O mandatário do COB disse durante o evento do Hall da Fama do COB na quarta, 8, que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) chegou a procurar o COI para esclarecimentos. Segundo o ge, o principal gargalo é quando a nova política entrará em vigor. A CBV tem dúvidas se ela, de fato, será adotada apenas daqui a dois anos ou se serão considerados testes de gênero feitos antes de 2028, configurando uma ”volta atrás” na decisão.
Marco afirmou que para o COI, é necessário ”dar tempo ao tempo”: tempo para que se veja cada dúvida vinda dos comitês mundo afora.
Ao longo da fala, ele também tocou em outro assunto não tão bem esclarecido pelo Comitê Internacional: como ficarão as situações das atletas com disfunção hormonal.
Tifanny faz duras críticas a decisão do COI
A ponteira Tifanny Abreu, do Osasco, se posicionou sobre o caso em suas redes sociais. Em dado momento, ela afirmou que a decisão abre interrogações sobre a participação das mulheres no esporte, e que ela representa um retrocesso.
Confira abaixo o texto:
Essa notícia é muito triste e representa um grande retrocesso para o esporte.
Muita gente tenta reduzir esse debate a um ataque exclusivo às pessoas trans, mas não é só sobre isso. É sobre mulheres. Sobre todas as mulheres.
Com essas novas regras, muitas atletas podem ser prejudicadas, inclusive mulheres cis, por critérios cada vez mais questionáveis. E isso precisa ser discutido com responsabilidade, não com exclusão.
Existe um discurso de que tudo isso é para ”proteger o esporte feminino”, mas na prática a gente vê outra coisa. Quando o assunto envolve pessoas trans, sempre surge uma tentativa de tirar, excluir, questionar sua presença, independentemente do contexto. Tivemos um exemplo claro recentemente com a Erika Hilton, que teve sua identidade questionada ao ponto de tentarem retirá-la de um espaço que é, justamente, de representação das mulheres. Se antes o argumento era ”vantagem” ou ”força”, nesse caso foi o quê?
Isso mostra que nunca foi só sobre desempenho. É sobre quem é reconhecida como mulher.
Enquanto nós não entendermos que a luta precisa ser por todas, todas as mulheres, sem exceção. Vamos continuar abrindo espaço para decisões que nos dividem e nos enfraquecem. Direitos não podem andar para trás. O mundo não pode regredir. Ou a gente se posiciona agora, ou aceita ver conquistas sendo desmontadas pouco a pouco por uma extrema direita que insiste em excluir, dividir, destruir.
Segundo a entidade, a nova política de elegibilidade para torneios/competições femininas é embasada na definição do exame único do gene SRY, que fica no cromossomo Y. Para o COI, a medida é para ”proteger a justiça, segurança e integridade.”