deste ano, com a tentativa da Câmara Municipal de Londrina, no Paraná, de proibir, através de lei local, a atuação de Tiffany em partida da Copa Brasil. Abreu e o Osasco foram vitoriosos e a oposta entrou em quadra.

Confira a nota da CBV:
"A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) publicou, nesta sexta-feira (14/8), sua política sobre a elegibilidade de atletas para as competições da categoria feminina no voleibol. A CBV se adequa ao atual cenário regulatório internacional e à necessidade de assegurar alinhamento entre os critérios aplicáveis às competições nacionais e aqueles adotados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

A CBV passa a seguir - a partir de hoje – os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI - publicada em março deste ano – que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino. Essa verificação é feita por testagem e triagem do gene SRY – tendo como ressalvas apenas condições excepcionais previstas na política da entidade. Essa regra foi aprovada em setembro de 2025, incorporada pela FIVB e já aplicada neste ano na Liga das Nações.

A política já entra em vigor nas seguintes competições da CBV: Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto), CBVP Challenger 2027 e nas respectivas edições seguintes durante a vigência da política.

“Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais. A decisão da CBV se adequa ao COI e deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais.”, explica Radamés Lattari, presidente da CBV.

A política da CBV tem como base os parâmetros do COI e, historicamente, a instituição atua em conformidade com as diretrizes técnicas do Movimento Olímpico.

“A CBV se alinhou aos posicionamentos do COI e da FIVB quanto a necessidade das jogadoras realizarem o processo de triagem do gene SRY para a elegibilidade da categoria feminina. A coleta de material é feita de forma pouco intrusiva e altamente precisa” finaliza o médico João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol."

Confira nota do Osasco:

"O Osasco São Cristóvão Saúde informa que foi surpreendido hoje com a informação da nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina, publicada nesta sexta-feira (14), pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Tal política foi elaborada sem qualquer participação ou opinião prévia do clube.

A decisão impacta diretamente a atleta Tifanny Abreu, que veste a camisa do clube desde 2021 e construiu uma trajetória marcante dentro e fora de quadra.

Diante disso, o clube, junto com seu departamento jurídico,  está avaliando a normativa publicada para definição dos próximos passos.

O clube reafirma seu integral apoio a Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da sua história."

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