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Trajetória de pioneiras do basquete feminino brasileiro é contada em livro

“As Donas da Quadra: a história de Maria Helena e Heleninha”, pioneiras que conquistaram medalhas pela Seleção Brasileira e dedicaram décadas à formação de atletas

Paulo César Guimarães 4 min
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Delegação Brasileira nos Jogos de Barcelona-92, com Maria Helena como treinadora e Heleninha como auxiliar
Delegação Brasileira nos Jogos de Barcelona-92, com Maria Helena como treinadora e Heleninha como auxiliar Foto: Arquivo Pessoal

O basquete brasileiro feminino viveu seu auge nos anos 1990, com título mundial e pan-americano. Mas para que o Brasil chegasse à tais conquistas históricas, duas mulheres desbravaram caminhos e pavimentaram a estrada para a geração de ouro brilhar.

Maria Helena Cardoso e Maria Helena Campos, conhecida como Heleninha, defenderam a Seleção Brasileira, conquistaram títulos internacionais e, após encerrarem suas carreiras como jogadoras, passaram a atuar na formação de novas gerações até se tornarem treinadoras de basquete e comandarem o time canarinho.

A história das duas é o tema de “As Donas da Quadra: a história de Maria Helena e Heleninha”, livro da historiadora Cláudia Guedes, publicado pela Editora Mulheres à Cesta e lançado em outubro de 2026, em Campinas (SP). Resultado de uma extensa pesquisa histórica, a obra reúne documentos, fotografias e depoimentos que ajudam a preservar a memória de duas mulheres fundamentais para a evolução do basquete brasileiro.

 

Maria Helena Cardoso: da medalha mundial ao ouro histórico em Havana

Nascida em Descalvado (SP), em 1940, Maria Helena Cardoso começou a jogar basquete aos 14 anos, no São Carlos Clube. Dois anos depois, transferiu-se para o Pinheiros, onde recebeu sua primeira convocação para a Seleção Brasileira.

Durante aproximadamente 16 anos defendendo a Seleção Brasileira, acumulou conquistas importantes, entre elas o bronze no Campeonato Mundial de 1971, em São Paulo, e o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Cali, no mesmo ano. Após dois anos no Pinheiros, transferiu-se para o XV de Piracicaba, onde permaneceu até encerrar sua carreira como jogadora.

Sua carreira ganhou ainda mais projeção como treinadora. Entre 1986 e 1992, esteve à frente da Seleção Brasileira feminina, protagonizando conquistas históricas que consolidaram seu nome entre as grandes referências do esporte nacional e reforçaram seu reconhecimento como a “Primeira Dama da Quadra”.

 

Heleninha: campeã pan-americana e referência na formação de atletas

Maria Helena Campos, a Heleninha, nasceu em 1939 e se destacou como armadora da Seleção Brasileira. Começou jogando basquete aos 13 anos, pelo São Vicente Praia Clube. Posteriormente, defendeu o Votorantim, de Sorocaba, até 1958, quando foi para o XV de Piracicaba, onde encerrou sua carreira como jogadora.

Com a camisa da Seleção Brasileira, Heleninha construiu uma carreira vitoriosa: conquistou duas medalhas de prata nos Jogos Pan-Americanos, em 1959 e 1963, o ouro em Winnipeg, em 1967, e o bronze no Mundial de 1971. Também foi tricampeã sul-americana, com títulos em 1958, 1965 e 1970.

Após encerrar sua trajetória como jogadora, Heleninha passou a atuar como treinadora e assistente técnica, destacando-se também pelo trabalho nas categorias de base. Seu legado foi reconhecido pela Federação Paulista de Basketball, que, em 2019, deu seu nome a uma competição feminina sub-19.

 

Duas histórias que se encontram: Maria Helena e Heleninha

Além das conquistas individuais, Maria Helena e Heleninha construíram uma parceria que atravessou décadas. Atuaram juntas por 15 anos como jogadoras no XV de Piracicaba, antes de iniciarem uma trajetória compartilhada como treinadora e assistente técnica. Em 2026, essa relação completa cerca de 68 anos, uma parceria marcada pela confiança, pelo entrosamento e por uma filosofia de jogo compartilhada.

Maria Helena (esquerda) e Heleninha (direita) tiveram suas carreiras transformadas em livro na obra “As Donas da Quadra” [Foto: Arquivo Pessoal]

 

Com Maria Helena como técnica e Heleninha como assistente e braço direito, a dupla teve papel importante na formação de atletas e no desenvolvimento do basquete feminino em Piracicaba, incluindo o trabalho realizado na Associação Desportiva Unimep, criada em 1979.

Em 1986, foram convidadas para treinar a Seleção Brasileira. Maria Helena Cardoso atuou como treinadora principal e Heleninha como assistente técnica durante o ciclo que culminou na conquista dos títulos sul-americanos de 1986, 1989 e 1991, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, e o ouro histórico nos Jogos Pan-Americanos de Havana em 1991.

A dupla também participou de um marco histórico ao conduzir o Brasil à sua primeira participação olímpica no basquete feminino, em Barcelona 1992. Com Hortência e Magic Paula entre suas principais atletas, a Seleção terminou na sétima colocação, sob o comando de Maria Helena Cardoso, com Heleninha como assistente técnica.

Embora tenham deixado a Seleção após os Jogos Olímpicos de Barcelona, o trabalho desenvolvido pelas duas ajudou a consolidar uma geração que alcançaria o auge dois anos depois, com a conquista inédita do Campeonato Mundial de 1994.

Após a passagem pela Seleção Brasileira, Maria Helena e Heleninha assumiram novos desafios no basquete de clubes. Na Ponte Preta, em Campinas (SP), comandaram uma equipe que reuniu estrelas como Hortência, Magic Paula, Ruth, Helen, Roseli, entre outras.

Em 1993, o time conquistou cinco títulos em cinco competições disputadas e alcançou a impressionante marca de 66 vitórias em 71 partidas. Naquele ano, venceu o Mundial Interclubes e repetiu a conquista em 1994, consolidando uma das fases mais vitoriosas da história do basquete feminino brasileiro.

A trajetória vitoriosa continuou no BCN/Osasco, com a conquista do Mundial Interclubes de 1998, e no Vasco da Gama, onde somaram títulos nacionais e internacionais no início dos anos 2000. A parceria também atravessou fronteiras. Em 2003, Maria Helena e Heleninha seguiram para a Espanha, onde trabalharam no Mendibil, equipe da 1ª divisão nacional, até 2005, levando ao basquete europeu a experiência e os conhecimentos acumulados ao longo de suas carreiras.

É esse legado de conquistas e pioneirismo que ganha novo registro em “As Donas da Quadra”. Ao reunir documentos, fotografias e depoimentos, Cláudia Guedes apresenta às novas gerações a dimensão da contribuição de Maria Helena e Heleninha ao esporte nacional. Publicada pela Editora Mulheres à Cesta, a obra reforça a importância de preservar e reconhecer as mulheres que ajudaram a construir o basquete brasileiro.

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#Basquete Feminino#Barcelona#Jogos Olímpicos de Barcelona#Maria Helena Cardoso#Heleninha