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IBSF congela retorno de equipes russas as competições

Decisão foi tomada no último dia 27

Regys Silva 4 min
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IBSF congela retorno de equipes russas as competições
Foto: REUTERS/Thomas Peter

As federações-membro da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF) votaram, em um congresso extraordinário realizado na última terça-feira (27) — seguindo uma proposta do comitê executivo da entidade —, pela manutenção da exclusão das equipes russas de bobsled (nas categorias de duplas e quartetos) da temporada 2026/27 da Copa do Mundo.

A IBSF submeteu duas opções à votação: permitir que os atletas russos continuassem competindo apenas em provas individuais de skeleton e monobob, ou permitir também o retorno das equipes de bobsled. Ambas as opções exigiriam que os atletas russos competissem como neutros; contudo, os delegados rejeitaram a segunda proposta, segundo a Federação Russa de Bobsled, conforme noticiado pelo canal nacional Match TV.

A resolução oficial mantém a estrutura aprovada em outubro de 2025, estabelecendo que a participação dos atletas russos continuará "sujeita às condições de elegibilidade e verificação definidas nos Critérios de Participação de outubro de 2025". A federação russa, por sua vez, sustenta que não serão necessárias verificações adicionais.

As restrições estarão em vigor quando a Copa do Mundo tiver início em Altenberg, na Alemanha, no dia 27 de novembro, mantendo as equipes russas fora das provas por equipes da IBSF ao longo de toda a temporada. A proibição também pode se estender ao Campeonato Mundial, embora a IBSF não tenha declarado explicitamente se as restrições serão aplicadas a essa competição.

A decisão frustrou as esperanças da federação russa de reintegrar todas as suas equipes às competições internacionais. Seu presidente, Anatoly Pegov, declarou à agência de notícias TASS: "Quanto à permissão para atletas de bobsled competirem em duplas e quartetos, a Europa ainda não está pronta para aceitá-los. Pretendemos lutar pelos direitos deles, em conjunto com o Comitê Olímpico Russo". Apesar do resultado, a federação afirmou, em um comunicado divulgado pela Match TV, que está disposta a colaborar com a IBSF e com as federações nacionais, explorar a possibilidade de sediar competições internacionais em sua própria pista, além de buscar patrocínio e apoio financeiro para ambas as modalidades.

Segundo Pegov, também surgiram divergências durante o próprio congresso: representantes da Ucrânia e da Letônia teriam tentado remover a questão da participação russa da pauta, argumentando que as circunstâncias não haviam mudado o suficiente para justificar uma revisão das restrições. O pedido deles foi rejeitado pela maioria, disse Pegov, embora o comunicado oficial da IBSF não apresente o detalhamento da votação final sobre a manutenção das sanções.

O atleta ucraniano de skeleton, Vladyslav Heraskevych, por sua vez, celebrou a decisão. Em uma publicação nas redes sociais, ele afirmou que, junto a outros, apresentou fatos durante o congresso que, em sua visão, demonstravam que a Federação Russa de Bobsleigh e alguns de seus atletas apoiaram ativamente as ações de seu governo — sendo que certos atletas também possuíam vínculos com o exército russo. Após as discussões, ele escreveu que "uma decisão justa foi adotada por uma maioria expressiva de votos".

As restrições decorrem da invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022 — conflito que perdura até hoje e que levou o Comitê Olímpico Internacional (COI) a recomendar a exclusão de atletas e dirigentes russos e bielorrussos de competições internacionais. A IBSF impôs a proibição aos atletas russos em julho daquele ano. Em março de 2023, o COI flexibilizou sua postura, recomendando que atletas individuais pudessem retornar como neutros, sob determinadas condições, embora tenha mantido a recomendação de excluir equipes.

A situação começou a mudar em outubro de 2025, quando o Tribunal de Apelações da IBSF revogou parcialmente a proibição imposta em 2022. A decisão estabeleceu que apenas os atletas que não cumprissem os requisitos do COI para competir como neutros nos Jogos de Milano Cortina 2026 permaneceriam excluídos, ao mesmo tempo em que rejeitou a readmissão imediata de todos os atletas russos. Após analisar os pedidos, a federação autorizou, em dezembro de 2025, a participação de nove atletas russos na Copa da Europa da IBSF durante a temporada 2025/26; contudo, eles não puderam ingressar na Copa do Mundo por não possuírem pontos suficientes no ranking.

A perspectiva de um retorno mais amplo ganhou força em 7 de julho, quando o COI suspendeu provisoriamente a punição ao Comitê Olímpico Russo — imposta em outubro de 2023, após a incorporação de organizações esportivas de territórios ucranianos ocupados — e retirou suas recomendações restritivas anteriores. No entanto, essa mudança não significou uma readmissão automática, uma vez que cada federação manteve a prerrogativa de estabelecer suas próprias condições. A IBSF anunciou, na sequência, que revisaria seus estatutos e regulamentos para se adequar ao novo cenário, ao passo que as decisões sobre a realização de competições na Rússia e o uso de símbolos nacionais permaneceram a cargo das respectivas entidades dirigentes.

A decisão de terça-feira, portanto, deixa a federação russa sem um cronograma claro para o retorno de suas equipes, uma vez que a IBSF não deu qualquer indicação de quando poderia reconsiderar as restrições ou quais circunstâncias poderiam levar a uma revisão.

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#Esportes de Inverno#Rússia