Por Lucas Felix
O esporte mais popular do planeta. A competição mais importante do planeta entre todos os esportes. O país mais tradicional da história desta modalidade. A primeira edição de tal torneio na nação em questão. Ingredientes de sucesso para absolutamente qualquer roteiro em um enredo que se transformou em realidade há exatamente dez anos.
Naquele 20 de agosto de 2016, a Seleção Brasileira masculina de futebol pisou no Maracanã repleta de traumas. O palco do Maracanazo, a final olímpica nunca antes conquistada com o caminho parado nas pratas de 1984, 1988 e 2012 (a edição imediatamente anterior)… E a Alemanha de lembrança ainda mais recente, algoz na Copa de 2014 também em casa, como grande rival. Como se não bastasse, a chegada à decisão ocorria após dois empates sem gols contra África do Sul e Iraque nas primeiras rodadas da fase de grupos.
O Olimpo era uma barreira até então intransponível para os pentacampeões da Copa. Cinco, além do número de estrelas mundiais do futebol, era também o recorde de ouros do Brasil em uma Olimpíada até aquele sábado. A barreira para o recorde foi superada justamente com aquele esporte que muitos entusiastas olímpicos olham com desconfiança diante da monocultura esportiva nacional.
De fato, como eu mesmo cheguei a registrar em monografia, este é um problema nacional. A Olimpíada, contudo, representa justamente a utopia em que a máxima popular mentirosa felizmente se transforma em real por quinze dias: o brasileiro passa a gostar de ganhar, priorizando os grandes resultados. Os desempenhos mais acompanhados e aplaudidos são realmente os melhores, seja por onde ocorrerem.

