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Guia da Superliga Masculina de vôlei: panorama do Cruzeiro para a temporada 2026/27

O clube mineiro, maior vencedor do voleibol nacional, manteve grande parte do elenco anterior e foi ao mercado de forma cirúrgica, repatriando um ídolo e trazendo jogador da seleção argentina para defender o bicampeonato da competição

Nathan Marcolino 5 min
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Cruzeiro campeão da Superliga 2025/26
Cruzeiro campeão da Superliga 2025/26Foto: Cruzeiro

O Cruzeiro inicia a disputa da temporada 2026/27 da Superliga Masculina de defender o bicampeonato e ampliar sua vantagem como maior campeão nacional. Dez vezes vencedor da competição, o clube mineiro, comandado pelo técnico Filipe Ferraz há cinco anos, apostou na manutenção de grande parte do elenco anterior e realizou contratações pontuais, trazendo um ponteiro da seleção argentina e repatriando um de seus maiores ídolos: Yoandy Leal.

Fundado em 2006 pelo Grupo Sada, em Betim, o projeto se uniu ao Cruzeiro Esporte Clube três anos depois, em 2009, e se transferiu para Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

Ao longo de sua história, a equipe conquistou todos os principais títulos do voleibol de clubes, feito que nenhum outro time masculino brasileiro alcançou. Entre suas conquistas estão: cinco Mundiais de Clubes — maior campeão do torneio ao lado do Trentino Volley, da Itália —, 11 Sul-Americanos, dez Superligas, oito Copas do Brasil, oito Supercopas e 17 Campeonatos Mineiros.

Multicampeões seguem no clube

Em relação à temporada anterior, o elenco passou por poucas mudanças. Apenas cinco jogadores deixaram o clube. A principal saída foi a do ponteiro Douglas Souza, que rumou a Campinas, adversário derrotado pelo Cruzeiro nas duas finais recentes da Superliga. O atleta passou duas temporadas na equipe celeste e conquistou sete títulos, entre eles o Mundial de Clubes de 2024 e o Sul-Americano de Clubes de 2025.

Também de despediram da equipe o central Cledenilson, o oposto Felipe Parra, o líbero João Centola e o ponteiro Willian Gabriel.

A comissão técnica é formada por Filipe Ferraz, treinador, Marcos Nascimento, auxiliar, e Beto Martelete, assistente técnico.

Para organizar o ataque, Matheus Brasília permanece no elenco. O levantador chegou ao Cruzeiro na temporada 2024/25 e, desde então, conquistou quase todos os títulos, de estadual a mundial, com exceção da Copa Brasil. Também recebeu prêmios individuais, sendo eleito o melhor levantador do Mundial de Clubes de 2024, da Superliga 2024/25 e do Sul-Americano de 2025.

Wallace e Rodriguinho são dois grandes símbolos da história cruzeirense no voleibol. Multicampeões, ambos iniciam sua 13ª temporada no clube. O oposto, campeão olímpico em 2016, está em sua segunda passagem pela equipe, enquanto o ponteiro defendeu apenas a camisa celeste durante sua carreira profissional.

Rodriguinho comemorando seu oitavo título de Supercopa pela Raposa (Foto: João Guilherme/@joaoguilhermefoto)

Oppenkoski consolidou-se como um dos principais destaques do Cruzeiro após viver a temporada mais brilhante de sua carreira. O oposto deixou de ser o reserva imediato de Wallace para assumir o protagonismo no voleibol nacional. Aos 26 anos, foi o segundo maior pontuador da última Superliga, com 452 pontos, e eleito o melhor jogador da final da competição.

O meio de rede foi o único setor em que houve a manutenção de todos os atletas. Otávio está há sete anos na Raposa e também coleciona títulos. O colombiano Juan Velasco, de 21 anos, chegou ao clube em 2024. Já Lucão, veterano de 40 anos e campeão de tudo com a seleção brasileira, inicia seu quinto ano em Minas Gerais. O central segue em alto nível. Na última temporada, foi eleito o MVP da Superliga e terminou como o terceiro melhor bloqueador, com 66 pontos no fundamento.

O líbero Alê chegou um ano depois de Lucão e também se firmou, conquistando prêmios de melhor jogador da posição no Mundial de Clubes, no Sul-Americano e na Superliga.

Por fim, a comissão técnica promoveu o central Bruno e o líbero Arthur, crias das categorias de base, para compor o elenco principal.

Comissão técnica reformulou o grupo de ponteiros

A contratação de maior impacto do voleibol nacional masculino foi a de um velho conhecido da torcida: Yoandy Leal. O cubano, naturalizado brasileiro, retorna ao Cruzeiro pela segunda vez após ser contratado junto ao Halkbank Spor, da Turquia.

Para a mesma posição, o clube trouxe o argentino Armoa Morel, que defendia o Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos. Bicampeão da liga e da Copa Argentina, o ponteiro também foi eleito o MVP da edição 2021/22 da liga nacional.

A equipe ainda contratou jogadores que já atuavam no voleibol mineiro, como o ponteiro Willian Doardo, ex-Minas e campeão da Copa do Brasil de 2025, e o levantador Gustavo Oliveira, anteriormente no Praia Clube.

Elenco para a Superliga 2026/27

Levantadores: Matheus Brasília, Gustavo Oliveira e Caio Souza.
Opostos: Oppenkoski e Wallace.
Ponteiros: Yoandy Leal, Rodriguinho, Armoa Morel e Lucas Righi.
Centrais: Lucão, Otávio, Bruno e Juan Velasco.
Líberos: Alexandre (Alê) e Davi.
Técnico: Filipe Ferraz.

O retorno do ídolo

Após cinco anos na Europa, Yoandy Leal retorna ao Cruzeiro para sua segunda passagem pelo clube, onde atuou entre 2012 e 2018. Aos 38 anos, o ponteiro traz experiência internacional e uma imensa bagagem de títulos, entre eles cinco Superligas e três Mundiais de Clubes. A expectativa é que seja uma das principais armas ofensivas da equipe nesta temporada.

Ídolo da torcida celeste e peça importante nos primeiros anos do projeto, Leal teve a camisa 9 aposentada provisoriamente pelo então presidente do clube, Vittorio Medioli, que afirmou que o atleta um dia voltaria para vesti-la.

E o retorno parece promissor: Leal foi o destaque ofensivo da Supercopa, com 29 pontos, e também eleito o melhor jogador na conquista do título diante do Campinas.

Leal recebendo o Troféu Viva Vôlei de melhor jogador da Supercopa (Foto: João Guilherme/@joaoguilhermefoto)

Temporada inicia com situação inédita no estadual e título para recuperar o moral

No Campeonato Mineiro desta temporada, o Cruzeiro sofreu um baque e passou por uma situação inédita nos últimos 17 anos: terminou na terceira colocação, encerrando uma sequência de 16 títulos consecutivos conquistados entre 2010 e 2025.

A equipe foi eliminada pelo Praia Clube na semifinal, por 3 sets a 0, mas se recuperou na disputa pelo bronze, vencendo o Monte Carmelo pelo mesmo placar.

Já na Supercopa, competição que abre o calendário nacional, o Cabuloso conquistou o título ao derrotar o Campinas por 3 sets a 2, na decisão disputada sexta-feira (23).

Outra situação notável neste início de temporada foi a contratação temporária do levantador Rapha, que chegou para suprir os desfalques de Matheus Brasília, a serviço da seleção brasileira, e de Gustavo Oliveira, afastado por questões médicas.

Rapha, de 47 anos, estava aposentado há três. Disputou o Campeonato Mineiro, participou da campanha vitoriosa na Supercopa, mas não integrará o plantel para a disputa da Superliga.

Elenco cruzeirense ovacionando o levantador Rapha antes da disputa da Supercopa, em São José (SC) (Foto: João Guilherme/@joaoguilhermefoto)

Equipe disputa dois dos três primeiros jogos na Superliga fora de casa

O Cruzeiro estreia na Superliga no dia 26 de outubro, segunda-feira, contra o Montes Claros. A partida será disputada na cidade homônima ao time, no interior de Minas Gerais, às 19h.

O segundo compromisso será em casa, contra o Monte Carmelo, no dia 29 de outubro, às 19h, no Poliesportivo do Riacho, em Contagem.

A terceira rodada será disputada contra o Vôlei Guarulhos, no dia 2 de novembro, às 21h, em São Paulo.

 

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