Surto Olímpico
Voltar

Países Nórdicos dizem que não vão disputar o Mundial de Hóquei sobre o gelo

Corte Arbitral do Esporte (CAS) determinou que a Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF) deveria reintegrar as equipes russas, começando pelo campeonato mundial júnior, que terá início no próximo mês, no Canadá.

Regys Silva 4 min
Compartilhar
Países Nórdicos dizem que não vão disputar o Mundial de Hóquei sobre o gelo
Foto: REUTERS/Denis Balibouse

As potências do hóquei Suécia e Finlândia afirmaram que se recusarão a jogar contra a Rússia no campeonato mundial do próximo ano, em meio a um movimento de boicote crescente que já conta com a adesão de mais de um quarto das nações que participarão do torneio.

A divisão no esporte se aprofundou na terça-feira, quando a Suécia — 11 vezes campeã mundial —, a Noruega, a Letônia e a Dinamarca aderiram ao boicote. Além disso, um dos principais patrocinadores ameaçou encerrar sua parceria, logo após a Finlândia anunciar, na segunda-feira, que estava mobilizando outras nações para se recusarem a enfrentar a Rússia.

A federação tcheca manifestou apoio aos países que aderiram ao boicote e informou que a recusa em jogar contra a Rússia estará na pauta da reunião de sua diretoria na próxima semana.

Na semana passada, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) determinou que a Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF) deveria reintegrar as equipes russas, começando pelo campeonato mundial júnior, que terá início no próximo mês, no Canadá.

A IIHF não apresentou uma reação imediata aos boicotes.

A federação sueca de hóquei informou que sua diretoria decidiu, na terça-feira, que a equipe não enfrentará a Rússia, embora continue participando das demais partidas do campeonato mundial. A decisão representa uma mudança de postura em relação à semana passada, quando a Suécia havia indicado que o boicote estava descartado após a decisão da CAS, na sexta-feira.

"As 'Três Coroas' [apelido da seleção sueca] não jogarão contra a Rússia nos próximos campeonatos mundiais", declarou Anders Larsson, presidente da federação.

O comunicado sueco foi divulgado pouco depois de a Noruega anunciar sua adesão ao boicote.

"Nossa posição é a de que a Rússia deve ser excluída de todos os campeonatos internacionais enquanto a guerra na Ucrânia persistir", afirmou a Associação Norueguesa de Hóquei no Gelo. "Ao mesmo tempo, esta decisão baseia-se na nossa responsabilidade de proteger a segurança e o bem-estar dos nossos jogadores, da equipe técnica e de seus familiares. Acreditamos que enfrentar a Rússia nas circunstâncias atuais poderia expor nossos atletas e a equipe técnica a riscos significativos de segurança. Portanto, nossa prioridade é a saúde mental, o bem-estar e a segurança pessoal deles."

Em seu comunicado, a Noruega mencionou especificamente o campeonato mundial masculino, previsto para maio.

Questionado sobre o campeonato mundial júnior, que começa no próximo mês no Canadá, o secretário-geral da Associação Norueguesa de Hóquei no Gelo, Petter Salsten, disse à agência Associated Press que a Noruega poderia acabar sendo excluída do torneio pela própria IIHF, para abrir espaço para a Rússia. Nesse caso, "se a Rússia for incluída, há uma grande possibilidade de a Noruega ficar de fora", escreveu ele por e-mail, já que a Noruega foi a última equipe a se classificar.

O presidente da federação de hóquei da Dinamarca declarou à agência de notícias Ritzau que suas equipes não enfrentariam a Rússia. A federação da Letônia afirmou que "reafirma sua posição firme e de longa data" de não jogar contra a Rússia ou sua aliada, a Bielorrússia.

A Finlândia é a atual campeã mundial masculina, e a Noruega conquistou a medalha de bronze este ano.

O boicote crescente assemelha-se à situação ocorrida no futebol em 2022, logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Naquela ocasião, todos os possíveis adversários da Rússia nas eliminatórias da Copa do Mundo ameaçaram boicotar as partidas. A FIFA argumentou com sucesso perante o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) pela exclusão da Rússia, sob a justificativa de que, caso contrário, a competição correria o risco de sofrer danos "irreparáveis ​​e caóticos".

A fabricante finlandesa de pneus Nokian Tyres informou que deixará de patrocinar o campeonato mundial caso a Rússia participe.

Tiina Frazer, vice-presidente sênior de marca, marketing e comunicação, afirmou que, "nas circunstâncias atuais, manter o patrocínio caso a Rússia participe não estaria alinhado aos nossos valores".

Anteriormente, o diretor executivo da federação de hóquei da Alemanha mencionou a possibilidade de o país desistir de sediar o campeonato mundial masculino no próximo ano, citando preocupações com custos e segurança.

Torneios das categorias de base também foram afetados: a cidade finlandesa de Turku anunciou que não sediará o campeonato mundial júnior no próximo ano caso a Rússia participe.

A federação tcheca, que sediará o campeonato mundial feminino sub-18 em janeiro, informou na terça-feira que consultará o governo sobre a possibilidade de impedir a entrada de atletas russas no país.

Uma figura política que apoia o retorno da Rússia é o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, conhecido por sua postura pró-Rússia. "Também sempre me perguntei qual é o valor de uma medalha de ouro se, para conquistá-la, você não precisa derrotar as jogadoras russas de hóquei, que estão, sem dúvida, entre as melhores do mundo", publicou ele nas redes sociais no sábado.

O campeonato mundial feminino, que começa na Dinamarca esta semana, não foi afetado pela decisão da CAS e segue sendo realizado sem a Rússia.

Compartilhar
#Rússia#Mundial de Hóquei no Gelo#Esportes de Inverno