Para certos “jovens”, o tênis nunca mais será o mesmo sem o Big Three. Claro, novos talentos surgiram, e vai saber se Sinner e Alcaraz ganharão a companhia de um terceiro rival de peso (olá, João Fonseca!). Ainda assim, nada chegará perto do espetáculo que Federer, Nadal e Djokovic (com uma menção mais do que honrosa a Andy Murray), nos proporcionaram ao longo de mais de duas décadas.
Djokovic, o último destes tenistas ainda em atividade, é o tema do novo documentário do Amazon Prime, “Novak Djokovic: O Lobo no Inverno”. O lobo, como nos contam logo no início, é o animal nacional da Sérvia. De certa forma, o animal também serve como símbolo do espírito de Djokovic ao longo dos anos. No começo da carreira, ele era um jovem faminto que caçava e devorava recordes. Agora, enquanto contempla a aposentadoria, seu físico pode até começar a dar sinais de cansaço, mas, como todo velho lobo, ele não perdeu o faro.
Grande parte do documentário gira em torno de quando*, ou se, Djokovic vai finalmente pendurar a raquete. É bem que verdade que Novak é extremamente sincero sobre seus sentimentos. Ele reconhece que, embora a quadra ainda seja o lugar onde se sente mais em paz, o tênis já não é a coisa mais importante da sua vida. Ele admite que está cada vez mais difícil se despedir dos filhos a cada nova turnê pelo circuito.
No entanto, quando conquistou a tão sonhada medalha de ouro em Paris-2024 – evento que, para a alegria dos surtados, ganha um generoso tempo de tela – e muitos acharam que ele finalmente encerraria a carreira, incluindo sua esposa, ele rapidamente mudou o foco para ampliar seu próprio recorde de títulos de Grand Slam. E embora não vença um Major desde 2023, a sensação é de que, saúde permitindo, outro título é apenas uma questão de tempo.
O que move Novak? Melhor ainda: quem é Novak Djokovic? São essas duas perguntas que impulsionam o documentário, que adota um estilo semelhante ao da série documental “Rafa”, da Netflix, ao cronometrar o que seria o (suposto) último ano do atleta enquanto entremeia sua história de vida. Mas, ao contrário de Nadal (que, fora as cenas de arquivo, aparece em apenas uma entrevista) e Federer (que nem é entrevistado), a personalidade e o estilo de jogo de Novak são difíceis de rotular, e suas origens não poderiam ser mais opostas.

