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Guia da Superliga Feminina de vôlei: panorama do Sesi-Bauru para a temporada 2026/27

Sob novo comando técnico e de gestão, equipe do interior paulista manteve quatro de suas principais peças, perdeu lideranças dentro e fora das quatro linhas e contratou seis reforços, entre eles duas campeãs da última Superliga e uma promissora ponteira mexicana

Thiago Chaguri 6 min
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Guia da Superliga Feminina de vôlei: panorama do Sesi-Bauru para a temporada 2026/27
Foto: JENNIFER DE OLIVEIRA/@fotos_jeniffer

O Sesi-Bauru inicia a temporada 2026/27 sob novo comando técnico e com uma renovação moderada no elenco. A equipe manteve quatro de suas principais jogadoras, precisou lidar com a aposentadoria de um nome importante em sua história e trouxe seis reforços, entre eles duas campeãs da última Superliga pelo Praia Clube.

Campeão sul-americano, da Copa Brasil, da Supercopa e do Campeonato Paulista, o Sesi-Bauru ainda busca o título inédito da Superliga. Semifinalista em quatro ocasiões, sua melhor campanha ocorreu em 2024/25, quando chegou à decisão, mas acabou superado pelo rival Osasco.

Bauru perdeu lideranças dentro e fora das quatro linhas para a atual temporada

Aos 41 anos e mais de duas décadas dedicadas ao voleibol, Léia encerrou sua vitoriosa carreira ao fim da última temporada. A agora ex-líbero decidiu diminuir o ritmo da intensa rotina de atleta para dedicar mais tempo à família.

Natural de Ibitinga, a cerca de 80 quilômetros de Bauru, se juntou ao projeto do Sesi em 2022 e faturou os títulos da Supercopa, em 2022, do Campeonato Paulista de 2025, e o Sul-Americano de Clubes, em 2026.

A ex-atleta vestiu outras camisas tradicionais do voleibol brasileiro, como as de Osasco, Minas Tênis Clube e Pinheiros, e construiu um currículo impressionante. Conquistou quatro troféus de Superliga, sete do Sul-Americano de Clubes — sendo eleita a melhor líbero em seis edições — e três da Copa Brasil, além dos torneios estaduais.

Léia foi titular da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, e integrou o elenco tricampeão do Grand Prix, torneio predecessor à atual Liga das Nações (VNL), entre 2013 e 2017.

Último título da vitoriosa carreira de Léia foi o Sul-Americano, em fevereiro deste ano (Foto: Reprodução/Instagram)

A linha de passe do Sesi-Bauru também sofreu mais uma baixa para a temporada. Kasiely anunciou uma pausa na carreira para realizar o sonho de ser mãe. Casada com o jogador de basquete Jefferson Socas, a ponteira está à espera de um menino, que se chamará Lian.

Já a central Mayany, após cinco anos, deixou o clube rumo ao voleibol turco.

Além de perder algumas de suas principais lideranças dentro das quatro linhas, o projeto também se despediu de uma peça importante à beira da quadra. Multifunções por onde passou, com experiências como estatístico e auxiliar técnico, o promissor Henrique Modenesi recebeu da diretoria bauruense sua primeira oportunidade como treinador principal em 2024.

E os resultados nas duas temporadas à frente da equipe, com os títulos do Campeonato Paulista de 2025 e do Sul-Americano de 2026, além do vice-campeonato da Superliga 2024/25, rapidamente despertaram o radar do mercado internacional. Modenesi aproveitou a chance e atravessou o mundo para assumir o Denso Airybees, do Japão, que conta com duas jogadoras da seleção brasileira, a atacante Rosamaria e levantadora Roberta.

Para substituir Modenesi, a diretoria prezou pela experiência e contratou Spencer Lee, que dirigiu o Brasília nas duas últimas temporadas. O treinador já passou pelo Praia Clube, conquistou títulos estaduais e da Copa Brasil como auxiliar técnico do Osasco e integrou a comissão técnica da seleção brasileira de vôlei sentado na campanha que rendeu a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016.

Clube mantém o trio de levantadoras, a central da seleção brasileira e jovens premiadas nas categorias de base

Para o novo ciclo, o Sesi-Bauru manteve intacto o trio de levantadoras, formado pela campeã olímpica e multicampeã nacional Dani Lins, pela experiente Claudinha, bicampeã da Superliga, e pela jovem Amanda Mutuano, de 21 anos. Entre 2023 e 2025, Mutuano foi eleita a melhor levantadora do Campeonato Brasileiro Interclubes sub-19 e sub-21, além do Campeonato Sul-Americano de Seleções sub-20.

Aos 40 anos, Dani Lins foi eleita a melhor levantadora da temporada 2024/25 da Superliga (Foto: Reprodução/Instagram/@sesivoleibauru)

Houve permanências também no meio de rede e nas pontas. O clube renovou com a central Diana, medalhista em Copa do Mundo e Jogos Olímpicos pela seleção brasileira, além de Roslandy Acosta e Bruna Moraes, principais pontuadoras da equipe na última Superliga.

A jovem ponteira Isa Rocha e a central Lara Rodrigues, de apenas 19 anos, seguem no elenco. Isa já demonstrou seu potencial nas categorias de base e foi eleita a melhor jogadora e a melhor ponteira do Campeonato Brasileiro Interclubes Sub-21 por duas temporadas consecutivas, 2022/23 e 2023/24.

Lara também apresenta credenciais de respeito, com as premiações individuais como melhor central, atacante e bloqueadora em competições nacionais e sul-americanas de base, entre 2022 e 2025.

Diretoria trouxe dupla campeã da última Superliga e reforçou a linha de passe

Keyla Monadjemi, multicampeã ao longo de 11 anos à frente do Minas Tênis Clube, assumiu a gestão esportiva do Sesi-Bauru. Para repor a saída da oposta estadunidense Nia Reed, Keyla contratou a compatriota Morgahn Fingall, atual campeã da Superliga pelo Praia Clube. A central Milka pegou carona e deixou Uberlândia rumo ao interior paulista.

Lívia dos Santos veio de Brasília para reforçar o meio de rede, entretanto, provavelmente não atuará mais nesta temporada. A atleta rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo no dia 9 de outubro, durante o primeiro jogo da final do Campeonato Paulista, contra o Osasco.

O Sesi-Bauru trouxe mais dois reforços para a posição de ponteira. Multicampeã nacional pelo Osasco entre 2023 e 2026, Maira chega para agregar consistência. A mexicana Sofía Maldonado traz no currículo os prêmios de melhor ponteira, atacante, sacadora e recepção e o vice-campeonato continental por seu país, além do título e a eleição de melhor jogadora da Major League Volleyball, liga profissional mais antiga dos Estados Unidos, em sua passagem pelo Dallas Pulse na última temporada.

Apresentação de Sofía Maldonado à torcida bauruense (Foto: Reprodução/Instagram/@sesivoleibauru)

Se antes o elenco contava com uma líbero bastante experiente, agora terá duas jovens na posição. Medalhista de bronze nos Mundiais Sub-18 e Sub-19 e com uma carreira construída majoritariamente no Fluminense, a líbero Lelê, que estava no Tijuca Tênis Clube, vem para comandar a linha de passe. Já Sofia Will, formada nas categorias de base do próprio clube, foi promovida ao elenco principal.

Elenco para a Superliga 2026/27

Levantadoras: Dani Lins, Claudinha e Amanda Mutuano.

Opostas: Morgahn Fingall (EUA) e Bruna Moraes.

Ponteiras: Roslandy Acosta (VEN), Maira, Sofía Maldonado (MEX), Isa Rocha e Giovanna Rodrigues.

Centrais: Diana, Milka, Lívia dos Santos e Lara Rodrigues.

Líberos: Lelê e Sofia Will.

Técnico: Spencer Lee.

Bauru deixou escapar em casa o título paulista neste início de temporada

A equipe bauruense liderou a fase classificatória do Campeonato Paulista e avançou invicta à semifinal. Antes da decisão estadual, disputou a Taça Brasil, torneio amistoso que reuniu Londrina, Mackenzie e Abel Vôlei Brusque, e ficou com o título pelos critérios de desempate.

Na primeira partida da final do Paulista, o Sesi-Bauru saiu atrás, virou o placar para 2 a 1, mas sofreu a virada para o Osasco e acabou derrotado no tie-break. Diante de sua torcida, a equipe do interior venceu o jogo da volta por 3 a 1 e forçou o golden set para definir o campeão.

Na parcial decisiva, contudo, Bauru não conseguiu repetir a dominância e viu a taça escorrer pelas mãos com o revés por 25 a 21, após mais de três horas de confronto — que terminou próximo a uma hora da manhã do dia 14.

Estreia na Superliga será em casa

O Sesi-Bauru disputará duas das três primeiras partidas da Superliga em casa, no ginásio Paulo Skaf, com capacidade para cinco mil pessoas.

Diante de sua torcida, a equipe inicia a caminhada em busca do título inédito no dia 19 de outubro (segunda-feira), às 18h30, contra o Mackenzie.

Na semana seguinte, no dia 26, viaja ao Paraná para enfrentar o Londrina. Quatro dias depois (30), retorna aos seus domínios para receber o Fluminense.

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