Surto Olímpico
Voltar

EXCLUSIVO: Humberto Simão relembra começo no futebol feminino por meio de Camilla Orlando e fala de continuidade nos cargos na modalidade

Técnico das Bragantinas concede entrevista exclusiva ao Surto Olímpico e fala desde a longevidade nos cargos em clubes a expansão gradual da Série A1 que se conclui em 2027

João Hudson 19 min
Compartilhar
Extrema/MG; Brasil; CT Amoreiras; 25/09/2026; Treino Red Bull Bragantino; Na foto, Humberto Simão;
Extrema/MG; Brasil; CT Amoreiras; 25/09/2026; Treino Red Bull Bragantino; Na foto, Humberto Simão;Foto: carla cenci/red bull bragantino

E prosseguem as entrevistas com os nomes que fazem o futebol feminino crescer no Brasil. Desta vez, você poderá acompanhar uma entrevista com Humberto Simão, técnico do Red Bull Bragantino. Carioca de Nova Friburgo, Humberto Simão Dias Paulo tem 36 anos de idade e está no Massa Bruta desde 2021, quando começou como auxiliar técnico, sendo efetivado no cargo de treinador desde 2024.

Antes, porém, ele trilhou caminho no futebol feminino dos Estados Unidos, exercendo cargos no TetraBrazil Soccer Academy, Euro FC e Minnesota Rush. Coordenador técnico, auxiliar técnico e por vezes, treinador. Humberto Simão, técnico das Bragantinas é o entrevistado na marca da exclusividade pelo Surto Olímpico.

O começo da relação Humberto Simão-futebol feminino

Para começar, Humberto falou de quando ele foi apresentado ao futebol feminino, por um rosto muito conhecido na modalidade: Camilla Orlando, que a época estava no Bragantino e hoje treina a Seleção Feminina sub-20.

Desde que eu fui trabalhar nos Estados Unidos, eu já tive o contato com as categorias femininas, porque no clube em que eu trabalhava, na empresa em que eu trabalhava, sempre existiam as equipes femininas e as equipes masculinas. Eu tive mais contato ao longo do tempo durante os Estados Unidos com as equipes masculinas, mas em algumas temporadas eu acabei trabalhando com equipes femininas. E foi nos Estados Unidos que eu conheci a Camilla Orlando, atual treinadora da Seleção Sub-20. Eu fui coordenador técnico dela em um clube. E quando eu retornei para o Brasil, no final de 2020, ela soube do meu retorno, ela já estava no Red Bull Bragantino, e ela me fez o convite para participar do processo seletivo do Red Bull Bragantino no futebol feminino. Na época, eu topei o desafio mais pela instituição do que pelo futebol feminino em si, eu não conhecia o futebol feminino do Brasil, e quando eu chego no Red Bull Bragantino e quando eu conheço todo o ambiente do futebol feminino, eu, de fato, me encontro. Então, eu entro mesmo no futebol feminino a partir de 2021, quando eu venho para o Red Bull Bragantino, e hoje eu me vejo muito realizado de fazer parte dessa história de crescimento e evolução que é o futebol feminino do Brasil.

O começo da relação profissional entre Humberto e Camilla

Humberto também falou sobre o começo da relação profissional entre ele e à época, colega de clube. Esta relação começou quando ele era coordenador técnico de uma equipe feminina dos Estados Unidos, vindo a ficar mais forte em 2020, quando Camilla formaliza o convite a Humberto para que ele fosse não só seu auxiliar técnico no time profissional, como também o técnico da equipe de base.

Então, a minha relação com ela começa em 2016 ou 2017, já não me recordo, ela foi trabalhar por uma temporada na equipe onde eu era coordenador técnico na época, e lá a gente conheceu o trabalho um do outro, lá a gente estreitou os laços, eu não a conhecia antes, ela só ficou uma temporada e retornou para o Brasil, eu continuei lá até o final de 2020, e aí quando eu retorno e ela sabe do meu retorno, ela faz esse convite para ser o auxiliar dela na equipe profissional e também para comandar a equipe de base, que na época não existia, então era fazer toda essa função da criação da categoria, e desde sempre ela me falou que o futebol feminino era algo que ainda estava em desenvolvimento, era algo que a gente precisava nos dedicar muito, pensando não só no presente, mas no futuro da modalidade, no futuro da categoria, mas que era um ambiente muito prazeroso, muito bom de se trabalhar, e com certeza é esse ambiente, então acho que eu conheci, que ela me apresenta mais a fundo a partir do dia a dia, quando a gente começa a trabalhar junto, quando a gente começa a ter os desafios diários, da modalidade em si, e é quando eu começo a ter mais ciência do que é o futebol feminino e do tamanho da responsabilidade que a gente tem pela frente.

As experiências nos Estados Unidos

Humberto falou das experiências que teve nas equipes femininas dos Estados Unidos. O treinador do Bragantino afirmou que elas foram úteis para seu desenvolvimento enquanto pessoa, levando em conta que "a mentalidade quanto ao futebol feminino no país norte-americano é distinta, a modalidade é massificada e tratada como política de estado".

Eu acho que ter conhecido não só o futebol dos Estados Unidos, mas toda a cultura americana se fez muito importante para o meu desenvolvimento como pessoa até, muito mais do que como treinador, como conceitos de jogo, como tática, estratégia, eu acho que o meu desenvolvimento como ser humano, num país onde a mentalidade é completamente diferente, é um país onde o esporte é tratado como política de Estado mesmo, onde eles buscam massificar toda uma modalidade, é onde o respeito e o trabalho duro está dentro da cultura do esporte do país, e com certeza isso me ensinou muito, de sempre buscar o profissionalismo, sempre buscar a excelência, sempre buscar fazer o nosso melhor, que a gente conquista através do trabalho duro, é o trabalho duro que molda o nosso caráter, que molda o nosso dia a dia, então eu tenho certeza que ter conhecido uma sociedade muito séria, muito responsável, foi muito importante para o meu desenvolvimento como treinador de futebol.

O equilíbrio do Brasileirão Feminino em 2026

Simão também teceu comentários sobre o equilíbrio visto na edição de 2026 do Brasileirão Feminino. Ele falou que diante do crescimento de equipes como Bahia, Flamengo e Internacional, o Bragantino não pode se dar ao luxo de oscilar e que, com esta competitividade, quem ganha é o futebol feminino.

Bom, esse campeonato de fato foi extremamente equilibrado, e vai continuar sendo, as equipes hoje desempenham um grande trabalho, não só com qualidade de atletas, mas com qualidade de estrutura, com tecnologia, com qualidade de comissão técnica, então foi-se o tempo onde teríamos duas equipes somente brigando, a gente vê o Red Bull numa crescente, a gente vê o Bahia chegando, o Flamengo que não vinha chegando, chegando a uma semifinal, e eu acredito que essa será a tônica nos próximos anos, muito equilíbrio, muita competitividade, e todos nós a gente sai ganhando com isso, a gente não pode oscilar, a gente precisa buscar o nosso melhor sempre, porque com certeza tem muitas equipes que vão estar fazendo um grande trabalho pela frente. Em relação ao Red Bull Bragantino, eu acredito que foi um ano onde a gente teve melhorias em alguns pontos, e pecamos em outros pontos, então esse ano a gente fez o nosso maior número de vitórias, esse ano a gente marcou o nosso maior número de gols, esse ano a gente aumentou a nossa expectativa de gols nas partidas, esse ano a gente conseguiu ter mais a bola do que no ano anterior, mas em contrapartida também nós sofremos mais defensivamente, então apesar disso foi um ano onde perdemos mais, a gente não conseguiu fazer com que alguns jogos que pudessem ser vitórias ou empates, acabaram sendo derrotas, e isso foi o que custou muito caro, o que custou a nossa classificação, apesar de todos esses números melhores que tivemos na competição, e eu acredito que isso também é consequência de uma competição mais equilibrada, a gente vê o Cruzeiro que ano passado foi finalista da competição, esse ano brigando muito para conseguir a classificação, então todas as equipes estavam ali tendo que estar no seu melhor o tempo todo para atingir seus objetivos. Infelizmente não foi possível para nós a classificação no Campeonato Brasileiro, mas foi um grande aprendizado para a gente ter em mente quem somos, o que precisamos fazer e o que a gente quer apresentar como jogo.

A longevidade nos cargos no futebol feminino

O treinador também foi perguntado sobre a longevidade nos cargos em meio a uma lógica extremamente resultadista do futebol nos dias atuais. Não está dando resultado? Fora. Está vingando? Continua.

Eu estou na quinta, ano que vem vai ser minha sexta temporada no Red Bull Bragantino. Eu acredito que é isso, quando a gente quer evoluir, quando a gente busca melhorar, quando a gente não aceita o que tem e busca fazer mais e melhor, a continuidade é muito importante para a gente de fato colher os frutos a longo prazo. O Red Bull Bragantino é um clube onde ele pensa sempre a longo prazo, e não só nessa competição, e não só nesse ano, e é uma convergência de ideias. Eu tenho ideias tanto de jogo, mas como de longo prazo, como ideias de futebol muito convergentes mesmo com a empresa, com a marca. Então eu acho que isso faz com que a gente se mantenha juntos nessa parceria por tanto tempo, mas é porque a gente vê a evolução ano a ano, a gente quer ser melhor ano a ano. Eu costumo dizer que eu não sou um Humberto de 2022, Humberto de hoje não é o Humberto do ano passado, e Humberto de hoje não é o Humberto do primeiro semestre. É uma evolução constante, é uma inquietude constante, onde a gente precisa estar o tempo todo evoluindo, melhorando, para entregar o melhor possível para a instituição.

Copa Paulista: dos vices e batidas na trave a revanche e título

O técnico das Bragantinas enfatizou a importância da conquista da Copa Paulista Feminina no ano de 2025, batendo justamente o Santos, que havia sido seu algoz na final em 2024. Desde 2022, o Bragantino esteve em todas as finais de Copa Paulista.

Foto: Fernanda Luz/Ag. Paulistão

Essa conquista foi muito importante para o Red Bull Bragantino. A gente nunca tinha ganhado a Copa Paulista. Desde 2022 a gente chega na final da Copa Paulista e sempre com vice campeonato. Em 2022 foi contra Corinthians, em 2023 foi contra Ferroviária, em 2024 foi contra o Santos, em 2025 foi contra o Santos. E ela se fez muito emblemática, porque em 2024 a gente chega à final da Copa Paulista, a gente tem um primeiro jogo em casa, onde a gente tem uma partida excelente contra o Santos, onde a gente vence de 4x1, chega na Vila Belmiro e a gente perde o campeonato por 3x0 e acaba que nos pênaltis a gente fica com o vice-campeonato. Então o título do ano passado foi muito importante para a gente ter a nossa primeira conquista, mas também para dar a resposta do ano anterior. Eu acho que tinha que ser contra o Santos, tinha que ser dentro da Vila Belmiro, porque de fato a gente fez um jogo em 24 muito abaixo, a gente sentiu muito o jogo e eu acho que essa foi ano passado a vitória, o título do ano passado foi uma resposta muito importante para nós mesmos de virar essa página, de ter essa primeira conquista e é claro que foi uma conquista muito importante, mas o nosso olhar está sempre para o Paulistão e não para a Copa Paulista.

Título da Copa Paulista: divisor de águas ou não?

Ao ser perguntado se a Copa Paulista Feminina que o Bragantino conquistou em 2025 seria um divisor de águas no projeto, Humberto rechaçou, falando da coerência do planejamento da Red Bull e citando o exemplo de 2022: quando rebaixado para a Série A2, o Bragantino não demitiu nenhum de seus funcionários, incluindo a treinadora da equipe.

Eu acho que o título em si não é um divisor de águas, o Red Bull Bragantino trabalha com um planejamento muito coerente, ano a ano, muito sério, eu acho que não é o fato de ter ganhado a Copa Paulista que vai nos dar alguns ou outros objetivos ou se é o ano que a gente perdeu, se poderia nos prejudicar em algum outro planejamento, a gente não faz futebol dessa maneira, o nosso futebol é pensando no médio, no longo prazo e buscando melhorias sempre, então se a gente vence, a gente precisa ser melhor ainda, se a gente não vence a gente precisa trabalhar mais para ser melhor ainda e eu costumo usar como exemplo que em 2022 o Red Bull Bragantino foi rebaixado para A2 e nem por isso nós funcionários fomos demitidos, a treinadora não foi demitida, ninguém da Comissão Técnica foi demitido, muito pelo contrário, o clube repensou o planejamento, melhorou, precisava melhorar, a gente faz um ano de 2023 melhor e aí a gente chega em 2024 de volta na A1 com muito mais condições de disputar, tanto é que a gente já se classifica entre as oito primeiras equipes nesse retorno para a Série A1, então a empresa tem um planejamento muito coerente, muito sólido, muito pensado mesmo para que ano a ano a gente consiga buscar novos desafios.

O trato da Red Bull para com o futebol feminino

Simão falou do trato da Red Bull com o futebol feminino e se, no entendimento dele, há alguma evolução na modalidade.

Infelizmente ainda acontece, infelizmente ainda vai acontecer, infelizmente é parte de um processo, mas acredito que a gente está virando isso, as coisas vêm mudando, o futebol feminino brasileiro está evoluindo muito rápido. Às vezes, por a gente estar tão imerso, a gente acaba não tendo a dimensão da evolução. A gente acabou de ter aí 49 mil pessoas no Morumbi, a gente acabou de ter aí o São Paulo campeão vencendo o Corinthians dentro da Neoquímica Arena e empatando no Morumbi. Então, eu acho que é muito reflexo de todo esse trabalho. As equipes estão se estruturando, as equipes estão investindo em tecnologia, em pessoal, em comissão técnica, em estrutura de trabalho. Isso é consequência da mudança de olhar também, porque por mais que tenha se investido mais por ser obrigatoriedade, os clubes estão fazendo. Temos um longo caminho a percorrer, a gente não pode parar de crescer, a gente precisa continuar buscando melhoria sempre, mas a gente não pode esquecer que a gente está melhorando, porque se a gente, como eu falei até da própria empresa Red Bull, se a gente não entender onde estamos e que estamos evoluindo, a gente corre o risco de se perder no meio do caminho, porque tudo tem o seu tempo, tudo tem o seu processo. Essa melhoria, esse crescimento precisa ser gradual, porque nada adianta a gente fazer um crescimento exponencial, sem planejamento, sem retorno, sem o crescimento de quem consome, sem o crescimento das marcas acompanhando, e ali na frente tudo ruir, a gente ter que dar sete passos para trás novamente, recomeçar com todo o trabalho. Então, eu não estaria falando isso se eu não tivesse vendo um crescimento constante, mas ele está acontecendo, a gente vê, e a gente precisa continuar buscando mais crescimento ainda, porque a gente sabe que o futebol feminino tem muito a entregar para a sociedade como comercialização, como entretenimento, enfim, tudo o que gira em torno do futebol.

A expansão da Série A1 para 20 equipes em 2027

Humberto também ressaltou o aumento na qualidade e competitividade da Série A1 com a sua expansão para 20 equipes em 2027, além do preenchimento no calendário e iminentes melhorias na estrutura. Vasco, Itabirito, Atlético Piauiense e Minas Brasília se juntam a outros dezesseis times que estarão na elite do futebol feminino no ano da Copa do Mundo Feminina no Brasil.

A CBF entendeu que precisava de fato aumentar o número de equipes na primeira divisão, para aumentar na segunda divisão, para gerar mais demanda, para puxar as equipes de baixo também e dar mais calendário para elas. Para nós que estamos na A1, é muito bom, porque preenche, por mais tempo calendário, temos mais equipes disputando, são mais jogos, e isso demanda mais estrutura, melhor elenco, melhor planejamento, a gente vai no caminho da profissionalização, então a gente se aproxima do modo como é feito no masculino, tirando a questão de ser ida e volta, mas a gente já se assemelha na quantidade de equipes, na quantidade de descensos e quantidade de equipes que sobem, então acredito que é mais um passo no desenvolvimento do futebol feminino no longo prazo, ter mais equipes disputando, ter mais equipes brigando por acesso, brigando contra o descenso, brigando por classificação, e isso tende a aumentar a competitividade do campeonato, e aumentando a competitividade, aumenta a qualidade do jogo, sem dúvida alguma.

A intertemporada de Humberto Simão na Alemanha e Áustria

Neste período sem jogos do Bragantino, Humberto Simão fez uma intertemporada viajando para Alemanha e Áustria, onde conheceu as equipes femininas do Leipzig e RB Salzburg. O intuito, segundo ele, era estar imerso na filosofia da empresa sobre o futebol feminino, ainda que sejam em continentes diferentes.

Eu tirei esse período que seria uma mini férias para a gente, depois do fim da primeira fase do Campeonato Brasileiro, para conhecer as equipes femininas do Red Bull Leipzig e do Red Bull Salzburg. O meu objetivo com essa viagem foi, de fato, me emergir mesmo na empresa, na Red Bull, na filosofia da Red Bull, já que a gente está em outro continente, a gente está bem distante, apesar de a gente ter muito contato, muita proximidade, o relacionamento entre os funcionários da empresa serem muito próximos, a gente acaba estando um pouco distante, então aproveitei para conhecer a estrutura do Leipzig, a estrutura do Salzburg, as comissões técnicas, como o trabalho é conduzido, fazer um comparativo de como estamos fazendo, como eles estão fazendo, entender as estruturas, entender o nível das equipes, iniciar um intercâmbio de ideias mesmo, para a gente compartilhar as nossas conquistas, as nossas dores a fim de melhorar para todos nós, e foi muito importante para mim, para eu me reconectar, me conectar ainda mais com o que a Red Bull, como empresa, ela pensa o futebol, ela pensa o dia-a-dia, então, sem dúvida alguma, eu voltei com muito renovado, muito energizado, literalmente, para continuar o meu trabalho à frente do Red Bull Bragantino.

Humberto também falou da possibilidade de contar com esse algo a mais e de estar imerso nas culturas do futebol feminino mundo afora: "Sim, e sempre que a gente tem mais informação, que a gente tem mais trocas, a gente tem mais chances de acertar, mais chances de antecipar alguns problemas, mais chances de ter um planejamento mais assertivo, então, sem dúvida alguma, quanto mais a gente está fazendo esse intercâmbio de ideias, a gente tende a crescer. Tanto eles pegando da gente o que a gente faz de bom, quanto a gente pegando com eles o que eles fazem de bom, que é o objetivo um só, desenvolver da melhor forma o futebol feminino da Red Bull."

As projeções para Bragantino x Ferroviária na Copa do Brasil

Humberto teceu elogios a Ferroviária e ao treinador Léo Mendes, falando também dos grandes duelos já feitos neste ano de 2026.

Eu não tenho dúvida que vão ser dois grandes jogos. A equipe da Ferroviária é uma equipe muito competitiva, muito qualificada, tem uma grande comissão técnica, tem grandes jogadoras, e historicamente esse ano nós fizemos grandes jogos contra elas, jogos muito equilibrados, nós vencemos na estreia do Campeonato Brasileiro, empatamos pelo Paulista, então eu sei que vai ser um jogo, dois jogos muito difíceis. A gente estreia fora de casa, na Fonte Luminosa, um campo muito bom de jogar, mas que a gente sabe o fator mando de campo, ele é muito relevante, então a gente espera conseguir fazer uma boa partida, conseguir se defender bem, conseguir sair bem nos contra-ataques, conseguir anular o que a Ferroviária busca de melhor para atacar, que são a velocidade das atacantes, então com certeza serão duas grandes partidas, porque a gente sabe que a nossa equipe tem totais condições de sair classificada. Eu tenho uma admiração muito grande pelo Léo, um cara muito trabalhador, muito educado, uma boa pessoa, a gente troca ideia sempre que possível, e eu tenho certeza que vai ser um confronto muito bacana de se jogar, e espero poder sair feliz dessa disputa.

A importância do fator casa

O Bragantino decidirá a sua classificação na Copa do Brasil Feminina dentro de casa, no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista. Simão também mensurou a importância disso:

Total. Decidir o jogo em casa, dentro do Cícero, é extremamente importante. A gente ganha muita força quando a gente está jogando em casa, jogar em Bragança Paulista, com o apoio da nossa torcida, faz a nossa equipe ainda mais forte. Então a gente espera fazer uma boa primeira partida, uma primeira partida muito forte para a gente trazer para o nosso campo, para a nossa casa, e sair de lá com a classificação.

As projeções para os play-ins do Paulistão F

Nos play-ins do Estadual o Bragantino enfrentará o Corinthians em duelos de ida e volta. Simão falou que sabe da força do time, mas que os resultados passados contra o time de Emily Lima não representam o Bragantino.

A nossa partida contra o Corinthians, serão duas partidas dificílimas, a gente sabe a força que tem, nós não tivemos resultados bons contra o Corinthians, muito pelo contrário, foram dois resultados muito ruins, mas que a gente sabe que esses resultados que passaram não nos representam. Cada jogo é uma história, cada momento se faz com o nosso trabalho, então a gente vai jogar contra o Corinthians com o mesmo objetivo que a gente vai jogar contra a Ferroviária, que é buscar a classificação a todo tempo. Então, já tivemos bons jogos contra o Corinthians, já conseguimos empatar com o Corinthians, já conseguimos, fomos eliminados nas quartas de final do Brasileiro por uma derrota mínima, com um jogo muito equilibrado. Então, assim, a gente sabe o tamanho da dificuldade, a gente respeita muito o Corinthians, mas a gente sabe também que a gente vem evoluindo, que a gente vem se provando, quem esperava que o São Paulo seria o campeão brasileiro há um tempo atrás e se fez campeão, ninguém deu nada ao São Paulo, e é isso, nós vamos buscar o que é nosso com muito trabalho, com muita seriedade, com muito profissionalismo, sabendo das dificuldades, da dificuldade que é, mas são duas equipes duelando por 90 minutos dentro de um campo de futebol, é o que a gente pensa, é o que a gente vai buscar.

Confira abaixo outras respostas do treinador das Bragantinas:

Os pontos de atenção da Ferroviária, por Humberto Simão

"A equipe da Ferroviária é uma equipe muito experiente, que tem um modelo de jogo muito particular, que gosta de atrair as equipes adversárias pro próprio campo, pra explorar a velocidade das atacantes, que tem uma bola parada muito forte. Que tem jogadoras de muita qualidade, então a gente sabe o que precisamos ter como foco de atenção, as urgências que precisamos anular, a gente tentar jogar com um pouquinho mais de conforto e segurança, trazendo a nosso favor o que a gente tem de melhor também. Com certeza, é uma equipe que sabe bem o que quer, mas conseguimos entender bem também. Então a gente vem estudando muito a Ferroviária pra que a gente não seja pego de surpresa em nenhum momento do jogo."

A ida de Martina del Trecco para a Seleção Argentina

"Fico feliz com a convocação da Martina, ela colhe os frutos do trabalho dela, é uma grande jogadora. Vai construindo a trajetória dela no Bragantino de forma brilhante, em constante evolução. Ela chegou com a dificuldade do idioma, da intensidade e velocidade do jogo. Chegou buscando melhorar o entendimento do que a gente fazia aqui, é uma jogadora que tem muito conforto de ter a bola no pé e que gosta de fazer gol. Ela chegou como ponta, desde que ela chegou aqui, falei: Olha, aqui você vai virar centroavante, uma falsa nove. Vejo muito dessas características em você. Você topa? No primeiro momento ela ficou insegura, mas depois começou a entender bem, que as características delas potencializavam ela. Hoje ela se vê como centroavante e é uma atleta que não se esconde do jogo. Ela tem muita qualidade e é por isso que vai representar o país dela e pra nós é gratificante. É a consolidação de um trabalho de todo um departamento, a gente trabalha pra isso, para dar asas as atletas. Temos também a Karol Bermúdez, que é convocada pra Seleção Uruguaia. Espero que ela nos represente bem, mas também que não tão bem, pois vai estar jogando contra a seleção brasileira. Brasil x Argentina? É Brasil sempre!"

O que mudou no Bragantino em cinco anos?

"Tudo, mudou tudo. Nós não somos mais o mesmo clube, o mesmo departamento. Naquela época era um departamento que estava se formando, hoje é um departamento afirmado na primeira divisão. Em 2021 foi o primeiro ano de campeonato nacional, em 26 é o quarto ano. Esse ano a gente se cobra muito mais pra conquistar coisas que no passado não tinham sido conquistadas. A estrutura é melhor, o número de pessoas do staff é maior. Mudou tudo, a mentalidade, nível de exigência, qualidade de jogo. Estávamos em evolução constante e precisamos mudar sempre."

O futebol feminino evoluiu ou não?

"Evoluiu muito. Respeito muito as atletas do passado, eram talentosíssimas. Assim como, no masculino, as gerações passadas eram de muita qualidade técnica. O cenário favorecia, mas isso não quer dizer que hoje não evoluiu. São partidas disputadas de forma mais coletiva, mais estratégica. Hoje só temos condições de ter este nível pelas atletas do passado. O jogo evoluiu, a tecnologia evoluiu e isso condiciona numa característica diferente. E não necessariamente significa que é melhor de se ver. Evoluiu, com certeza e vai continuar."

Compartilhar
#Futebol Feminino#Surto Entrevista#Humberto Simão#Bragantino#Red Bull Bragantino#As Bragantinas