O Surto Entrevista desta semana recebe o tricampeão mundial de karatê e recém-empossado presidente da Comissão Mundial de Atletas de Karatê, Douglas Brose. Gaúcho de Cruz Alta, a 336km da capital, Porto Alegre, ele é tido como um dos caratecas mais bem sucedidos e vitoriosos da história. Na carreira, venceu oito Campeonatos Pan-Americanos e foi medalhista de ouro em Toronto 2015, sendo também prata em Lima e bronze no Rio, Guadalajara e Santiago. Juntamente com a skatista Rayssa Leal, foram duas dos 31 eleitos como atleta inspiração dos Jogos Olímpicos da Juventude em Dakar, capital do Senegal.
Brose comentou de uma possível volta do karatê ao programa olímpico e como andam as discussões.
Bom, são duas, são duas, o processo olímpico vão ter duas fases. A primeira fase, ela tem a ver não só com a inclusão para Brisbane, mas também com a inclusão do karatê no circuito definitivo dos Jogos Olímpicos. Que é uma votação, que é um tipo de argumentação, logicamente que é uma argumentação bem mais complexa e um objetivo muito forte, um objetivo muito importante para nós, que seria entrar nos Jogos Olímpicos, mas não só como esporte adicional. Então, no próximo ano de 2027, durante, se não me engano, a Assembleia do Comitê Olímpico Internacional, que se eu não me equivoco vai ser em abril, em Punta Cana, teremos aí a decisão de alguns esportes que podem entrar ou sair dos Jogos Olímpicos, naquela primeira linha definitiva dos esportes que já são definitivos, e também temos aí essa possibilidade e esse trabalho junto ao Comitê Organizador de Brisbane 32. E eu vejo que, pelas últimas conversas que nós tivemos, encontros que a própria Federação Mundial teve com os diretores esportivos, com o próprio Comitê Olímpico Internacional, o karatê tem números impressionantes. Se nós pegarmos os Jogos Olímpicos de Tóquio, o karatê tem números muito bons, tanto de audiência e principalmente quanto a números de representatividade. Nós somos um esporte literalmente universal. Para você ter uma ideia, nós tivemos oito categorias em disputa. Em Tóquio 2020, 2021, e dessas oito categorias em disputas, nós tivemos oito medalhas de ouro para diferentes países. Então, isso prova que não é um esporte que é dominado pelo país X, é um esporte que é universal, e eu acho que isso é um grande indício e um grande valor que estamos usando e que o Comitê Olímpico com certeza vai analisar isso, que prova que o nosso esporte é um esporte universal, e pelos números que nós apresentamos, temos conversas excelentes junto aos organizadores. Lógico, todos os outros esportes também estão fazendo a sua parte, também estão trabalhando, e a gente espera que nesses próximos meses a gente consiga apresentar bons resultados para o Comitê Olímpico Internacional, dos últimos eventos que nós tivemos esse ano, para chegar a essa decisão e, quem sabe, ter essa grata possibilidade de voltar aos Jogos Olímpicos em 32.
Douglas Brose também falou da responsabilidade de ser presidente de um órgão que é o elo entre caratecas e o Comitê Olímpico Internacional (COI).
Exato. Inclusive, hoje eu estava em reunião porque, em breve, estou indo para os Jogos Olímpicos da Juventude como atleta modelo, presidente da Comissão Mundial de Atletas, e lá vou ter a oportunidade de encontrar pessoas muito importantes que podem, e que são responsáveis pelo esporte olímpico, que são responsáveis em, quem sabe, decidir se o karatê pode estar presente ou não nos próximos Jogos Olímpicos de 2032, na Austrália. Além de, logicamente, representar uma comunidade gigantesca de atletas do karatê mundial e fazer esse elo com o Comitê Olímpico Internacional. Inclusive, tivemos uma possível reunião com a presidente Christy do Comitê Olímpico Internacional. Uma responsabilidade muito grande, mas nada diferente do que eu já faço, do que eu já amo, que é a minha modalidade, que é representar os atletas. Agora, logicamente, não só com muito mais responsabilidade institucional, mas também muito mais motivado de conseguir me devolver um pouco do que o karatê me deu e, quem sabe, ajudar de qualquer maneira que eu possa essa próxima geração do karatê mundial.
Confira outras respostas de Douglas Brose:
As projeções para os Jogos da Juventude em Dakar, no Senegal:
Bom, é um jogo que... a última edição dos Jogos foi em 2018, na Argentina. Depois nós tivemos... era para ter os Jogos Olímpicos depois, acabou que teve a pandemia, então tudo isso acabou atrasando um pouco, e agora a gente volta com essa próxima edição dos Jogos Olímpicos da Juventude. Eu, como atleta modelo, uma grata alegria que eu tenho de poder representar e mostrar um pouco mais a minha modalidade. Nós vamos ter praticamente 10 a 12 dias de demonstração do Karatê, então nós vamos estar no dia 1, principalmente dia 31 de outubro é a abertura dos Jogos Olímpicos, e dia 1 de novembro é o Focus Day, que vai ser específico para o Karatê. Então, lá na área de demonstração dos esportes, nós vamos ter uma arena muito grande em Dakar de demonstração desses novos esportes. Nós vamos estar no palco principal, no dia 1 de novembro, mostrando o Karatê, inclusive com a presença da presidente do Comitê Olímpico Internacional, Christy. Depois nós vamos ter alguns outros dias no programa de engajamento, onde a gente vai receber mais de 10 mil alunos das escolas e de projetos da cidade de Dakar, talvez até do entorno do país, e acho que vai ser uma excelente oportunidade, logicamente uma responsabilidade que eu vou carregar com muito orgulho, de representar o Karatê, de mostrar um pouco mais da nossa modalidade para os Jogos Olímpicos da Juventude. Hoje, inclusive, nós estivemos nos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018, disputando medalhas, mas agora para Dakar, voltamos para o programa de engajamento e a gente espera que, quem sabe, para os próximos eventos Olímpicos também o Karatê volte a essa disputa de medalhas.

