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Ex-treinador de natação da Irlanda é condenado a cadeia por crimes cometidos há quase meio século

Gibney treinou a equipe da Irlanda nos Jogos de 1984 e 1988

Regys Silva 4 min
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Ex-treinador de natação da Irlanda é condenado a cadeia por crimes cometidos há quase meio século
Foto: Mark Horgan

O ex-líder da equipe irlandesa de natação, George Gibney — que comandou o time nos Jogos de Los Angeles, em 1984, e de Seul, em 1988 —, foi condenado, no dia 12 de outubro, em Dublin, a 15 anos e seis meses de prisão por crimes sexuais cometidos contra quatro meninas.

A sentença foi proferida após uma audiência realizada em 27 de julho, na qual as sobreviventes relataram o impacto dos abusos. O juiz Mícheál O'Higgins adiou a definição da pena para outubro. Gibney, de 78 anos, compareceu ao tribunal em uma cadeira de rodas; o magistrado descreveu-o como um predador manipulador que se aproveitou de sua posição de autoridade.

No dia 6 de julho, um júri do Tribunal Criminal Central considerou Gibney culpado de 39 acusações de atentado ao pudor e uma acusação de tentativa de estupro, crimes ocorridos entre 1971 e 1981. No início do julgamento, ele já havia se declarado culpado de outras cinco acusações de atentado ao pudor. Os abusos ocorreram em piscinas, dentro de veículos e em residências — por vezes, enquanto ele levava as meninas para os treinos.

O juiz estabeleceu uma pena total de 16 anos e oito meses, sendo que os últimos 14 meses foram convertidos em pena suspensa. Portanto, Gibney cumprirá 15 anos e seis meses de reclusão, sob as normas prisionais habituais. O início do cumprimento da pena retroage a julho de 2025, data em que ele foi detido nos Estados Unidos. Ao definir a sentença, o tribunal levou em conta a reincidência e a gravidade dos crimes, bem como a idade de Gibney, seu estado de saúde debilitado e a admissão parcial de culpa.

A decisão foi proferida em primeira instância e cabe recurso; contudo, após o veredito de julho, a defesa afirmou que ele não contestaria a condenação. Não houve registro de aplicação de multas, determinações de indenização ou inabilitação profissional específica.

Nos termos da Lei de Ofensores Sexuais de 2001 (Sex Offenders Act 2001) da Irlanda, Gibney ficará sujeito, por tempo indeterminado, à obrigação de notificar a polícia sobre sua situação, sendo possível solicitar uma revisão judicial dez anos após sua soltura. Além disso, ele é obrigado a informar sua condenação ao se candidatar a vagas de emprego que envolvam, predominantemente, contato regular com crianças ou pessoas em situação de vulnerabilidade. Gibney fundou o Trojan Swimming Club, em Dublin, em 1976, e foi treinador da equipe da Irlanda nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, e de Seul, em 1988. Entre os nadadores que ele treinou estava Gary O'Toole, que conquistou a medalha de prata nos 200 metros nado peito no Campeonato Europeu de 1989. Sua posição no esporte lhe conferiu acesso a atletas e famílias que confiavam nele — uma posição que, segundo o tribunal, ele utilizou para cometer os crimes.

O processo criminal teve início em 1993, com 27 acusações, mas foi interrompido em 1994. A demora e a falta de precisão em algumas datas foram consideradas fatores que prejudicariam o direito do réu a um julgamento justo. A promotoria não recorreu, e o caso não prosseguiu. Não se tratou de uma absolvição, nem de uma decisão de que os crimes haviam prescrito. De acordo com a Seção 7 da Lei de Justiça Criminal da Irlanda de 1951, crimes graves dessa natureza não estão sujeitos a um prazo prescricional geral. Eles podem ser objeto de processo décadas mais tarde, desde que a demora não impeça a realização de um julgamento justo.

Após essa decisão, Gibney deixou a Irlanda, trabalhou como treinador na Escócia e, por fim, estabeleceu-se nos Estados Unidos. O podcast de 2020 "Where Is George Gibney?" ("Onde está George Gibney?"), produzido pela Second Captains em parceria com a BBC (British Broadcasting Corporation), incentivou quatro mulheres — que não faziam parte do processo original — a apresentarem denúncias. Esses relatos levaram a uma nova investigação, resultando em 79 acusações em 2023. Gibney foi preso na Flórida, em 2025, e extraditado para a Irlanda para ser julgado.

Uma das sobreviventes, Orla Poole, abriu mão de seu anonimato após a sentença e declarou: "Isso mostra que, mesmo depois de mais de 50 anos, é possível obter justiça". A delegada-chefe (Detective Chief Superintendent) Thelma Watters, da An Garda Síochána — a força policial nacional da Irlanda —, afirmou: "Os pais confiaram seus filhos a ele, esperando que estivessem seguros e bem cuidados; essa confiança foi gravemente traída". A Swim Ireland manifestou apoio às sobreviventes, declarando: "Nenhum nadador, criança ou família deveria, jamais, sofrer um dano como esse dentro do nosso esporte". A sentença chega décadas após os abusos e as primeiras denúncias. Para os sobreviventes, ela representa uma resposta judicial há muito aguardada; para o esporte, é um lembrete de que o prestígio e a autoridade de um treinador jamais devem se sobrepor à segurança daqueles que estão sob seus cuidados.

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#Irlanda#Estupro