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Coluna Coelho Olímpico: João Fonseca, Piu, Gabi e mais: esforço de nova geração para representar o Brasil em torneios é tão inspirador quanto conquistas

Atletas seguem o exemplo de Oscar Schmidt: orgulho de defender o Brasil

Redação Surto Olímpico 3 min
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Coluna Coelho Olímpico: João Fonseca, Piu, Gabi e mais: esforço de nova geração para representar o Brasil em torneios é tão inspirador quanto conquistas
Foto: Alexandre Loureiro/COB.

Por Lucas Félix

No ano em que perdemos Oscar Schmidt, talvez o maior representante da mostra de que a idolatria pelo orgulho em defender as cores do Brasil transcende as medalhas, acompanhamos bons exemplos em série de que o legado do nosso eterno cestinha continua vivo numa novíssima geração de talentos do esporte nacional, mesmo que (infelizmente) não necessariamente no basquete.

As lágrimas de João Fonseca após a vitória que abriu a série vencedora do Brasil diante da Suíça na Copa Davis podem ter tido diversos motivos pessoais e físicos. A opção dele em estar na competição, contudo, foi uma deferência clara à honra que é estar efetivamente representando mais o país do que a si próprio, algo muito além de qualquer pontuação.

O torneio de tênis ainda mostrou que é possível ter atletas especialistas no “modo Seleção”, caso de Gustavo Heide. Medalhista de ouro no Pan de Santiago em dupla com Marcelo Demoliner, dessa vez ele também contribuiu com o Brasil na disputa de simples ao derrotar Stan Wawrinka (ouro em Pequim 2008 ao lado de Roger Federer).

Já na vitória brasileira nas duplas, a continuidade da boa dobradinha entre Orlando Luz e Rafael Matos deixou outra janela de esperança aberta pensando no ciclo. Dentro da especificidade do universo do tênis de permitir parcerias entre estrangeiros no seu circuito profissional, é especialmente animador quando constatamos uma dobradinha 100% nacional em ascensão. Na atual temporada, eles já vinham de duas conquistas de Masters 1000.

Luz é medalhista de ouro na Olimpíada da Juventude 2014 ao lado de Marcelo Zormann. Na mesma edição, como referência, nomes como a ginasta Flávia Saraiva e a dupla de vôlei de praia formada por Duda e Ana Patrícia também foram ao topo do pódio na China. É um precedente que faz nossa expectativa pela competição de 2026 em Dacar aumentar um pouco.

Já Matos possui um Grand Slam adulto em seu currículo, com a conquista ao lado da também brasileira Luisa Stefani (medalhista de bronze com Laura Pigossi em Tóquio 2021) nas duplas mistas do Aberto da Austrália em 2023, um marco definitivamente mais histórico para ambos do que qualquer marca intermediária de posicionamento em rankings individuais.

E se é para falar de ranking, hoje há um brasileiro número 1 incontestável para o mundo naquele que é o esporte olímpico por essência, em uma situação bem diferente dos conflitos eventuais de agenda e financiamento do tênis. Falo, claro, de Alison dos Santos e seu 2026 arrebatador nos 400 metros com barreiras. Recordista mundial, campeão do circuito da temporada e da “Supercopa” que o colocou diante de todos os outros principais vencedores dos grandes torneios no ciclo, o duplo medalhista olímpico de bronze resolveu abrilhantar também os Jogos Sul-Americanos.

A presença de Piu na competição é uma mostra de compromisso com o Time Brasil como um todo. Após uma temporada desgastante, ele sabe que a sua presença na Argentina em um evento com “embalamento” olímpico no sentido da multiplicidade esportiva é uma referência importante para a próxima geração. Outros nomes históricos com pódios olímpicos, como o marchador Caio Bonfim e a nadadora Ana Marcela Cunha, fizeram o mesmo movimento de um legado que vai além dos seus pescoços. É uma transição que ocorre de forma viva, dentro das pistas, águas, quadras…

A América do Sul, aliás, se tornou um epicentro de eventos. Há poucos dias, o Rio de Janeiro recebeu os pré-olímpicos do continente no vôlei de quadra, com vagas conquistadas para o Brasil nos dois naipes. No feminino, a capitã Gabi acelerou a sua recuperação de uma lesão para estar em quadra.

Ainda em 2026, nosso continente sedia também os Campeonatos Mundiais das confederações com as chancelas olímpicas no skate (no Paraguai) e no surfe (no Peru). Serão provavelmente outras chances de vermos estrelas competindo pelo Brasil em torneios que podem entregar premiações inferiores aos circuitos internacionais, mas com um valor esportivo e genuinamente patriótico (no melhor dos sentidos, por favor!) incalculável em longo prazo. E que gera uma aproximação do universo olímpico com o povo, já que não se repete o padrão de alguns atletas do futebol masculino em reclamar dos compromissos nacionais “atrapalhando” as férias.

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#Brasil#Tênis#Vôlei#Atletismo#Gabi#João Fonseca#Alison dos Santos