O basquete brasileiro feminino viveu seu auge nos anos 1990, com título mundial e pan-americano. Mas para que o Brasil chegasse à tais conquistas históricas, duas mulheres desbravaram caminhos e pavimentaram a estrada para a geração de ouro brilhar.
Maria Helena Cardoso e Maria Helena Campos, conhecida como Heleninha, defenderam a Seleção Brasileira, conquistaram títulos internacionais e, após encerrarem suas carreiras como jogadoras, passaram a atuar na formação de novas gerações até se tornarem treinadoras de basquete e comandarem o time canarinho.
A história das duas é o tema de “As Donas da Quadra: a história de Maria Helena e Heleninha”, livro da historiadora Cláudia Guedes, publicado pela Editora Mulheres à Cesta e lançado em outubro de 2026, em Campinas (SP). Resultado de uma extensa pesquisa histórica, a obra reúne documentos, fotografias e depoimentos que ajudam a preservar a memória de duas mulheres fundamentais para a evolução do basquete brasileiro.
Maria Helena Cardoso: da medalha mundial ao ouro histórico em Havana
Nascida em Descalvado (SP), em 1940, Maria Helena Cardoso começou a jogar basquete aos 14 anos, no São Carlos Clube. Dois anos depois, transferiu-se para o Pinheiros, onde recebeu sua primeira convocação para a Seleção Brasileira.
Durante aproximadamente 16 anos defendendo a Seleção Brasileira, acumulou conquistas importantes, entre elas o bronze no Campeonato Mundial de 1971, em São Paulo, e o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Cali, no mesmo ano. Após dois anos no Pinheiros, transferiu-se para o XV de Piracicaba, onde permaneceu até encerrar sua carreira como jogadora.
Sua carreira ganhou ainda mais projeção como treinadora. Entre 1986 e 1992, esteve à frente da Seleção Brasileira feminina, protagonizando conquistas históricas que consolidaram seu nome entre as grandes referências do esporte nacional e reforçaram seu reconhecimento como a “Primeira Dama da Quadra”.
Heleninha: campeã pan-americana e referência na formação de atletas
Maria Helena Campos, a Heleninha, nasceu em 1939 e se destacou como armadora da Seleção Brasileira. Começou jogando basquete aos 13 anos, pelo São Vicente Praia Clube. Posteriormente, defendeu o Votorantim, de Sorocaba, até 1958, quando foi para o XV de Piracicaba, onde encerrou sua carreira como jogadora.
Com a camisa da Seleção Brasileira, Heleninha construiu uma carreira vitoriosa: conquistou duas medalhas de prata nos Jogos Pan-Americanos, em 1959 e 1963, o ouro em Winnipeg, em 1967, e o bronze no Mundial de 1971. Também foi tricampeã sul-americana, com títulos em 1958, 1965 e 1970.
Após encerrar sua trajetória como jogadora, Heleninha passou a atuar como treinadora e assistente técnica, destacando-se também pelo trabalho nas categorias de base. Seu legado foi reconhecido pela Federação Paulista de Basketball, que, em 2019, deu seu nome a uma competição feminina sub-19.
Duas histórias que se encontram: Maria Helena e Heleninha
Além das conquistas individuais, Maria Helena e Heleninha construíram uma parceria que atravessou décadas. Atuaram juntas por 15 anos como jogadoras no XV de Piracicaba, antes de iniciarem uma trajetória compartilhada como treinadora e assistente técnica. Em 2026, essa relação completa cerca de 68 anos, uma parceria marcada pela confiança, pelo entrosamento e por uma filosofia de jogo compartilhada.

Maria Helena (esquerda) e Heleninha (direita) tiveram suas carreiras transformadas em livro na obra “As Donas da Quadra” [Foto: Arquivo Pessoal]

