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Felipe de Siqueira, o brasileiro por trás do recorde mundial de Piu, está entre os três melhores treinadores do mundo

Indicado ao prêmio de Treinador do Ano da World Athletics, profissional de Salesópolis construiu ao lado de Alison dos Santos uma trajetória marcada por planejamento, conquistas e uma parceria que entrou para a história do atletismo.

Eshyllen Coimbra 4 min
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O treinador Felipe de Siqueira e o atleta Alison dos Santos, o Piu, no Troféu Brasil de Atletismo 2026
O treinador Felipe de Siqueira e o atleta Alison dos Santos, o Piu, no Troféu Brasil de Atletismo 2026Foto: Gustavo Alves

Quando Alison dos Santos, o Piu, cruzou a linha de chegada em Zurique, na Suíça, em 27 de agosto de 2026, o atletismo mundial testemunhou um momento histórico. Com 45 segundos e 80 centésimos, o brasileiro estabeleceu um novo recorde mundial nos 400 metros com barreiras, superando a marca anterior do norueguês Karsten Warholm, de 45s94.

Mas, por trás dos passos que levaram Piu à história, existe um trabalho construído ao longo de anos. O responsável por conduzir essa trajetória é Felipe de Siqueira, treinador brasileiro que agora também alcança reconhecimento internacional, ele está entre os três finalistas ao prêmio de Treinador do Ano da World Athletics, entidade máxima do atletismo mundial.

Anunciado nesta quarta-feira, 4 de novembro, o trio de finalistas reúne profissionais de diferentes países. Além do brasileiro, concorrem Rolando “Lonnie” Greene, das Bahamas, e Ken Harnden, do Zimbábue. O vencedor será anunciado em 29 de novembro, durante a cerimônia do World Athletics Awards, em Mônaco.

A indicação de Felipe reconhece o desenvolvimento de longo prazo de Alison dos Santos, desde seus primeiros passos como promessa do esporte até a condição de recordista mundial.

Uma trajetória que começou em Salesópolis

Natural de Salesópolis, município do interior de São Paulo, Felipe de Siqueira tem 39 anos e uma formação que une conhecimento acadêmico e experiência prática. Graduado e licenciado em Educação Física, com especialização em fisiologia do exercício, construiu sua carreira com atenção à preparação física, ao planejamento e ao desenvolvimento dos atletas.

Desde 2018, está à frente da preparação de Alison dos Santos. A parceria ultrapassou os limites de uma relação convencional entre treinador e atleta, juntos, construíram um projeto esportivo que resultou em conquistas nacionais e internacionais.

O trabalho de Felipe é associado a uma perspectiva de longo prazo, na qual a evolução do atleta não depende apenas de resultados imediatos, mas também da consistência física, técnica e psicológica ao longo das temporadas.

Essa visão se tornou especialmente importante nos momentos em que foi necessário tomar decisões pensando no futuro da carreira de Piu.

Um currículo que vai além de Alison dos Santos

Embora a indicação internacional de 2026 tenha relação direta com o recorde mundial de Piu, a trajetória de Felipe já era marcada por resultados expressivos.

Em 2019, ele foi treinador chefe do revezamento brasileiro masculino 4x100 metros que conquistou o título mundial no Mundial de Revezamentos de Yokohama, no Japão.

Três anos depois, viveu outro momento importante da carreira. Em 2022, foi eleito pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) como Melhor Treinador de Esportes Individuais, durante o Prêmio Brasil Olímpico.

Naquele mesmo ano, Alison dos Santos conquistou o título mundial dos 400 metros com barreiras, em Eugene, nos Estados Unidos, e venceu todas as etapas da Diamond League que disputou na temporada.

A parceria também conduziu Piu a duas medalhas olímpicas de bronze, em Tóquio 2020 e Paris 2024, além da medalha de prata no Campeonato Mundial de 2025.

São resultados que ajudam a compreender a dimensão do trabalho desenvolvido por Felipe e a continuidade de um projeto que alcançou seu ponto mais emblemático em 2026.

O reconhecimento internacional e os outros finalistas

A disputa pelo prêmio de Treinador do Ano reúne profissionais que também estiveram diretamente envolvidos em temporadas históricas.

O representante das Bahamas, Rolando “Lonnie” Greene, é treinador de Masai Russell e Devynne Charlton. Em 2026, Russell estabeleceu o recorde mundial dos 100 metros com barreiras, com 12s09, enquanto Charlton igualou seu próprio recorde mundial indoor dos 60 metros com barreiras, com 7s65.

Já Ken Harnden, do Zimbábue, trabalha na Universidade de Auburn e é treinador de Ja’Kobe Tharp. Aos 20 anos, o atleta estabeleceu o recorde mundial dos 110 metros com barreiras, com 12s75, e conquistou o título do World Athletics Ultimate Championship.

Os três finalistas representam diferentes histórias de desenvolvimento esportivo e excelência na preparação de atletas.

Mais do que um recorde, uma construção

O recorde mundial de Alison dos Santos colocou novamente o Brasil em evidência no cenário internacional do atletismo. Mas a indicação de Felipe de Siqueira também chama atenção para uma figura fundamental no esporte, o treinador.

Por trás de uma marca histórica existem decisões, estudos, planejamento, adaptações e uma relação de confiança construída ao longo do tempo.

Aos 39 anos, o profissional que saiu de Salesópolis para alcançar reconhecimento entre os principais treinadores do atletismo mundial passa a ocupar um espaço de destaque em uma modalidade na qual o Brasil já revelou grandes talentos.

Independentemente do resultado da premiação em Mônaco, a indicação já representa um marco na trajetória de Felipe de Siqueira e um reconhecimento internacional de um trabalho que ajudou a transformar o potencial de um atleta em um recorde para a história.

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