Surto Olímpico
Voltar

Copa do Mundo de Basquete Feminino: EUA flerta com a derrota, China vence na prorrogação e quatro seleções garantem vagas para a próxima fase

Estados Unidos, Austrália e Bélgica seguem invictos e avançam; China vence a Tchéquia no tempo extra, elimina o oponente e também se classifica

Thiago Chaguri 7 min
Compartilhar
Copa do Mundo de Basquete Feminino: EUA flerta com a derrota, China vence na prorrogação e quatro seleções garantem vagas para a próxima fase
Foto: REPRODUÇÃO/FIBA

O terceiro dia da Copa do Mundo de basquete feminino, disputada em Berlim, na Alemanha, encerrou neste domingo (6) a segunda rodada com as equipes dos Grupos C e D em quadra.

 

Ao todo, 16 seleções disputam o título da competição, que dará ao campeão uma vaga olímpica. A exceção será um eventual título dos Estados Unidos, que já têm presença garantida por serem o país-sede dos Jogos de Los Angeles 2028.

Estados Unidos suou até o fim para vencer partida com a menor pontuação da segunda rodada

Na primeira partida do dia, a Austrália ficou apenas um minuto atrás do placar e dominou a Turquia no restante do jogo. A equipe da Oceania, medalhista de bronze na edição anterior do Mundial, dominou o garrafão turco, venceu pela segunda vez na competição e assegurou vaga para a fase eliminatória.

A Bélgica contou com sua força no perímetro e converteu 15 bolas de três pontos para superar Porto Rico e também garantir a classificação para a próxima fase. Na rodada seguinte, a seleção enfrentará a Austrália em duelo que definirá a líder do Grupo C. Além da primeira colocação, a vencedora garantirá vaga direta nas quartas de final.

Apesar da derrota para os Estados Unidos na primeira rodada, a China, com o triunfo sobre a Tchéquia na prorrogação, também se classificou para a próxima fase. De bandeja, eliminou a adversária, que perdeu seus dois jogos.

Surpreendentemente, a partida com o menor número de pontos de toda a segunda rodada envolveu os Estados Unidos. A aguerrida Itália impôs muita dificuldade ao ataque adversário e disputou cada bola do confronto. No entanto, mesmo com uma atuação muito abaixo das expectativas, as estadunidenses mantiveram o sangue frio no fim, alcançaram seu segundo triunfo e a vaga à fase eliminatória.

Resumo dos jogos

Grupo C

Austrália x Turquia

Mostrando superioridade desde o primeiro ataque, a Austrália abriu 10 a 2, mas levou um susto ainda no primeiro quarto ao sofrer a virada para 15 a 14. Ficou atrás no placar por apenas um dos 40 minutos e retomou o controle da partida imediatamente. As duas equipes apresentaram propostas ofensivas semelhantes, com foco no jogo de poste baixo e alguns arremessos de média distância. No segundo quarto, a Turquia, em desvantagem, mudou a abordagem e passou a apostar nos arremessos de três pontos. Sem eficácia, com apenas dois acertos em dez tentativas, as turcas viram a Austrália, eficientes na manutenção de seu estilo de jogo, abrir 40 a 30 antes do intervalo.

As propostas se mantiveram no terceiro período, desta vez com os dois ataques mais produtivos. A Turquia guardou cinco bolas triplas, mas a Austrália castigou ainda mais o interior da defesa adversária, ampliou ligeiramente a vantagem e chegou ao último quarto à frente por 67 a 55. Na reta final, a seleção da Oceania ajustou a defesa e conseguiu limitar as ações turcas no perímetro. Ao mesmo tempo, aumentou o volume ofensivo e chegou a abrir 19 pontos. Com a vitória encaminhada, a técnica Sandy Brondello aproveitou para descansar algumas de suas titulares. As australianas apenas aguardaram o apito final e confirmaram a vitória por 87 a 71, a segunda da equipe no torneio.

Equipe australiana está garantida na próxima fase (Foto: reprodução/Fiba)

A ala-pivô Ezi Magbegor foi a maior pontuadora australiana, com 21 pontos. Cestinha da equipe na partida anterior, Steph Talbot acertou oito dos dez arremessos de quadra, registrando um excelente aproveitamento de 80%, e anotou 17 pontos.

Pela Turquia, Sevgi Uzun foi o principal nome ofensivo e também a cestinha da partida, com 24 pontos e seis assistências.

 

Bélgica x Porto Rico

O duelo entre as campeãs europeia e da América Central foi frenético desde o início. Já no primeiro quarto, as duas equipes tentaram 17 arremessos cada. Apesar do alto volume, o aproveitamento de ambas foi baixo. A Bélgica se sobressaiu graças às quatro bolas de três convertidas, que a colocaram na liderança por 20 a 13. A intensidade era a única semelhança entre as seleções. Havia uma clara diferença entre os estilos de jogo. Enquanto as europeias priorizavam o perímetro, as caribenhas tentavam de todos os modos: ataques próximo à cesta e arremessos de média e longa distância. A equipe, no entanto, seguia com dificuldades para converter seus chutes e viu o adversário sustentar a vantagem até o intervalo (40 a 32).

O equilíbrio se manteve após o intervalo, principalmente pelas atuações de Imani McGee-Stafford, responsável por dez dos 18 pontos de Porto Rico na parcial, e Trinity San Antonio, que contribuiu com outros seis. Em contraponto, a Bélgica teve maior distribuição na pontuação e manteve a diferença em 58 a 50 ao fim do terceiro período. Com duas cestas em cinco minutos no último período e 15 bolas de três convertidas ao longo da partida, as europeias chegaram a abrir 14 pontos e passaram a administrar o placar até confirmar a vitória por 76 a 64.

Quatro jogadoras belgas terminaram com mais de dez pontos. Lisowa Mbaka foi a principal pontuadora da equipe, com 16, enquanto Julie Vanloo marcou 15, todos em arremessos de três pontos. Julie Alleman anotou dígitos duplos em pontos (11) pontos e rebotes (dez).

A cestinha e maior reboteira do encontro foi a porto-riquenha Imani McGee-Stafford, com impressionantes 25 pontos e 14 rebotes.

Bélgica mostrou força coletiva na vitória contra Porto Rico (Foto: reprodução/Fiba)

 

Grupo D

China x Tchéquia

No duelo entre duas seleções que já foram vice-campeãs mundiais, China e Tchéquia fizeram uma partida de dois tempos distintos. As chinesas largaram melhor, mas Julie Pospisilova tomou conta do primeiro quarto, anotou 11 pontos e ajudou a colocar as europeias na frente. Elas mantiveram-se na ponta com quatro conversões de bolas triplas, fator diferencial para subir a diferença para 41 a 33 antes da pausa.

A China passou a trabalhar melhor o tempo de posse na terceira parcial. Além disso, mostrou eficiência no setor ofensivo e conseguiu dificultar as ações do oponente, que até teve maior volume de arremessos, mas apresentou baixa eficiência e converteu apenas cinco das 16 tentativas. No último quarto, as estratégias se inverteram. Atrás do placar, as asiáticas aceleraram as posses e basearam seu ataque nos tiros de longa distância. Apesar do parco aproveitamento, com apenas três acertos em 12 arremessos, a equipe reduziu a diferença. As europeias ainda lideravam, mas Yang Shuyu converteu uma bandeja a três segundos do fim e levou a partida para a prorrogação.

Enquanto a Tchéquia sentiu o empate, a China ganhou confiança, tomou conta do tempo extra desde o primeiro minuto e deslanchou para a vitória por 74 a 70.

Com um double-double imponente, a pivô Han Xu foi a principal pontuadora e reboteira da partida, com 22 pontos e 14 rebotes. Responsável pela cesta que levou o jogo à prorrogação, Yang Shuyu também teve papel importante, com 18 pontos e cinco assistências.

Eliska Joklova também anotou 18 pontos e foi a melhor atacante da Tchéquia no jogo. 

Yang Shuyu levou o jogo à prorrogação (Foto: reprodução/Fiba)

Estados Unidos x Itália

Os Estados Unidos aproveitaram a baixa eficiência da Itália, que converteu apenas três dos 14 arremessos tentados, e encaixaram uma corrida de 8 a 2 nos minutos finais do primeiro quarto, vencido por 19 a 8. Com a diferença na casa dos dez pontos, esperava-se que as principais favoritas ao título acelerassem o ritmo e deixassem o adversário comendo poeira. Entretanto, não foi o que aconteceu. A escuderia italiana reagiu e venceu o segundo período por 16 a 11. Desta vez, foram as estadunidenses que tiveram problemas no ataque. A equipe foi ao intervalo sem acertar nenhum arremesso de três pontos pela primeira vez em sua história nas Copas.

A Itália manteve o bom momento e virou o placar para 35 a 34, explorando os arremessos de média distância. Durante seis minutos, os Estados Unidos acertaram apenas um dos dez arremessos de quadra tentados. Sua primeira bola de três na partida caiu somente no fim do terceiro quarto, pelas mãos de Paige Bueckers. O jogo foi para o quarto decisivo com ligeira vantagem norte-americana por 42 a 39. As duas equipes seguiram enfrentando defesas bem ajustadas, o que dificultou a fluidez e a eficiência dos ataques. Arremessos desperdiçados, tentativas frustradas de jogadas individuais e poucos pontos. Para as italianas, seu desempenho defensivo pintou o cenário ideal e uma oportunidade real de impor a primeira derrota em 20 anos aos Estados Unidos em Copas do Mundo. Contudo, a atual tetracampeã, acostumada aos momentos de pressão, lidou melhor com a situação, emendou uma sequência de 6 a 2 nos minutos finais e trinfou por 55 a 52.

Entre as estadunidenses, apenas Jackie Young chegou aos dez pontos.

Cecilia Zandalisini novamente foi o principal ofensivo da Itália, com 14 pontos e sete rebotes.

A aguerrida equipe italiana brigou por cada bola durante o jogo contra os EUA (Foto: reprodução/Fiba)

 

Resultados do dia

Austrália 87 x 71 Turquia

China 74 x 70 Tchéquia

Bélgica 76 x 64 Porto Rico

Estados Unidos 55 x 52 Itália

 

 

 

Compartilhar
#Copa do Mundo#basquete#Estados Unidos#Itália#Austrália#Turquia#China#Tchéquia#Bélgica#Porto Rico