O torcedor do Cruzeiro tem todos os motivos do mundo para começar esta semana rindo à toa. O time celeste, neste sábado, se sagrou pela primeira vez na sua história campeão da Libertadores Feminina, batendo uma das camisas mais tradicionais da modalidade.
Esta camisa, era ninguém menos que o Corinthians. Numa final equilibradíssima, o mantra cruzeirense continha nove letras: acreditar. E isso moveu o Cruzeiro até os 90 minutos se esgotarem e na disputa por pênaltis. A camisa 10 do time e artilheira, Byanca Brasil, bateu nesta tecla na entrevista pós-jogo e na preleção antes da bola rolar:
"Desde ontem, estava com uma palavra na cabeça: acreditar. E foi o que eu falei na roda, para elas. Falei que, se a gente estivesse perdendo, iria acreditar; se estivesse ganhando, também iria acreditar. E a gente acreditou, e Deus honrou. Corinthians é uma grande equipe, a gente respeita muito tudo o que elas fazem e toda a voz que usam para brigar por coisas para a gente. Agradeço muito por isso, mas, dessa vez, deu a gente. Foi por merecimento. Muito orgulho, muito orgulho."
E não teria como falar desse título sem falar da camisa 10 das Cabulosas. Para além da artilharia da competição, que dividiu com Vic Albuquerque, do Corinthians e Zamorano, do Santa Fe, Byanca Brasil foi peça-chave na campanha. Vale destacar: dos 6 jogos disputados, ela só não marcou contra o Olímpia, na última rodada da primeira fase e na semifinal.

Foto: Staff Images Woman/CONMEBOL
Com um elenco esfacelado e reduzido por muitas lesões de ligamento cruzado anterior (LCA), coube ao técnico Jonas Urias ser resiliente, lidar com as adversidades e dar a volta por cima. Em muitos momentos dessa temporada, o Cruzeiro foi desacreditado e algumas peças do time foram criticadas. Algumas destas, tiveram seu arco de redenção concretizado na noite de sábado.
Uma delas, foi a goleira Camila, que salvou as Cabulosas contra o Libertad operando um verdadeiro milagre, mas que caiu numa maré de desconfiança em alguns momentos da temporada 2026. Na cobrança de pênalti de Gi Fernandes, ela defendeu e deu o primeiro título da Libertadores Feminina para a galeria das Cabulosas.

Foto: Staff Images Woman/CONMEBOL
Ainda sobre a resiliência, não só de Jonas Urias, como também do Cruzeiro na decisão, como um todo, ela fez total diferença para a reação da maneira como aconteceu. Não é todo clube que consegue levar para os pênaltis um jogo que em certo momento o Corinthians abriu 3 a 0 e ainda mais, com todas as circunstâncias. A reação e o senso de urgência cruzeirense foram excelentes, em meio ao relaxo corintiano, talvez, achando que o jogo já estivesse resolvido.

