”Stephen Francis mudou para melhor a trajetória do atletismo jamaicano. Ele provou que atletas jamaicanos — orientados por técnicos jamaicanos, apoiados por uma gestão jamaicana e treinando na Jamaica — podiam se tornar os melhores do mundo”, afirmou Bruce James, presidente do MVP, em um comunicado.
O primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, expressou suas condolências, relembrando a ”decisão ousada” de Francis de abandonar a carreira no setor financeiro para se dedicar a treinar atletas de pista, em uma época em que os competidores de elite da ilha — com uma população de apenas 2,8 milhões de habitantes — buscavam treinamento no exterior.
”Essa escolha ajudou a moldar um dos maiores legados do atletismo e inspirou inúmeros atletas a acreditarem em si mesmos e a buscarem a excelência”, escreveu Holness na rede social X. ”A Jamaica perdeu um filho notável, cujo impacto será sentido por gerações.”
A World Athletics, órgão que rege o atletismo mundial, declarou-se ”profundamente entristecida” com a morte de Francis, destacando como sua visão ajudou a reduzir a fuga de talentos da Jamaica e a intensificar a paixão da ilha pelo atletismo.
Entre os atletas treinados por Francis estavam as campeãs olímpicas Shelly-Ann Fraser-Pryce, Elaine Thompson-Herah e Shericka Jackson, o ex-recordista mundial dos 100 metros rasos Asafa Powell, o medalhista de prata olímpico Kishane Thompson e dezenas de outros medalhistas internacionais.
Em 2017, Francis foi agraciado com a Ordem da Jamaica, uma das mais altas honrarias civis do país, em reconhecimento ao seu papel em transformar a Jamaica em uma das grandes histórias de sucesso do atletismo nas últimas décadas.