Dados oficiais, no entanto, também ressaltam o domínio avassalador da Espanha e da Argentina no mais alto nível da modalidade mundial, com as duas nações concentrando a grande maioria dos jogadores de elite e dos títulos mundiais. Cerca de 84% dos integrantes do Top 100 mundial masculino vêm exclusivamente dessas duas potências de língua espanhola. A maior parte das vagas restantes é dividida entre Itália e Brasil, com uma presença ainda tímida de nações como França, Portugal, Chile e Paraguai.
Em termos olímpicos, tal concentração nunca foi um detalhe irrelevante. O Comitê Olímpico Internacional, tradicionalmente cauteloso em relação a modalidades dominadas por poucas nações — e ainda mais reticente quando a verdadeira universalidade é escassa —, já demonstrou disposição para cobrar um preço alto, inclusive de esportes de grande tradição histórica.
O exemplo recente mais drástico ocorreu em julho, quando o COI retirou oficialmente o combinado nórdico do programa dos Jogos de Inverno de 2030, nos Alpes Franceses. Apesar de ser uma das modalidades fundadoras dos Jogos Olímpicos de Inverno e estar presente desde 1924, sua exclusão foi justificada pela baixa audiência televisiva e, fundamentalmente, por um cenário competitivo em que os lugares no pódio estavam concentrados em apenas três ou quatro países, historicamente liderados pela Noruega. O alerta para o padel, extraído desse precedente, não poderia ser mais claro. Se as medalhas olímpicas ficassem restritas quase exclusivamente à Espanha e à Argentina, as chances de o esporte obter o reconhecimento definitivo do COI poderiam ser consideravelmente enfraquecidas. No entanto, o padel possui uma vantagem significativa em relação ao combinado nórdico. Enquanto a modalidade de inverno enfrenta há muito tempo críticas por manter um formato olímpico exclusivamente masculino, o equilíbrio de gênero surge como um dos pontos fortes do padel em suas negociações com o COI: as mulheres representam quase 40% da base global de praticantes amadores do esporte.
Madri é, sem surpresa, amplamente considerada a capital mundial de um dos esportes que mais crescem no planeta. A Espanha conta com mais de 17.300 quadras, muito à frente da Itália, com 10.220, e da Argentina, com 7.000, conforme detalhado anteriormente pelo Inside The Games em uma reportagem extensa. Embora esses dois países concentrassem quase todas as instalações anos atrás, hoje 65% da infraestrutura está localizada fora desses dois mercados tradicionais.