SO: Pra começar, Adilson, gostaria de saber como o futebol entrou na sua vida.
Adilson: É um prazer muito grande estar dentro de uma família que respirava esporte. Meu pai, meu irmão sempre praticavam, naquelas brincadeiras de fim de semana. Participei de escolinhas de futebol desde pequeno, tive a oportunidade de participar de campeonatos na adolescência e isso me inspirou, os profissionais, as pessoas, as amizades, o empurrão familiar e dos amigos para que houvesse esse desejo.
SO: E para além disso, como o futebol feminino entrou na sua vida e como as experiências que você teve no São José e Iranduba podem fazer a diferença nos dias atuais?
Adilson: Fiz a faculdade de educação física e a pós-graduação de metodologia de treinamento para futebol e futsal. E com isso, tive minha 1ª oportunidade em São José dos Campos: no FC Primeira Camisa, onde o idealizador era o Roque Júnior, campeão mundial com a Seleção Brasileira. Trabalhei ali por três anos como preparador físico. E em 2010, recebi o convite do São José para o futebol feminino, e ali com certeza foi um marco na minha vida, tivemos várias conquistas e cheguei a Seleção Brasileira. Fui técnico da equipe sub-20 e auxiliar da principal, e a partir daí, foram três passagens pelo São José, fui pro Iranduba de Manaus, pro Real Brasília, e agora no Mixto. Me agregou muito na vida essa experiência no futebol profissional, os estudos, hoje tenho licença A da CBF, quero ir mais longe. Esse é o caminho a quem quer seguir, sempre com estudos e experiência você adquire.
SO: Conte um pouco da passagem pela Seleção Brasileira sub-20 e pela seleção principal.
Adilson: Foi em um ano que estávamos bem no São José. Em 2012, ganhamos o Campeonato Paulista, tínhamos uma Libertadores já, era Copa do Brasil, não Brasileiro. Era o ”time sensação” a época. Comissão técnica era o Márcio Antônio de Oliveira de técnico. Hoje o auxiliar que está comigo no Mixto, estava na Seleção Brasileira. E lá, foram dois anos. Passagem fantástica no sub-20, campeão sul-americano, sem perder um jogo. Estive no evento no Canadá, no sorteio, faltando três meses pro Mundial. Veio todas as mudanças na CBF e nos desligamos. Na principal, estivemos entre os melhores e em nível de excelência, é marcante. Tivemos conquistas lá e o Márcio sempre me deu oportunidade e autonomia para desenvolvimento técnico e tático. Aprendi muito sobre metodologia e trabalho e isso marca na minha vida até hoje. É o topo e fomos muito felizes lá.
SO: E sobre esse projeto do Roque Júnior: como foi estar ao lado de um pentacampeão mundial, alguém experiente no futebol?
Adilson: A gente já se conhecia e aí veio o convite. Disputávamos o campeonato da segunda divisão e fomos campeões. Pra mim foi tudo novo e tive a honra de trabalhar com ótimos profissionais. Toda vez que o Roque chegava ao treino era especial. Onde ele passava, parava tudo. Ele nos abriu as portas e lá fui feliz. E ele é uma pessoa humilde e carismática, nunca houve uma pressão desnecessária. Tínhamos a função de revelar atletas e muito controle e atenção, além de liberdade para fazer o melhor trabalho possível.

SO: Você treinou camisas tradicionais da modalidade, como São José e Iranduba. Consegue mensurar a sensação de ter conquistado títulos nestes clubes, incluindo três Libertadores e um Mundial de Clubes?
Adilson: Eu costumo dizer que sou privilegiado e abençoado por Deus. Não se conquista nada da noite pro dia nem sozinho. Tem que ter equipe, grupo de atletas, gestão de trabalho, tudo tem que andar perfeitamente. O que acontece fora, quando tudo está desenhado e engrenado, uma hora ou outra o sucesso aparece. No São José apareceu o Adilson Galdino. Foram vários títulos. Em 2014, fomos campeões paulistas, da Libertadores e do Mundial de Clubes no Japão. E ganhei o sul-americano com a Seleção sub-20. Esse ano é mágico e memorável. Sobre o Iranduba, foi pouco tempo, acho que tinha Copa do Brasil e primeiro ano de Brasileiro. No São José foi um ciclo feliz, no Real Brasília fiquei dois, três anos ali e fui bicampeão candango e foi a primeira equipe de Brasília a classificar em 5° no Brasileiro. Temos história aonde passei e com título, deixando legado, o que é importante e com passagens vitórias. Espero que consiga alcançar os meus objetivos e metas no Mixto, que é onde estou.



