Por Lucas Felix
Nos últimos dias, poucas notícias de qualquer editoria foram tão comentadas quanto a sucessão no comando do Jornal Nacional. A TV Globo consumou a substituição de William Bonner, que será deslocado ao Globo Repórter, por César Tralli, que até então ocupava a titularidade do Jornal Hoje. Uma troca natural após 29 anos no ar, mas que inegavelmente impacta a rotina de um “boa noite” que está associado com a história recente do país. Na cadeira do JN desde 1996, Bonner liderou o principal noticiário do país durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, Sydney, Atenas, Pequim, Londres, Rio de Janeiro, Tóquio e Paris. Esteve in loco em uma competição olímpica, porém, em apenas uma ocasião. Foi na cerimônia de abertura dos Jogos de 2016, quando tanto ele quanto Renata Vasconcellos estiveram no estádio do Maracanã fazendo uma espécie de pré-jogo da festa (teriam sido melhor aproveitados na repercussão pós-espetáculo, vale frisar). Na conquista inédita do ouro pelo futebol masculino, por exemplo, Renata conduziu toda a edição do Parque Olímpico, enquanto Galvão Bueno estava no Maracanã. O estúdio habitual nem foi acionado.
Em 2020, Renata deveria ter ido até Tóquio nos planos originais da TV Globo, alterados pela pandemia. Em 2024, a dupla ficou na bancada durante a Olimpíada parisiense por uma questão puramente econômica, como já havia ocorrido na Copa do Mundo masculina de futebol no Catar dois anos antes. Nos tempos financeiros áureos, o próprio Bonner (1998) e suas parceiras Fátima Bernardes (2002, 2006 e 2010), Patrícia Poeta (2014) e Renata Vasconcellos (2018) estiveram nas sedes do Mundial da Fifa.

