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Jogadoras do Irã confirmam que silêncio durante hino em partida da Copa da Ásia foi um protesto contra Teerã

Fato aconteceu no primeiro jogo da competição, contra a Coreia do Sul

Regys Silva 3 min
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Jogadoras do Irã confirmam que silêncio durante hino em partida da Copa da Ásia foi um protesto contra Teerã
Foto: Department of Home Affairs/ via AP

Duas integrantes da seleção feminina de futebol do Irã que pediram asilo na Austrália confirmaram que sua decisão crucial de não cantar o hino nacional durante a Copa da Ásia Feminina, em março, foi um protesto contra Teerã.

A primeira entrevista à imprensa com Atefeh Ramezanisadeh, de 34 anos, e Fatemeh Pasandideh, de 22, desde que abandonaram a equipe para se tornarem refugiadas, foi transmitida no domingo pelo programa de atualidades australiano "60 Minutes".

"Nós só queríamos apoiar nosso povo. Tive medo em alguns momentos, mas tentei fazer o que era certo e dizer que ninguém deveria ser morto apenas por protestar", disse Ramezanisadeh à Nine Network, por meio de um intérprete.

A equipe foi criticada no Irã e rotulada como traidora pela mídia local por permanecer em silêncio quando o hino nacional iraniano foi executado antes da derrota na estreia contra a Coreia do Sul, em 2 de março.

Alguns viram o gesto como um ato de resistência, enquanto outros o interpretaram como uma demonstração de luto após os ataques dos EUA e de Israel ao seu país, iniciados em 28 de fevereiro. A equipe não ofereceu nenhuma explicação pública.

O gesto levou manifestantes a exigirem que fosse oferecido asilo à equipe na Austrália antes que ela deixasse Sydney, em 10 de março.

Ramezanisadeh e Pasandideh disseram que estavam protestando contra a repressão brutal de Teerã às manifestações em todo o país contra o regime teocrático do Irã.

Ramezanisadeh afirmou que seu silêncio "poderia ter significado qualquer forma de tortura" para ela.

"Mas, naquele momento, a única coisa que me trazia paz e consciência tranquila era não cantá-lo. Eu queria cantar o hino com orgulho e de coração. Mas, devido à situação no Irã, eu realmente não conseguia fazer isso", disse ela.

Sobre o seu próprio silêncio, Pasandideh disse, por meio de um intérprete: "Meu povo arriscou a vida e foi morto. Fazer aquilo foi o mínimo que podíamos fazer por eles".

O ministro da Imigração da Austrália, Tony Burke, disse que, naquela ocasião, não havia sido oferecido asilo a nenhuma integrante da equipe.

"Naquele momento, elas não tinham absolutamente nenhuma informação nossa sobre a possibilidade de poderem ficar", disse Burke.

"O silêncio, por si só, foi profundamente significativo", afirmou ele. "A reação foi o momento explosivo." A situação ganhou maior repercussão quando o presidente dos EUA, Donald Trump, usou as redes sociais para pedir que fosse concedido asilo à equipe e telefonou para o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, para tratar do assunto.

Albanese informou a Trump que, naquela altura, quatro jogadoras e uma dirigente da equipe já haviam aceitado ofertas de vistos humanitários.

Sete integrantes da equipe chegaram a aceitar a oferta de asilo da Austrália, mas todas mudaram de ideia logo depois, com exceção de Ramezanisadeh e Pasandideh. Ambas jogam atualmente pelo Wynnum Wolves, um time de futebol semiprofissional na cidade de Brisbane, e tornaram-se cidadãs australianas em agosto.

Ramezanisadeh contou que seus pais haviam pedido que ela retornasse, seguindo instruções das autoridades iranianas.

"Eles tentaram me tranquilizar, dizendo: 'Nada vai acontecer com você. Aqui é a sua casa. Você precisa voltar para casa'. Mas eu disse a eles que já tinha decidido e que não voltaria", afirmou Ramezanisadeh.

"Pensar que talvez eu nunca mais pudesse ver minha família foi de partir o coração, mas eu não podia me permitir ficar indiferente enquanto tantos jovens eram mortos por esse regime. Eu não podia ficar calada, mesmo sentindo tanta falta da minha família", acrescentou.

Ambas disseram não ter mantido contato com suas famílias nos últimos meses, mas acreditavam que seus parentes não haviam sofrido punições.

Pasandideh disse que nunca perguntou às suas colegas de equipe se elas queriam voltar ao Irã ou se haviam sido forçadas a isso.

"Decidimos não conversar sobre o assunto porque não quero colocar a vida delas em perigo", disse Pasandideh.

"Um dos meus maiores sonhos é poder voltar ao Irã, mas em circunstâncias diferentes — quando a situação no país tiver mudado e o povo iraniano estiver feliz e próspero. Aí sim eu voltarei e verei minha família", acrescentou.

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#Futebol#Irã