Em agosto de 2016, eu estava no último ano do ensino médio. Ainda não era jornalista, nem imaginava exatamente como chegaria lá, mas já tinha uma certeza: o esporte fazia parte da minha vida.
Os Jogos Olímpicos aconteceram no estado onde nasci e moro. Talvez eu não seja carioca da gema, como dizem, mas ver o Rio de Janeiro receber o maior evento esportivo do planeta parecia algo quase impossível de acreditar. Pela primeira vez, a Olimpíada estava acontecendo tão perto de casa.
Na Copa do Mundo de 2014 eu sequer consegui ir ao Rio sentir o clima da competição. As condições financeiras não permitiam. Dois anos depois, graças a Deus, a história foi diferente. Peguei um ônibus com a minha mãe e fomos até a região olímpica. Não consegui entrar em nenhuma arena, mas isso pouco importava naquele momento.
Queria viver a experiência.

Lembro de ver a pira olímpica de perto, caminhar entre milhares de pessoas e perceber como a cidade havia mudado. Havia idiomas diferentes por todos os lados, bandeiras dos mais variados países, roupas típicas, cores e culturas que eu só conhecia pela televisão. Era como se, por alguns dias, o mundo inteiro tivesse decidido morar no Brasil.
Ao mesmo tempo, havia uma sensação curiosa: eu estava no meu país, mas parecia que tinha viajado para outro continente.
Como todo apaixonado por esporte, passei os dias acompanhando praticamente tudo o que conseguia. Vibrei com Usain Bolt conquistando mais um ouro naquela que seria sua última dança olímpica. A energia dele era contagiante. O amarelo e verde da Jamaica apareciam tanto na televisão que, às vezes, meu subconsciente insiste em dizer que o Bolt era brasileiro. Parece brincadeira, mas era impossível não torcer por ele.
Também tive o privilégio de acompanhar Michael Phelps ampliar ainda mais um recorde que talvez demore décadas para ser ameaçado. Saber que um atleta daquele tamanho havia escolhido competir no Rio fez aqueles Jogos parecerem ainda mais especiais.



