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EXCLUSIVO: Douglas Brose comenta sobre conversas da WKF com comitê de Brisbane 2032 para volta do karatê ao programa olímpico

Recém-chegado a presidência da Comissão Mundial de Atletas de Karatê, tricampeão mundial concede entrevista exclusiva ao Surto Olímpico e fala de possível retorno do karatê as Olimpíadas

João Hudson 11 min
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EXCLUSIVO: Douglas Brose comenta sobre conversas da WKF com comitê de Brisbane 2032 para volta do karatê ao programa olímpico
Foto: divulgação/francisco della manna

O Surto Entrevista desta semana recebe o tricampeão mundial de karatê e recém-empossado presidente da Comissão Mundial de Atletas de Karatê, Douglas Brose. Gaúcho de Cruz Alta, a 336km da capital, Porto Alegre, ele é tido como um dos caratecas mais bem sucedidos e vitoriosos da história. Na carreira, venceu oito Campeonatos Pan-Americanos e foi medalhista de ouro em Toronto 2015, sendo também prata em Lima e bronze no Rio, Guadalajara e Santiago. Juntamente com a skatista Rayssa Leal, foram duas dos 31 eleitos como atleta inspiração dos Jogos Olímpicos da Juventude em Dakar, capital do Senegal.

Brose comentou de uma possível volta do karatê ao programa olímpico e como andam as discussões.

Bom, são duas, são duas, o processo olímpico vão ter duas fases. A primeira fase, ela tem a ver não só com a inclusão para Brisbane, mas também com a inclusão do karatê no circuito definitivo dos Jogos Olímpicos. Que é uma votação, que é um tipo de argumentação, logicamente que é uma argumentação bem mais complexa e um objetivo muito forte, um objetivo muito importante para nós, que seria entrar nos Jogos Olímpicos, mas não só como esporte adicional. Então, no próximo ano de 2027, durante, se não me engano, a Assembleia do Comitê Olímpico Internacional, que se eu não me equivoco vai ser em abril, em Punta Cana, teremos aí a decisão de alguns esportes que podem entrar ou sair dos Jogos Olímpicos, naquela primeira linha definitiva dos esportes que já são definitivos, e também temos aí essa possibilidade e esse trabalho junto ao Comitê Organizador de Brisbane 32. E eu vejo que, pelas últimas conversas que nós tivemos, encontros que a própria Federação Mundial teve com os diretores esportivos, com o próprio Comitê Olímpico Internacional, o karatê tem números impressionantes. Se nós pegarmos os Jogos Olímpicos de Tóquio, o karatê tem números muito bons, tanto de audiência e principalmente quanto a números de representatividade. Nós somos um esporte literalmente universal. Para você ter uma ideia, nós tivemos oito categorias em disputa. Em Tóquio 2020, 2021, e dessas oito categorias em disputas, nós tivemos oito medalhas de ouro para diferentes países. Então, isso prova que não é um esporte que é dominado pelo país X, é um esporte que é universal, e eu acho que isso é um grande indício e um grande valor que estamos usando e que o Comitê Olímpico com certeza vai analisar isso, que prova que o nosso esporte é um esporte universal, e pelos números que nós apresentamos, temos conversas excelentes junto aos organizadores. Lógico, todos os outros esportes também estão fazendo a sua parte, também estão trabalhando, e a gente espera que nesses próximos meses a gente consiga apresentar bons resultados para o Comitê Olímpico Internacional, dos últimos eventos que nós tivemos esse ano, para chegar a essa decisão e, quem sabe, ter essa grata possibilidade de voltar aos Jogos Olímpicos em 32.

Douglas Brose também falou da responsabilidade de ser presidente de um órgão que é o elo entre caratecas e o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Exato. Inclusive, hoje eu estava em reunião porque, em breve, estou indo para os Jogos Olímpicos da Juventude como atleta modelo, presidente da Comissão Mundial de Atletas, e lá vou ter a oportunidade de encontrar pessoas muito importantes que podem, e que são responsáveis pelo esporte olímpico, que são responsáveis em, quem sabe, decidir se o karatê pode estar presente ou não nos próximos Jogos Olímpicos de 2032, na Austrália. Além de, logicamente, representar uma comunidade gigantesca de atletas do karatê mundial e fazer esse elo com o Comitê Olímpico Internacional. Inclusive, tivemos uma possível reunião com a presidente Christy do Comitê Olímpico Internacional. Uma responsabilidade muito grande, mas nada diferente do que eu já faço, do que eu já amo, que é a minha modalidade, que é representar os atletas. Agora, logicamente, não só com muito mais responsabilidade institucional, mas também muito mais motivado de conseguir me devolver um pouco do que o karatê me deu e, quem sabe, ajudar de qualquer maneira que eu possa essa próxima geração do karatê mundial.

Confira outras respostas de Douglas Brose:

As projeções para os Jogos da Juventude em Dakar, no Senegal:

Bom, é um jogo que... a última edição dos Jogos foi em 2018, na Argentina. Depois nós tivemos... era para ter os Jogos Olímpicos depois, acabou que teve a pandemia, então tudo isso acabou atrasando um pouco, e agora a gente volta com essa próxima edição dos Jogos Olímpicos da Juventude. Eu, como atleta modelo, uma grata alegria que eu tenho de poder representar e mostrar um pouco mais a minha modalidade. Nós vamos ter praticamente 10 a 12 dias de demonstração do Karatê, então nós vamos estar no dia 1, principalmente dia 31 de outubro é a abertura dos Jogos Olímpicos, e dia 1 de novembro é o Focus Day, que vai ser específico para o Karatê. Então, lá na área de demonstração dos esportes, nós vamos ter uma arena muito grande em Dakar de demonstração desses novos esportes. Nós vamos estar no palco principal, no dia 1 de novembro, mostrando o Karatê, inclusive com a presença da presidente do Comitê Olímpico Internacional, Christy. Depois nós vamos ter alguns outros dias no programa de engajamento, onde a gente vai receber mais de 10 mil alunos das escolas e de projetos da cidade de Dakar, talvez até do entorno do país, e acho que vai ser uma excelente oportunidade, logicamente uma responsabilidade que eu vou carregar com muito orgulho, de representar o Karatê, de mostrar um pouco mais da nossa modalidade para os Jogos Olímpicos da Juventude. Hoje, inclusive, nós estivemos nos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018, disputando medalhas, mas agora para Dakar, voltamos para o programa de engajamento e a gente espera que, quem sabe, para os próximos eventos Olímpicos também o Karatê volte a essa disputa de medalhas.

Uma visão sobre o cenário do karatê no mundo

Bom, a Federação Mundial de Karatê, são poucas as federações internacionais responsáveis pelo regio esporte mundial que conseguem fazer o que a nossa Federação Mundial faz. Se o nosso público tiver a oportunidade de depois buscar na internet as nossas ligas mundiais, que é a Karatê One Premier League, vão ver, são quatro etapas que a gente tem da Karatê One Premier League, depois nós temos mais praticamente cinco etapas da Série A, além de cinco, seis etapas da Youth League, que é uma liga mundial das categorias de base para os mais novos. Então, acho que nós temos um calendário de eventos muito forte, temos apresentado eventos que são de altíssimo nível, cada vez mais a gente tem uma participação da juventude, de atletas mais novos participando, então a gente vê como o público mais jovem está engajado com o Karatê, pelas nossas redes sociais a gente consegue sentir um pouco como esse público mais jovem do Karatê é um público muito apaixonado pela modalidade e mostra, mais uma vez, o quão universal o nosso esporte é. Então, nós temos praticamente, se eu não me engano, 201 países que são vinculados à Federação Mundial, que é a World Karatê Federation. Então, imagina, são 201 países, nesse último Campeonato Mundial, se eu não me engano, tínhamos mais de 120 países participantes. É muito legal ver que a nossa modalidade está em um patamar tão alto, mesmo não estando momentaneamente no circuito olímpico, dos Jogos Olímpicos, mas temos participações da nossa Federação em Jogos Sul-Americanos, Jogos Pan Americanos, Jogos Europeus, Jogos Asiáticos, são Jogos Olímpicos continentais. Então, acredito que isso mostra o quão bom que está a Federação Mundial. Acredito que, nesses últimos 3, 4, 5 anos, o Karatê da Federação Mundial evoluiu muito e deve seguir nesse ritmo até chegarmos e alcançarmos o nosso objetivo principal, que é voltar para os Jogos Olímpicos.

A nova safra do karatê no Brasil

Sim, sempre temos muitos atletas bons, tem muitos talentos que aparecem em diferentes partes do nosso país. Lógico, chega uma idade, 16, 17 anos, é uma idade bem complicada, porque começa uma pressão um pouco maior familiar, às vezes de namorada, de namorado, e aí às vezes cai nesse ponto que a chave tem que virar. Está fazendo 18 anos também, mas a gente tem uma geração muito boa, cada vez mais nós temos que buscar formas de fomentar a nossa modernidade. Muitos dessa nova geração, muitas vezes, acabam parando ou com dificuldade de se manter dentro do esporte, principalmente em termos de viagens, em termos de competições, que acaba aumentando um pouco o custo dessa carreira. O esporte em si é um esporte muito barato de se praticar. O cara tem um esporte muito acessível para se praticar. O que acaba realmente dificultando mais é quando você começa a atingir alguns níveis que tem que ir para competições nacionais, enfim, internacionais, isso acaba aumentando bastante o custo. E ainda não temos, momentaneamente, grandes patrocinadores ou investimento que possa financiar isso de uma forma homogênea para todos os atletas em todos os estados, mas isso é uma coisa que eu particularmente quero batalhar para que esses novos talentos e essa geração boa que está vindo não seja perdida por, às vezes, problemas que são, eu entendo, que às vezes são problemas de conseguir se manter dentro da modalidade, mas isso é algo que a gente tem que trabalhar para que a gente não perca essa grande e essa ótima geração que está a caminho.

A alegria de ser tricampeão mundial

Bom, uma alegria, logicamente, acho que é o objetivo de todo atleta de alto rendimento, é ser o melhor do mundo. Eu tive a grata felicidade de conseguir alcançar esse posto três vezes, em três diferentes épocas da minha vida, também tive, às vezes não aparece tanto, mas também tive uma prata e um bronze, ou seja, foram aí cinco medalhas em campeonatos mundiais, é um feito que não é muito comum você ver isso em modalidades de luta e outras modalidades também. Então, foi algo, acho que foi muito legal, porque eu consegui levar não só o nome da minha academia, não o nome dos meus amigos ou da minha família, mas principalmente o nome do meu estado, o nome do meu país. Então, chegar a competir na Europa ou em outros continentes onde o Brasil não era visto com uma grande potência dentro dessa modalidade, dentro do karatê, e conseguir chegar e mostrar que o Brasil, a partir daquele momento ali, se tornava uma, não vou dizer uma potência, mas que tinham referências também da modalidade dentro do meu país. Então, acho que essa foi uma das grandes alegrias que eu tive, que foi poder levar não só o nome do Doulos, mas o nome do Brasil nos tatames do mundo

Karatê Kid e filmes de Jean Claude Van Damme: as influências nas artes marciais

Bom, meu nome é Douglas Brose, sou atleta e praticante de Karatê desde os meus sete anos de idade. E o Karatê entrou na minha vida como mais um esporte que eu gostava de praticar. Eu pratiquei muitos esportes na minha infância e o Karatê acho que era um dos esportes que eu mais tive, mais me apaixonei assim que comecei a prática. Comecei motivado e influenciado por filmes de luta, por séries, hoje logicamente com a série, mas na época Karatê Kid ou os filmes do Van Dyne. Então acho que esses foram os grandes incentivadores para eu buscar, não especificamente o Karatê, mas para eu buscar as artes marciais e aí eu dei muita sorte do Karatê aparecer na minha vida. Primeiro num clube próximo da minha casa, onde eu fiz uma ou duas aulas particulares, era do clube ali, então eu fiz uma ou duas aulas ali com alguns amigos. E aí, posteriormente, o professor Eduardo, que foi o meu primeiro professor, aí já por um longo período, ele por coincidência da vida apareceu na escola onde eu estudava, que era no colégio de tradição, oferecendo a modalidade de Karatê, vendendo a modalidade de Karatê no contraturno da escola. Então eu lembro que ele ainda pediu, durante a apresentação ele ainda perguntou quem já tinha praticado a modalidade de Karatê, ou já tinha feito alguma aula experimental. Eu lembro que eu levantei a mão, estou orgulhoso que já tinha feito uma ou duas aulas. E depois daquele ponto ali, todos os meus amigos começaram a praticar da escola, então acabou que eu fui me apaixonando cada vez mais pela modalidade. E como meus amigos já estavam ali, mais do que nunca, eu fiquei mais motivado ainda para continuar treinando e dali eu fiz grandes amigos, muitos foram para a Seleção Brasileira e tal, muitos foram parando pelo meio do caminho, eu fui continuando e cheguei aí no status onde eu cheguei hoje com o título de três vezes campeão mundial, hoje atleta modelo para os Jogos Olímpicos de Dakar e também presidente da Comissão Mundial de Atletas.

O Instituto Douglas Brose

Bom, a gente tem hoje o Instituto Douglas Brose, que a gente está reformulando. Por muitos anos eu captei recurso para com que eu pudesse financiar as minhas próprias viagens e ir atrás de recursos desincentivos públicos. Então, eu tive a grata felicidade de estar em um estado que por muitos anos, que a Santa Catarina, que por muitos anos apoiou o esporte catarinense por diferentes programas, em específico, um dos programas que eu fui beneficiado foi pelo programa Fundo Esporte. Hoje ele meio que se alterou para o sistema de bolsas atletas e tal, mas foi um programa que me ajudou muito e, ao mesmo tempo, eu tinha que captar esses recursos, fazer todo o trâmite jurídico de projetos, ao mesmo tempo treinar. Então, eu consegui fazer isso e isso financiou muito a minha carreira e isso me abriu muitas portas para a minha vida até pós-karatê. E hoje, com essa nova reformulação do instituto, a ideia é com que a gente consiga fazer esse mesmo trabalho, porém com o próximo, com outros atletas que talvez não tiveram, quem sabe, a mesma felicidade que eu, de ser um pouco mais proativo, de ser um pouco mais determinado em ter que fazer três, quatro coisas ao mesmo tempo, mas é, quem sabe, utilizar isso como forma de incentivar essa próxima geração de atletas que está vindo aí, não só no estado de Santa Catarina, logicamente, que é o estado onde me deu tudo, mas, quem sabe, também no Brasil inteiro, para poder auxiliar esses atletas que são amantes também do karatê e sonham em chegar dentro da nossa federação mundial, que é a World Karatê Federation, e se tornar um campeão mundial.

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