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Rússia exige respostas por ausência do atletismo do país em Dacar 2026

Entidade culpa World Athletics pelas restrições

Regys Silva 4 min
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Rússia exige respostas por ausência do atletismo do país em Dacar 2026
Foto: VCG

A Federação Russa de Atletismo criticou a ausência de seus atletas nos Jogos Olímpicos da Juventude e culpou a World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) por manter restrições, apesar das recomendações do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a participação de jovens.

Em um comunicado publicado em seu site oficial, a Federação Russa de Atletismo (RusAF) expressou profunda decepção com uma situação que, segundo a entidade, prejudica o desenvolvimento dos atletas e reduz o nível da competição. "Excluí-los por causa de sua nacionalidade elimina uma oportunidade vital em um momento decisivo de sua formação esportiva", alertou a federação, acusando o órgão regulador internacional de adotar uma política de exclusão. A entidade exigiu que a federação internacional explique publicamente seus critérios e reconsidere as restrições, enquanto ainda há tempo para admitir os atletas.

O protesto incluiu também um depoimento de Arina Krylatkova, saltadora em altura russa que detém uma marca pessoal de 1,83 metro e figura entre as três melhores atletas sub-18 do mundo na modalidade. Após anos de treinamento, ela lamentou perder a chance de competir contra suas rivais no Senegal. "Sinto que fui privada da oportunidade de conquistar meu lugar, de me testar diante de minhas pares e de ser avaliada pelo meu desempenho", afirmou, embora tenha celebrado o fato de que outros atletas russos poderão competir em outras modalidades.

A RusAF sustenta que as consequências dessa exclusão vão muito além de Dakar, limitando as oportunidades de desenvolvimento internacional para jovens atletas que aspiram competir no mais alto nível. A federação relembrou que a Rússia conquistou três medalhas de ouro em Cingapura 2010, quatro ouros e duas pratas em Nanquim 2014, além de outras quatro medalhas em Buenos Aires 2018. "Uma competição sem alguns de seus atletas mais fortes representa um teste de excelência incompleto", argumentou a entidade, ressaltando que os demais participantes também são privados da chance de se medir contra adversários de alto nível.

A situação evidencia divergências na forma como as federações internacionais têm aplicado a recomendação endossada em 11 de dezembro de 2025, durante a Cúpula Olímpica em Lausanne, presidida pela presidente do COI, Kirsty Coventry. Os participantes defenderam a permissão para que jovens atletas com passaporte russo ou bielorrusso retornem às competições internacionais juvenis — tanto em esportes individuais quanto coletivos —, sem restrições baseadas em sua nacionalidade. Eles também declararam explicitamente que esses princípios deveriam ser aplicados aos Jogos de Dakar 2026, incluindo o uso de bandeiras e hinos nacionais conforme os protocolos padrão, desde que as respectivas organizações esportivas nacionais estivessem em situação regular. O presidente da World Athletics, Sebastian Coe, estava entre os presentes.

Essa posição, contudo, tratava-se de uma recomendação, e não de uma autorização automática para competir. O COI deixou a cargo de cada federação internacional a definição das competições juvenis e a implementação das medidas segundo seus próprios regulamentos, reconhecendo que a colocação em prática dessas diretrizes demandaria tempo. A entidade olímpica também manteve restrições quanto a credenciamentos e convites para representantes dos governos da Rússia e da Bielorrússia.

Apesar dessa orientação, o Conselho da World Athletics avaliou, em julho, possíveis alterações nas sanções impostas em março de 2022 — após a invasão da Ucrânia pela Rússia —, mas manteve a exclusão de atletas, dirigentes e equipes de apoio da Rússia e da Bielorrússia de competições internacionais. A decisão não abriu exceções para atletas jovens e não abordou especificamente a participação deles em Dakar. Coe defendeu a manutenção das restrições como necessárias para proteger a integridade e a equidade das competições, citando a ausência de avanços concretos em direção a negociações de paz.

A ausência de atletas russos nas provas de atletismo em Dakar 2026 deve ser compreendida também no contexto de como as vagas são distribuídas para os Jogos. Conforme explicou a assessoria de imprensa do COI à agência de notícias TASS, as vagas não são obtidas por meio de classificação direta, mas sim atribuídas pela entidade olímpica em estreita colaboração com as federações internacionais. Pelas regras oficiais do evento, o COI gerencia as cotas de forma centralizada, enquanto cada federação estabelece os requisitos esportivos e de elegibilidade; nesse sistema, a Rússia obteve vagas em outras modalidades, mas nenhuma no atletismo.

Essa distribuição reflete-se na delegação oficial da Rússia para Dakar 2026, composta por 13 atletas em nove modalidades: ciclismo, judô, hipismo, natação, skate, ginástica, taekwondo, wushu e esgrima. Segundo o Ministério do Esporte da Rússia, todos competirão sob a bandeira nacional, e o hino russo será executado em caso de vitória. Os Jogos serão realizados no Senegal, de 31 de outubro a 13 de novembro, reunindo cerca de 2.700 atletas de até 17 anos em 25 modalidades esportivas.

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#Rússia#World Athletics