A situação, que se desenrola na sequência da invasão russa de 2022, ocupa um ponto de convergência singularmente sensível entre política e atletismo. Até mesmo o meio esportivo ucraniano reagiu com fúria após a revelação de que Sofiia Lyskun, uma das maiores estrelas do país nos saltos ornamentais sincronizados, mudou oficialmente sua cidadania e agora competirá sob a bandeira russa. Com apenas 23 anos, Lyskun já acumulou um número extraordinário de medalhas: 11 medalhas europeias entre 2017 e 2025, uma prata mundial em 2022 e um título europeu na plataforma de 10 metros conquistado no ano passado.
A notícia, confirmada no início desta semana, caiu como uma bomba em Kiev. A federação que rege a modalidade expressou “profunda indignação”, alegando não ter recebido nenhuma comunicação prévia da atleta ou de sua equipe sobre qualquer intenção de mudar de nacionalidade. Em um comunicado público, a federação afirmou que a decisão de Lyskun “desacredita não apenas uma atleta individualmente, mas toda a equipe ucraniana, que continua lutando abnegadamente todos os dias pelo direito de representar nosso país no cenário internacional”. Acrescentaram ainda que não receberam nenhuma notificação oficial da atleta, de seus treinadores ou do Ministério da Juventude e Esportes da Ucrânia. A decisão, argumentaram, foi “totalmente inaceitável” e equivale a uma traição.
Lyskun, que competiu em Tóquio 2020 e Paris 2024, terminando em sétimo lugar na prova de patinação sincronizada, tornou-se um pilar do programa de elite da Ucrânia, especialmente durante um período em que a guerra colocou em risco a infraestrutura esportiva do país. “A honra de servir sob a bandeira do Estado ucraniano não é um privilégio, mas um dever profundo que deve ser cumprido sem falta”, acrescentou o comunicado da instituição.