A oposto Tiffany Abreu, atleta da equipe paulista do Osasco, está proibida de participar da Superliga Feminina de Vôlei, em razão da nova política instituída pela Confederação Brasileira de Vôlei, divulgada em agosto. A nova política para participação de atletas trans atingiu particularmente a tocantinense, que desabafou na saída do evento:
“Infelizmente numa época não tão favorável, mas aqui estou, presente, para mostrar que eu existo, que tenho direito de estar aqui”, disse ela ao Surto Olímpico e outros jornalistas.
Na passagem, concedeu entrevista por alguns minutos e não escondeu a emoção ao falar do período em que esteve em quadra, desde 2017, representando o vôlei feminino brasileiro e sobre ser inspiração a novos e novas atletas: “Foram 10 anos lindos, 10 anos que inspirei muitas pessoas, muitos atletas de hoje, dentro de quadra. Atletas que inclusive jogaram, compartilharam quadra comigo, falam que fui inspiração deles”, afirma a oposto.
Durante sua fala, Tiffany seguiu comovida e lembrando-se da história que construiu, nestes anos, apontando para o final de carreira que se avizinha:
“Quero poder terminar essa minha carreira de atleta com o pé direito, digna. Digna de aposentadoria, digna de falar assim: ‘Eu comecei, eu terminei, eu me superei’. E não assim: proibida, jogada na sarjeta, como se nada tivesse acontecido.”
Ao ser questionada sobre os próximos passos, Tiffany diz que segue em conversas com a Confederação, porém foi muito clara quanto a seus pontos:
“Se não for de ‘bom acordo’, que a justiça possa estar ao meu lado, porque eu só queria estar trabalhando. Eu poderia estar aqui sorrindo e representando meu esporte, e não lutando por ser quem eu sou, lutando para estar nas quadras novamente. Difícil, muito difícil”, desabafou a atleta.
Por fim, a jogadora de 41 anos desafoga o sentimento sobre toda a situação, mas reforça que não desistirá de participar da competição:
“Complicado também, né, porque mudaram toda a estratégia do evento, claramente tentando me silenciar. Mas eu vou lutar até o final, para que a história seja contada e eu continue inspirando pessoas”, finalizou a primeira pessoa trans a participar de uma partida oficial e, também, vencer o troféu da Superliga.
Também presente ao evento ocorrido nesta tarde, o técnico Luizomar de Moura, do Osasco e da Seleção Cubana de Voleibol Feminino, também concedeu entrevista na zona mista e comentou sobre o clube não ter podido subir para participar das fotos com outros treinadores e atletas envolvidos:
“Fiquei triste, porque eu tenho acho que 27 fotos no palco, junto com todos os treinadores, tanto masculino quanto feminino, todas as atletas. Isso é uma grande recordação. E esse ano, a gente não pôde ir, né?” disse o treinador aos jornalistas, e completou, em seguida: “Então, se o motivo de não estar na foto é porque a Tiffany estava aqui, a gente só tem que lamentar. Eu acho que vai ficar manchada essa foto da Superliga 26/27”.
A Superliga 2026/2027 se inicia em 17 de outubro, com 12 clubes disputando a primeira divisão da competição.
Se Tiffany Abreu irá conseguir desfilar seu voleibol no certame, só o tempo vai dizer.
“Que eu continue inspirando pessoas”: Tiffany Abreu desabafa sobre proibição da CBV
No evento de abertura da temporada 2026/2027 da Superliga de Vôlei, atleta do Osasco dá entrevista e informa que segue buscando resolução para disputar o torneio.
Marcos Domínguez 2 min

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