Do montante federal, 60 milhões de francos suíços (65 milhões de euros) seriam destinados aos Jogos Paralímpicos, 50 milhões (54,2 milhões de euros) ajudariam a reduzir as tarifas de transporte público para os espectadores e outros 80 milhões (86,7 milhões de euros) contribuiriam para os custos de disponibilização das instalações de competição. Os 10 milhões restantes (10,8 milhões de euros) cobririam despesas imprevistas, enquanto as operações de segurança sob responsabilidade federal seriam financiadas separadamente, com um custo adicional estimado entre 40 milhões (43,3 milhões de euros) e 80 milhões de francos suíços (86,7 milhões de euros).
A alocação de riscos financeiros é outro elemento-chave do acordo, uma vez que o governo federal não garantirá eventuais prejuízos. A associação organizadora planeja estabelecer uma garantia contra déficits financiada pelo setor privado no valor de 200 milhões de francos suíços (216,7 milhões de euros), para a qual já obteve compromissos de empresas como ABB, Sunrise e On. Esse apoio corporativo tem um peso especial, uma vez que várias localidades candidatas a sediar o evento exigiram uma distribuição transparente de custos e garantias contra o repasse de despesas adicionais e riscos financeiros para elas.
No entanto, o ponto mais polêmico do debate não dizia respeito aos valores envolvidos, mas sim à questão de saber se o país deveria realizar um referendo nacional. A proposta foi rejeitada por 106 votos a 78, com oito abstenções, depois que seus defensores questionaram se um empreendimento dessa magnitude deveria prosseguir sem dar à população a oportunidade de se manifestar diretamente.
O deputado Roman Hug, do Partido do Povo Suíço, argumentou que o cronograma internacional não justificava ignorar a participação popular. "O cronograma do COI não é motivo para contornar a vontade do povo", afirmou. Sua posição foi apoiada pelo Partido Verde e por alguns parlamentares do Partido Socialista e de seu próprio partido, enquanto liberais e membros do centro argumentaram que as votações em nível cantonal e municipal ofereciam garantias democráticas suficientes.
A deputada socialista Estelle Revaz, falando em nome da maioria da comissão parlamentar responsável, alertou que a realização de uma votação nacional poderia comprometer a chance de a Suíça garantir a sede dos Jogos. "Um referendo é incompatível com o cronograma", disse ela, segundo a agência de notícias ATS, ressaltando que o dossiê da candidatura deve ser apresentado ao COI em fevereiro de 2027 para permitir uma possível decisão na primavera. Embora a fase de diálogo privilegiado se estenda até o final daquele ano, qualquer atraso poderia expor a candidatura "Suíça 2038" à concorrência de outras partes interessadas.
O ministro do Esporte, Martin Pfister, também defendeu o procedimento, enquanto a deputada liberal Simone de Montmollin enfatizou que os cidadãos continuariam tendo voz nas decisões que afetassem suas respectivas regiões. De fato, segundo Pfister, já estão previstas votações em pelo menos dois municípios do cantão de Grisões (Graubünden), o que demonstra que a rejeição de um referendo federal não exclui a realização de consultas locais.
Paralelamente às decisões financeiras e políticas, surgiram novas exigências relacionadas à sustentabilidade, transparência e governança, incluindo prioridade para o transporte público, uma carta de compromissos sociais e culturais e melhorias duradouras na acessibilidade. A Câmara também rejeitou, por 101 votos a 90 e duas abstenções, uma proposta que exigia compensação por danos à natureza, às paisagens e ao clima. A deputada Florence Brenzikofer, do Partido Verde, havia defendido salvaguardas ambientais mais rigorosas, enquanto Katja Christ, do Partido Verde Liberal, resumiu a abordagem que, em sua visão, deveria prevalecer em uma frase registrada pela agência ATS: "Nada de gigantismo".