Por Duda Castro
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Centro de Esportes de Deslizamento “Eugenio Monti” (Cortina d’Ampezzo)
Período: 12/02 a 15/02
Delegações participantes: 22
Total de atletas: 50 (25 homens e 25 mulheres)
Brasil: Nicole Silveira
O skeleton é um dos esportes mais radicais dos Jogos Olímpicos de Inverno e um dos três disputados com trenó (ao lado do luge e do bobsled). Nele, os atletas descem a pista de barriga para baixo, cabeça à frente, num trenó sem caixa de direção – controlando velocidade e trajetória por meio de ajustes sutis do corpo, sobretudo ombros e pernas.
As origens do skeleton remontam ao final do século XIX, em St. Moritz, na Suíça. Em 1885, foi construída a lendária Cresta Run, pista natural de gelo com 1.214 metros, considerada até hoje um símbolo do esporte. Dois anos depois, em 1887, atletas passaram a descer o percurso de bruços, dando início à modalidade. O nome Skeleton surgiu em 1892, quando foi criado por um homem chamado Mister Child um novo tipo de trenó com estrutura metálica semelhante a um esqueleto humano.
Por décadas, as competições ficaram restritas a St. Moritz, o que explica a presença do esporte apenas nas edições olímpicas realizadas na cidade: 1928 e 1948. Devido aos riscos e à falta de pistas adequadas, a modalidade ficou fora do programa olímpico por mais de 50 anos, retornando de forma definitiva apenas em Salt Lake City 2002, com provas masculina e feminina.

Antes de iniciar a descida, o atleta inicia em pé, segurando o trenó por alças laterais. Após o sinal verde, ele tem até 30 segundos para começar a corrida, movimento conhecido como “push”. O push inicial dura entre 25 e 40 metros, quando o competidor corre empurrando o trenó antes de se jogar sobre ele de bruços. Para auxiliá-lo na corrida sobre o gelo, seus calçados possuem micro agulhas de até 5 mm de comprimento.
A partir daí, a descida é controlada apenas com ajustes corporais. As provas acontecem na mesma pista utilizada pelo luge e pelo bobsled, com comprimento entre 1.200 e 1.650 metros e inclinação máxima de 12%.
Maiores Vencedores
Estados Unidos e Grã Bretanha estão entre os melhores países no skeleton. Os britânicos tem mais medalhas – nove, sendo três de ouro – e os estadunidenses também tem três ouros, mas oito medalhas. Alemanha com seis medalhas, com dois ouros, fica em terceiro.
Como foi em Pequim?
Só deu Alemanha no Skeleton em Pequim. No masculino, Christopher Grotheer levou o ouro e Axel Jungk foi prata, fazendo a dobradinha germânica. Yan Wengang da China foi bronze. No feminino, Hannah Neise garantiu mais um ouro na Alemanha, com Jaclyn Narracott da Austrália foi prata e Kimberly Bos dos Países Baixos foi bronze.

Como Será em Milão-Cortina?
Serão três eventos olímpicos do skeleton, o masculino, feminino e a equipe mista, novidade para esta olimpíada. Nas provas individuais os atletas realizam quatro descidas, com a soma dos tempos sendo utilizada para determinar os medalhistas. Na prova de equipe mista, cada atleta (um feminino e um masculino) faz uma descida e têm seus tempos somados, vencendo quem conseguir o melhor tempo.
Brasil no skeleton
As atividades do Brasil no skeleton começaram no final da década de 1990, após a fundação da Associação Brasileira de Bobsled, Skeleton e Luge (ABBSL), que deu origem a atual Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG). O primeiro brasileiro a treinar na modalidade foi Leandro Fracasso em 1999.
Emílio Strapasson foi o primeiro atleta do Brasil a participar de competições oficiais, quando disputou uma etapa da Copa América da modalidade em 2003. Ele competiu por mais de dez anos na modalidade e foi o primeiro brasileiro a disputar um mundial, ficando em 30º lugar em 2011.

Em 2016, o Brasil teve pela primeira vez representantes no skeleton nos Jogos Olímpicos da Juventude: Robert Barbosa e Laura Amaro (hoje atleta do levantamento de pesos e vice-campeã mundial no arranco) e em 2020 com Lucas Carvalho e Larissa Cândido.
O Brasil vive seu melhor momento na história da modalidade graças à Nicole Silveira. A gaúcha de Rio Grande, que mora e treina no Canadá, se consolidou entre as principais atletas do mundo. Na temporada 2025/2026, Nicole conquistou o bronze na etapa de St. Moritz da Copa do Mundo, pista considerada o berço do esporte. Foi a terceira vez que a brasileira subiu ao pódio em Copas do Mundo – repetindo feitos da temporada passada, quando também foi bronze em St. Moritz e em Pyeongchang.
Além disso, em 2025, ela alcançou um histórico 4º lugar no Campeonato Mundial, melhor resultado do Brasil no skeleton. A brasileira chega a Milão-Cortina como candidata real a disputar medalha, algo inédito para o país nos esportes de trenó.



