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Projetos sociais são porta de entrada para o desenvolvimento de crianças no esporte

Neste Dia das Crianças, entenda o papel de instituições sem fins lucrativos para o avanço da prática esportiva entre os mais novos

Redação Surto Olímpico 4 min
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Projetos sociais são porta de entrada para o desenvolvimento de crianças no esporte
Foto: Divulgação

Para milhares de crianças e adolescentes brasileiros, os projetos sociais representam uma oportunidade de acesso à prática esportiva, desenvolvimento de habilidades e construção de novas perspectivas de futuro. A importância dessas iniciativas também se reflete no alto rendimento: segundo levantamento do Instituto BH Futuro sobre a trajetória de atletas brasileiros, 21% das medalhas conquistadas pelo país nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2021 e Paris 2024 vieram de atletas que iniciaram sua trajetória esportiva em projetos sociais.

Além de abrir caminhos para a descoberta de talentos, essas iniciativas contribuem para a formação integral de crianças e jovens, especialmente daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social. Por meio do esporte, é possível estimular valores como respeito, disciplina, cooperação e trabalho em equipe, além de fortalecer a autoestima, a convivência e o sentimento de pertencimento.

Em comunidades com acesso limitado a atividades esportivas e de lazer, os projetos sociais ajudam a democratizar oportunidades e mostram que os benefícios do esporte vão muito além das medalhas: eles também estão na formação cidadã e nas perspectivas de futuro de cada participante.

O acesso, porém, ainda é um desafio para quem sonha em seguir carreira no esporte. Segundo levantamento divulgado pela Serasa, 74% dos esportistas brasileiros não contaram com incentivo financeiro durante a infância. A pesquisa também aponta que 42% dos brasileiros já sonharam em se tornar atletas profissionais. Os números evidenciam a distância entre o interesse pela prática esportiva e as condições necessárias para desenvolvê-la, reforçando a importância de iniciativas que democratizem o acesso às modalidades e ofereçam oportunidades desde os primeiros anos de vida.

É nesse cenário que atua, por exemplo, o Instituto CADES, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que utiliza o esporte como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento humano. Desde o início de sua trajetória, em 2007, a instituição já realizou mais de 40 projetos, ampliando o contato de crianças, adolescentes e mulheres com diferentes modalidades. Entre as iniciativas estão o Tênis para Todos, o Pré-Atletismo na Escola e o Vôlei para Todos, além de projetos voltados à participação feminina, como ELAS no Futebol e Esportes de Raquete para Meninas. As atividades são realizadas em espaços como escolas públicas, Centros Educacionais Unificados (CEUs) e equipamentos comunitários.

A proposta do CADES parte do princípio de que aprender um esporte também significa desenvolver habilidades para a vida. Por meio de metodologias próprias, a instituição busca estimular aspectos físicos, motores, cognitivos e socioemocionais, valorizando a participação e o protagonismo dos alunos. A atuação também contempla a proteção social, com ações psicossociais, escuta qualificada e encaminhamentos para a rede de apoio. Ao todo, mais de 78 mil crianças e jovens já foram atendidos pela instituição ao longo desses quase 20 anos.

“O esporte é um direito de todas as crianças e precisa estar ao alcance de todas elas, independentemente de sua condição social. Para aquelas que vivem em situação de vulnerabilidade, o acesso às atividades esportivas pode representar muito mais do que a oportunidade de praticar uma modalidade: é a chance de desenvolver habilidades, fortalecer a autoestima, criar vínculos e descobrir novas possibilidades para o futuro. Acreditamos que toda criança merece um espaço seguro para aprender, conviver e desenvolver seu potencial, e os projetos sociais têm um papel fundamental para tornar isso possível”, explica Ana Cristina Amaro, presidente do Instituto CADES.

A relação entre projetos sociais e esporte de alto rendimento também ajuda a dimensionar o potencial dessas iniciativas, embora a formação de atletas profissionais não seja seu único objetivo. Para crianças que encontram barreiras financeiras ou poucas oportunidades de acesso, esses espaços podem representar o primeiro contato com modalidades esportivas e abrir caminhos para o aprimoramento técnico. Mais do que revelar talentos, porém, o impacto está na possibilidade de experimentar, aprender e desenvolver habilidades que acompanham os participantes dentro e fora das quadras, pistas e campos.

“Quando uma criança começa a praticar um esporte, ela também aprende a lidar com frustrações, respeitar diferenças, estabelecer metas e encontrar soluções para os desafios que surgem pelo caminho. Essas experiências ultrapassam o ambiente esportivo e podem refletir diretamente no desempenho escolar, nas relações familiares e na maneira como ela se posiciona diante do mundo. Por isso, no CADES, entendemos o esporte como uma ferramenta educativa que prepara crianças e jovens não apenas para uma eventual carreira esportiva, mas também para os desafios e as oportunidades da vida em sociedade.”, completa a presidente do CADES.

No Dia das Crianças, a importância dessas iniciativas demonstra a necessidade de ampliar oportunidades para que o esporte faça parte da infância de forma acessível, segura e educativa. A atuação de organizações como o Instituto CADES mostra como projetos sociais podem aproximar crianças e jovens da prática esportiva e contribuir para sua formação integral.

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