As potências do hóquei Suécia e Finlândia afirmaram que se recusarão a jogar contra a Rússia no campeonato mundial do próximo ano, em meio a um movimento de boicote crescente que já conta com a adesão de mais de um quarto das nações que participarão do torneio.
A divisão no esporte se aprofundou na terça-feira, quando a Suécia — 11 vezes campeã mundial —, a Noruega, a Letônia e a Dinamarca aderiram ao boicote. Além disso, um dos principais patrocinadores ameaçou encerrar sua parceria, logo após a Finlândia anunciar, na segunda-feira, que estava mobilizando outras nações para se recusarem a enfrentar a Rússia.
A federação tcheca manifestou apoio aos países que aderiram ao boicote e informou que a recusa em jogar contra a Rússia estará na pauta da reunião de sua diretoria na próxima semana.
Na semana passada, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) determinou que a Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF) deveria reintegrar as equipes russas, começando pelo campeonato mundial júnior, que terá início no próximo mês, no Canadá.
A IIHF não apresentou uma reação imediata aos boicotes.
A federação sueca de hóquei informou que sua diretoria decidiu, na terça-feira, que a equipe não enfrentará a Rússia, embora continue participando das demais partidas do campeonato mundial. A decisão representa uma mudança de postura em relação à semana passada, quando a Suécia havia indicado que o boicote estava descartado após a decisão da CAS, na sexta-feira.
"As 'Três Coroas' [apelido da seleção sueca] não jogarão contra a Rússia nos próximos campeonatos mundiais", declarou Anders Larsson, presidente da federação.
O comunicado sueco foi divulgado pouco depois de a Noruega anunciar sua adesão ao boicote.
"Nossa posição é a de que a Rússia deve ser excluída de todos os campeonatos internacionais enquanto a guerra na Ucrânia persistir", afirmou a Associação Norueguesa de Hóquei no Gelo. "Ao mesmo tempo, esta decisão baseia-se na nossa responsabilidade de proteger a segurança e o bem-estar dos nossos jogadores, da equipe técnica e de seus familiares. Acreditamos que enfrentar a Rússia nas circunstâncias atuais poderia expor nossos atletas e a equipe técnica a riscos significativos de segurança. Portanto, nossa prioridade é a saúde mental, o bem-estar e a segurança pessoal deles."
Em seu comunicado, a Noruega mencionou especificamente o campeonato mundial masculino, previsto para maio.
Questionado sobre o campeonato mundial júnior, que começa no próximo mês no Canadá, o secretário-geral da Associação Norueguesa de Hóquei no Gelo, Petter Salsten, disse à agência Associated Press que a Noruega poderia acabar sendo excluída do torneio pela própria IIHF, para abrir espaço para a Rússia. Nesse caso, "se a Rússia for incluída, há uma grande possibilidade de a Noruega ficar de fora", escreveu ele por e-mail, já que a Noruega foi a última equipe a se classificar.
O presidente da federação de hóquei da Dinamarca declarou à agência de notícias Ritzau que suas equipes não enfrentariam a Rússia. A federação da Letônia afirmou que "reafirma sua posição firme e de longa data" de não jogar contra a Rússia ou sua aliada, a Bielorrússia.
A Finlândia é a atual campeã mundial masculina, e a Noruega conquistou a medalha de bronze este ano.
O boicote crescente assemelha-se à situação ocorrida no futebol em 2022, logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Naquela ocasião, todos os possíveis adversários da Rússia nas eliminatórias da Copa do Mundo ameaçaram boicotar as partidas. A FIFA argumentou com sucesso perante o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) pela exclusão da Rússia, sob a justificativa de que, caso contrário, a competição correria o risco de sofrer danos "irreparáveis e caóticos".

