Cuidar de uma delegação de cerca de 500 atletas espalhada por diferentes cidades exige muito mais do que estar disponível para atender uma lesão. Nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, o Comitê Olímpico do Brasil montou uma operação médica planejada de acordo com o tamanho de cada base, o perfil das modalidades e os riscos envolvidos nas competições. Ao todo, são 8 médicos, 9 fisioterapeutas e 6 massoterapeutas trabalhando para dar suporte ao Time Brasil na Argentina.
“Essa estrutura é dimensionada conforme a demanda de atletas. A unidade de Rafaela, por possuir um contingente menor, conta com uma equipe de saúde mais reduzida; já em Rosário, que concentra o maior número de atletas, alocamos o corpo clínico mais robusto. A base de Santa Fé, por sua vez, apresenta um volume intermediário e, consequentemente, uma equipe proporcional”, detalha a doutora Ana Carolina Côrte, que lidera a operação.
Chefe médica do COB e líder da equipe em Rosário, Ana Corte explica que a estrutura também conta com lideranças locais, como a doutora Lara Ramalho, em Santa Fé, e Thiago Chalhub, em Rosário. Para Ana, o planejamento começa antes mesmo de a equipe chegar ao país. “O primeiro passo consiste em avaliar o número total de atletas, as modalidades envolvidas e a distribuição geográfica desses competidores. Com base na experiência adquirida em missões anteriores, estimamos o consumo de medicamentos e a necessidade de equipamentos médicos e de fisioterapia”, explica.
A partir desse diagnóstico, cada base recebe uma estrutura proporcional à demanda. Rafaela, que concentra um contingente menor de atletas, tem uma equipe de saúde mais enxuta. Rosário, onde está o maior número de competidores e modalidades como polo aquático e rúgbi, conta com uma estrutura mais robusta. Santa Fé fica no meio desse desenho e receberá reforço na segunda fase dos Jogos, com a chegada das provas de atletismo.
A distribuição, porém, não leva em conta apenas a quantidade de atletas. O COB também mapeia as características de cada modalidade para decidir onde e quando cada profissional deve estar. Dois ortopedistas foram posicionados nas bases principais, enquanto médicos e fisioterapeutas são direcionados de acordo com suas experiências e com as necessidades específicas dos esportes. Em Rafaela, por exemplo, a presença de um ortopedista está relacionada ao maior risco de trauma associado ao ciclismo. Em Rosário, a estrutura foi reforçada diante das características de modalidades como rúgbi e polo aquático.

