O futebol, claro, possui um teto superior. Na soma de todas as detentoras dos direitos, o jogo chegou a passar dos 50 pontos. Galvão Bueno, Lucas Pereira, Téo José, Milton Leite e Gustavo Villani se transformaram nas vozes ouvidas pelo país inteiro. Uma “chamada” de luxo para que o vôlei no dia seguinte rompesse a barreira dos 30 pontos no mesmo recorte. Sem a euforia prévia, teria chegado lá? O ganha-ganha é um círculo virtuoso. O futebol chama mais gente para a Olimpíada. E ela ganha o novo público com a sua magia. É o efeito que o críquete pode ter para os indianos, por exemplo.
Falando no alcance global, a visibilidade olímpica é essencial para o próprio futebol se intensificar em mercados como os Estados Unidos ou a China além apenas da Copa do Mundo. Se trata de algo muito mais intuitivo para destacar do que os torneios continentais e suas limitações geográficas.
No domingo seguinte ao título brasileiro, entre os tantos jornais do mundo que destacaram o feito em suas capas, estava também o The New York Times. O elenco formado por Weverton, Uilson, Zeca, Douglas Santos, William, Rodrigo Caio, Marquinhos, Luan Garcia, Rafinha, Walace, Rodrigo Dourado, Thiago Maia, Felipe Anderson, Renato Augusto, Luan Guilherme, Gabriel Jesus, Gabigol e Neymar também foi indicado ao Laureus, o maior prêmio do esporte mundial.
Neymar, autor do gol de falta no tempo normal e do pênalti derradeiro diante de Timo Horn… Depois de vir ele próprio da campanha de prata na Inglaterra quatro anos antes. O nome do craque mobilizou as discussões sobre o futebol nacional ao longo de mais de uma década. Para o bem e para o mal. Na recente eliminação do Brasil na Copa do Mundo, estava lá convertendo outro pênalti, esse em vão. Mas também piorando o desempenho do time com bola rolando depois que entrou. São múltiplos pontos de vista possíveis, mas não se pode deixar que o debate sobre um Mundial ou Olimpíada seja “sequestrado” por uma figura só.
Haviam outros 25 nos Estados Unidos, outros 17 no Rio… Bruno Guimarães também foi vilão na Copa, Weverton também foi herói na Olimpíada. Ambos com seus papéis provavelmente minimizados diante da força midiática de Neymar. Mas sempre há tempo para a correção histórica.
O título olímpico, que chegou a ter o time brasileiro indicado ao Laureus de melhor equipe de 2016 entre todos os esportes, engrandece o currículo do jogador do Santos. Somando ele e a Copa das Confederações de 2013, podemos dizer que Neymar é o maior jogador da Seleção Brasileira (não do futebol brasileiro) a não ter uma Copa do Mundo no currículo. Foi importante, mas não solitário.
O Brasil enfrentou uma Alemanha que levou uma proporção similar de jogadores daquela geração para os Mundiais seguintes na comparação com a nossa. Os rivais germânicos poderiam ter feito uma dobradinha com o ouro da equipe feminina contra a Suécia no dia anterior. Poderiam ter antecipado o feito atual da Espanha com o domínio global nas duas grandes frentes do esporte. Fracassaram, ainda bem.
Nós poderíamos ter condenado o Maracanã como um palco fadado à tristeza. Poderíamos ter ofuscado as medalhas anteriores mergulhando em um clima até alheio ao olimpismo. Felizmente, esse é um “se” que só precisamos testar para dimensionar o que aquele ouro impediu. Se a história é contada pelos vencedores, podemos e devemos reivindicar essa. Venceu quem quis mais. E quem jogou mais. Uma combinação ideal.
Dez anos depois, o 20 de agosto de 2016 continua eterno como soou naquele final de tarde e começo de noite. Até que outra estrela seja bordada no escudo, a sexta data mais importante da história do nosso futebol. E a mais relevante vista ao vivo para toda uma geração nascida neste século.