A medida entra em vigor imediatamente e terá sua primeira aplicação prática no início do ano, no evento da Copa do Mundo Júnior de Florete, que será realizado em Fujairah, Emirados Árabes Unidos, nos dias 2 e 3 de janeiro. Em entrevista à agência TASS na terça-feira, o presidente da Federação Russa de Esgrima, Ilgar Mamedov, confirmou que a equipe feminina russa viajará para os Emirados na noite de 31 de dezembro, o que abre caminho para que as vitórias sejam celebradas já com os símbolos nacionais. “Fiquei muito contente por, na preparação para o Ano Novo, termos recebido um documento da Federação Internacional de Esgrima, confirmando que nossos jovens atletas podem representar seu país com todos os símbolos nacionais – a bandeira e o hino”, disse ele.
A mudança da FIE está diretamente ligada à posição do COI, que, em 11 de dezembro, durante a Cúpula Olímpica realizada em Lausanne sob a presidência de Kirsty Coventry, apoiou a recomendação de sua Comissão Executiva de remover as restrições para atletas russos e bielorrussos nas categorias júnior e cadete. Após a reunião, a FIE solicitou esclarecimentos adicionais e recebeu uma resposta explícita do órgão olímpico: “Recomenda-se o retorno ao protocolo padrão, com os atletas participando sob bandeiras, siglas, uniformes esportivos, etc., desde que não haja problemas entre a federação nacional e a federação internacional. Todos os atletas devem ter a oportunidade de competir, e a participação em competições como atleta neutro não é mais exigida.”
A esgrima, portanto, alinha-se com a evolução em curso na neutralidade política no esporte, após o COI ter sublinhado, na cúpula, a importância de garantir o acesso dos atletas à competição sem interferência política. O encontro em Lausanne reuniu os principais dirigentes da organização e abriu caminho para uma revisão das normas existentes, reconhecendo que o conceito de neutralidade “precisa de esclarecimentos”.