Surto Olímpico
Voltar

Filipinas pede para WTA liberar Alexandra Eala para a disputa dos Jogos Asiáticos

Eala é top 20 do ranking mundial

Regys Silva 4 min
Compartilhar
Filipinas pede para WTA liberar Alexandra Eala para a disputa dos Jogos Asiáticos
Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

A associação nacional de tênis das Filipinas solicitou formalmente permissão, na última quarta-feira, a WTA em nome de sua estrela, Alexandra Eala, visando evitar sanções após ela decidir representar seu país nos Jogos Asiáticos de 2026.

A decisão pode custar caro, mas Eala transformou um conflito de agenda em uma questão de lealdade nacional, e sua escolha já está feita: a bandeira vem antes dos pontos. A Associação de Tênis das Filipinas (PHILTA) pediu formalmente à Associação de Tênis Feminino (WTA) que concedesse à 18ª colocada do ranking mundial uma isenção, permitindo-lhe competir no torneio sem ser penalizada por não participar do China Open, o evento obrigatório de categoria WTA 1000 que começa em 30 de setembro. Os precedentes não são muito animadores, mas a posição de Eala é firme, mesmo que os regulamentos ameacem deixar uma marca visível em sua temporada.

Como Pequim é classificado como um torneio "obrigatório", a ausência sem justificativa médica ou isenção oficial pode resultar em uma pontuação zero: nenhum ponto de ranking daquela etapa contaria para o total da jogadora durante um ano inteiro, além de uma multa de US$ 10.000 (€ 8.600). Ainda assim, a PHILTA e o Comitê Olímpico das Filipinas aceitaram o risco.

"Alex estará em Nagoya pela bandeira e pelo país", disse o presidente do Comitê Olímpico das Filipinas, Abraham Tolentino, enquanto a atleta — natural de Quezon City — visitava sua antiga escola, o Colegio San Agustín-Makati, na quinta-feira. "Foi um retorno tranquilo, porém especial: um momento de orgulho para sua antiga escola e uma lembrança carinhosa de que, não importa quão longe nossos 'agostinianos' possam ir, o CSA sempre será um lugar que eles podem chamar de lar", escreveu a escola em seu site.

A questão chegou até mesmo à esfera política, com o senador Erwin Tulfo sugerindo que o Estado deveria arcar com qualquer penalidade financeira imposta a Eala, argumentando que apoiar a melhor tenista da história das Filipinas justificaria o gasto. Há, além disso, um precedente recente e bastante desfavorável: a indonésia Janice Tjen desistiu dos Jogos Asiáticos depois que a WTA rejeitou seu pedido para não participar do torneio de Pequim. As Filipinas esperam um desfecho diferente; caso isso não ocorra, o país parece preparado para arcar com as consequências. A previsão é que Eala chegue ao Japão após o WTA 500 de Singapura, programado para ocorrer entre 21 e 27 de setembro; espera-se que ela assuma a condição de terceira cabeça de chave na competição, após a desistência de Jessica Pegula. Mirra Andreeva e Amanda Anisimova ocupariam as duas primeiras posições na chave do torneio. Depois de Aichi-Nagoya, a tenista filipina está inscrita para Wuhan, outro torneio WTA 1000, que acontecerá entre segunda-feira, 12 de outubro, e domingo, 18 de outubro, oferecendo uma oportunidade imediata de recuperar terreno que ela possa ter perdido em Pequim.

Sua decisão ganha ainda mais relevância devido ao desempenho que apresentou ao longo do ano. Aos 21 anos, Eala alcançou a 18ª posição no ranking mundial em agosto, tornando-se a primeira filipina — e a primeira jogadora do Sudeste Asiático — a figurar no Top 20. Em Washington, ela conquistou seu primeiro título da WTA ao derrotar Pegula na final; na sequência, levantou o troféu na grama de Birmingham antes de chegar às semifinais em Berlim, onde sua campanha incluiu vitórias sobre Elena Rybakina e Elina Svitolina.

Wimbledon confirmou que sua ascensão não foi um sucesso passageiro: Eala tornou-se a primeira filipina na Era Aberta a chegar às oitavas de final no All England Club, após eliminar a estrela Iga Świątek, sendo posteriormente derrotada por Jasmine Paolini. No recente US Open, ela avançou até a terceira rodada, onde precisou de três sets para ser superada por Iva Jovic. A jovem já disputou 61 partidas oficiais em 2026 — o terceiro maior número no circuito —, acumulando 40 vitórias.

Aichi-Nagoia, no entanto, oferece algo que nenhum WTA 1000 pode comprar: mais uma chance de fazer história.

Nenhuma filipina jamais conquistou a medalha de ouro na chave de simples feminina dos Jogos Asiáticos. Desideria Ampon levou a prata em Tóquio, em 1958, enquanto Eala encerrou um jejum de 17 anos sem medalhas para seu país em Hangzhou 2023, conquistando duas medalhas de bronze: uma em simples, após perder para Zheng Qinwen nas semifinais, e outra nas duplas mistas. Desta vez, ela chegará como a competidora mais bem ranqueada e com um incentivo adicional de grande relevância: a medalha de ouro nos Jogos Asiáticos garante uma vaga para Los Angeles 2028, desde que a jogadora permaneça entre as 500 melhores do mundo quando os critérios de elegibilidade forem aplicados. Para alguém já consolidada entre as 20 melhores tenistas do mundo, essa perspectiva olímpica confere ainda mais peso a uma decisão que vai muito além do fator emocional.

Enquanto isso, a coincidência de datas com o torneio de Pequim reduziu consideravelmente a lista de participantes no feminino. Zheng Qinwen, atual campeã dos Jogos Asiáticos e principal tenista da China, optou por competir diante de sua torcida no China Open. A estrela Naomi Osaka também estará ausente dos Jogos.

Com um número expressivo de jogadoras do Top 50 ausentes, Eala se destaca frente a outras opções, como a experiente Zhang Shuai, a número 82 do mundo Wang Xiyu e a promessa tailandesa Lanlana Tararudee.

O cálculo, portanto, é claro. Pequim oferece pontos no ranking com a segurança e a proteção de uma temporada cuidadosamente planejada, Nagoia oferece a chance de se tornar a primeira filipina a ganhar o ouro individual nos Jogos Asiáticos e dar mais um passo rumo a Los Angeles 2028. Eala optou pela segunda opção, reconhecendo que, nesta semana em particular, o valor da medalha pode superar o valor dos pontos.

Compartilhar
#Jogos Asiáticos#Filipinas#Alexandra Eala#Aichi-Nagoia 2026