Caio Bonfim foi o nome do Brasil no mundial de atletismo. O marchador fez história em Tóquio, com uma prata e um ouro conquistados nas provas de 35 e 20km, respectivamente se tornando o maior medalhista brasileiro em mundiais, superando Claudinei Quirino. E estas conquistas, tão compartilhadas nas redes sociais e chegando até no Jornal Nacional, projetaram Caio para o “olimpo” dos grandes atletas — algo que demorou a acontecer.
Isso demorou porque Caio disputa um esporte que não é encantador aos olhos pela beleza ou graciosidade, ou pela força e velocidade. Desconhecida do grande público, a marcha atlética é um pouco complexo de se entender. Felizmente, Caio pode ter conquistado os brasileiros — afinal, como bem sabemos, o brasileiro adora ver um compatriota ser campeão de qualquer coisa.
É inegável que, tecnicamente, Caio é um dos melhores marchadores do mundo. Além do excelente preparo físico, a marcha exige saber o momento certo de impor um ritmo mais forte ou mais controlado. No Mundial, vimos Caio em seu auge na leitura de prova — especialmente nos 20 km, quando assumiu a liderança no km 14, foi ultrapassado, reagiu no km 18 e, com força total, garantiu a vitória. (Ele mesmo admitiu que achava que seria o segundo ao entrar no estádio, pois não havia visto o japonês ser punido. Sorte de campeão que fala)

