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Wallace Gabriel com foco total em Salvador e coroar ano de destaque no skate street

O skatista de 24 anos avaliou seu ano no skate street e falou do seu começo na modalidade, em entrevista exclusiva

Gabriel Alcantara 9 min
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Wallace Gabriel com foco total em Salvador e coroar ano de destaque no skate street
Foto: Alexandre Loureiro/COB

Wallace Gabriel, skatista de grande destaque em 2026, concedeu entrevista exclusiva ao Surto Olímpico e falou da grande temporada que vem fazendo no skate street. O atleta de 24 anos falou do seu início no skate, interessado pela prática que se tornou profissão, relação com a prática de montar a cavalo e os resultados expressivos no ano, com a prata nos Jogos Sul-Americanos e boas posições em etapas de Copa do Mundo e Mundial.

Wallace ainda terá mais quatro competições até terminar o ano de 2026 e vem com tudo para buscar o título do Circuito Brasileiro de Skate Street, entre os dias 6 e 8 de novembro, em Salvador, na Bahia. Ele vem treinando duro para chegar firme e forte a pista de Salvador, na terceira e última etapa, encerrando o circuito brasileiro e buscando o terceiro título seguido de etapa e o campeonato.

"Eu tenho treinado bastante todos os dias. Sempre fazendo uma repetição aí de manobra para conseguir ter um bom desempenho lá na pista. É uma pista que eu já conheço e quero muito acertar as manobras e conseguir finalizar essa etapa também com o pódio. Consigo às vezes fazer uma leitura diferente da pista e tem as três manobras que é como o circuito olímpico, o World Skate. Então eu estou sempre consigo ver umas estratégias diferentes para que eu possa sempre estar acertando as manobras e tendo outras diferenças assim de olhares, de mandar algumas outras manobras muito diferente do que as pessoas fazem na pista. Espero encontrar meus amigos, se divertir bastante, porque além do campeonato sempre tem uma festa. Você encontrar os amigos lá e todo mundo podendo andar de skate junto. Isso daí pra mim já é o mais importante. Conseguir dar risada, se divertir bastante, ser feliz. E espero também ter um bom desempenho.", disse Wallace, sobre a etapa final do circuito brasileiro de skate.

Ano de conquistas no skate street

Wallace Gabriel vem sendo um dos destaques do ano no skate, com o quinto lugar no Mundial de Skate Street 2025, em São Paulo e performando muito bem em etapas de Copa do Mundo, com o quinto lugar em Roma. Nos eventos nacionais, ganhou a etapa do STU de Criciúma e as duas etapas de Circuito Brasileiro de Skate Street. O skatista falou sobre a avaliação dele da temporada 2026 e o que espera para as últimas competições do ano.

"Eu tenho avaliado tipo muito bem por causa que eu consegui começar o ano bem, consegui começar os dois primeiros eventos no pódio. Eu não achei que seria assim porque o nível tá muito alto, só que eu tenho treinado bastante, tenho focado bastante e para mim foi um ano incrível porque a cada campeonato eu consigo me desafiar mais, consigo procurar motivação para sempre estar aprendendo manobra. E até aqui eu acho que, nesse campeonato, tem sido muito ótimo para mim. Com muita dedicação no skate, muito treino. E para os próximos campeonatos eu espero a mesma coisa também, ter um bom desempenho e ter um bom final de ano, que tem mais quatro campeonato pela frente. Então eu quero continuar assim até o final do ano e consegui finalizar o ano do mesmo jeito que eu comecei, com o pé direito."

Wallace também falou da diferença de competir em casa, junto da família e as adversidades encontradas durante a competição, com os últimos três dias de Mundial com chuvas torrenciais no Parque Cândido Portinari. Ele também fala da necessidade de ser ter um pista coberta de skate no Brasil, para não estar a mercê dos aspectos climáticos.

"Está competindo com a família, amigos e pessoas que te viram desde pequeno andar de skate, acreditando no seu sonho, é sempre uma honra, porque tá todo mundo ali torcendo por você e outras pessoas também, né, que assistiam pela TV, por ter o campeonato aqui em São Paulo. Em questões do tempo climático, era muito difícil continuar se concentrando, porque a gente tava na pista, aí chovia. Aí a gente aquecia, entrava na pista de novo, chovia. Teve um dia que choveu bastante. A gente achou que nem inteira o campeonato do dia, acabou rolando o campeonato. Sobre não ter uma pista coberta aqui no Brasil, deveria ter mais para frente, porque sempre quando tem época de campeonato aqui no Brasil sempre chove. Não só esse campeonato que teve do Mundial, mas sempre quando tem outro campeonato sempre chove. Então seria muito bom ter uma pista aqui no Brasil que tivesse o espaço coberto."

A medalha de prata nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé

Wallace Gabriel falou da conquista da medalha de prata nos Jogos Sul-Americanos, na Argentina, em setembro desse ano. Ele esperava uma dobradinha com o também brasileiro Matheus Mendes, que acabou ficando em quinto lugar na competição. Wallace fez a somatória de 248,93 pontos (74,00 na 1ª volta, 84,93 na 1ª manobra e um impressionante 90,00 na 3ª manobra, incluindo um backside nollie flip lipslide.

"Já fui para lá confiante. A gente treinou na pista, aí eu acho que eu consegui me achar, consegui fazer uma linha ali nos últimos dias de treino, quando eu comecei nas eliminatórias, eu já tava super confiante, consegui fazer uma linha completa, limpa. Daí nos próximos dias também, aí tava ali também, tipo, torcendo pro Matheus para ele conseguir fazer a linha completa, aí a gente conseguiu fazer nós dois a linha completa e a gente já meio que tava esperando assim uma dobradinha ali no pódio e infelizmente não deu certo pro Matheus, ele acabou errando na linha, uma manobra. Ele acertou uma manobra solta e eu consegui manter ali no foco, consegui tipo manter também a minha estratégia e consegui trazer a prata pro Brasil. Para o nosso time e fiquei muito feliz com o resultado, porque a pista era um pouco estranha, tipo, era muito longa, tinha um obstáculo atrás do outro e todo mundo da seleção ficou muito feliz com com o resultado. Foi uma festa para todos nós."

Foco para as olimpíadas de Los Angeles

A corrida para o índice olímpico já começou com dois campeonatos válidos como qualifier em 2026. A copa do mundo de Roma, realizada em junho e o mundial de skate street, em Assunção no mês de outubro. Wallace Gabriel ficou no top 5 no primeiro evento e não avançou as semifinais no Paraguai. Ainda está programada a etapa da copa do mundo de skate street, em Utsunomiya, no Japão. Wallace declarou que o foco para o ano que vem é chegar no top 3 do Brasil ainda em 2027 e garantir essa vaga em Los Angeles.

"Estou procurando assistir muitos campeonatos. Estou conversando bastante com o coach também, que é o Mancha. A gente vem montando estratégias para isso. E eu almejo finalizar dentro dos três. Porque cada país vai três skatistas e eu queria muito já finalizar 2027, dentro dos top 3 daqui do Brasil. Então, tô muito confiante para isso, treinando bastante também e se Deus quiser, vou conseguir ir para Los Angeles 2028 com muito treino, muita dedicação e com a ajuda da seleção brasileira, eu acho que tudo isso vai ser possível."

Início no skate e inspirações na modalidade

Wallace Gabriel falou no seu começo com o skate, que se tornou cada vez mais forte quando se mudou para Arujá, cidade da Região Metropolitana de São Paulo e viu Axon fazendo as manobras, ficando encantado e se dedicando mais a prática, que virou profissão, trazendo muitas conquistas e presenciar seus ídolos na modaldidade.

"É, eu comecei no skate através dos meus tios, só que daí, tipo, me mudei, aí comecei a andar com amigos locais que andavam de skate também. Comecei me apegar forte quando eu fui morar em Arujá. Daí lá em Arujá, eu vi o Axon andando uma vez na pista e fiquei muito surpreso assim, tipo, vi algo diferente no skate, como ele flutuava, como ele mandava as manobras muito fácil. Então eu acabei me dedicando ali, tipo, eu vi algo que para mim não passava de uma brincadeira, só que era uma brincadeira que iria me fazer muito feliz, né? E comecei a me dedicar bastante quando eu comecei a ver os campeonatos antigos de Street League, muito antigo. Eu falei que tipo, um dia, se algo fosse possível, eu queria muito entrar no Street League e tá participando nos campeonatos grandes, nos mundiais e ter participado de algumas etapas do Street League, com skatistas que é que são minhas inspirações, Felipe Gustavo, Luan de Oliveira e alguns outros skatistas internacionais. Eu fico muito feliz com isso que é algo muito importante assim quando você você sonha, você acha que você, tipo, nunca vai conhecer pessoas ou que nunca vai conhecer os seus ídolos. E isso fez uma diferença muito grande assim, eh mostrar que tudo é possível e você estando no mesmo lugar que eles assim, andando de skate com eles, você aprende as manobras muito no flow assim, tipo, olhando as manobras, você consegue aprender o seu nos seus hábitos naturais."

Esporte equestre como válvula de escape

O cavalo é um dos grandes hobbies para o skatista, mas já foi até uma prática mais séria. Wallace Gabriel chegou a parar a andar de skate por um ano e ficou concentro só no cavalo, chegando a aprender Tambor, modalidade do esporte equestre. Na prática, o cavalo e o companheiro tem que contornar três tambores de formato triangular, na menor cronometragem possível. Os três tambores é reconhecido pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) desde 2015, mas não é uma modalidade olímpica. Wallace fala dessa separação de suas paixões e diz que o cavalo ajuda a distrair a mente de ficar 100% no foco do skate.

Eu comecei quando era bem pequeno, eu sempre fui apaixonado por cavalo e quando eu fui morar em Arujá, quando eu comecei lá na skate lá que eu vi, o Axon, tinha um Aras do lado de casa. Que era sei lá, 500m assim de casa. Aí uma vez eu fui lá para conhecer os cavalos, o dono que trabalhava lá falou: Pô, vem montar aqui com a gente? Aprendi e eu meio que tinha parado de andar de skate, acho que fiquei quase um ano sem andar de skate, só montando a cavalo. Aprendi a correr tambor. Hoje eu consegui separar os dois, tipo o cavalo virou o meu hobby e o skate virou minha profissão. Mas eu sou muito feliz montando o cavalo, sempre quando eu estou estressado, sempre quando eu estou pensando muito só em skate, que eu preciso me distanciar um pouco para colocar a cabeça no lugar, porque você fica pensando em treino todo dia, isso prejudica um pouco a sua mentalidade, porque você todo dia você tem que ficar: "precisa acertar minha manobra, precisa acertar a manobra." Então eu sempre vou lá me conectar um pouco com o meu cavalo, eu acho isso muito importante também, você conseguir dosar as coisas e não ficar se atrapalhando na sua mentalidade. E para mim o cavalo mudou a minha história.

Surpresa pela competição em equipes na SLS

Wallace ainda falou de um dos eventos mais importantes do skate street, que fecha o ano de 2026. O SLS Nations Cup faz parte da programação do Supercrown, que será realizado entre os dias 12 e 13 de dezembro, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Os capitães das equipes serão Rayssa Leal (Brasil), Nyjah Huston (EUA), Ginwoo Onodera (Japão) e Chloe Covell (Mundo). O skatista ficou supreso e contente com o anúncio do novo formato planejado para este ano.

"Essa questão de time, para mim foi uma surpresa, quando me falaram que iria ter um time, eu fiquei muito surpreso, fiquei muito feliz também por saber quem vai ser o time. Isso também é uma grande honra porque trabalhar em equipe com o pessoal, tipo não é só eu, né? Quando a gente está na pista é diferente e trabalhar ali em equipe com o pessoal, cada um tem um jeito de andar, cada um consegue ver os obstáculos de uma forma diferente e está ali com o pessoal, vai ser muito, vai ser muito top. Creio eu que vamos conseguir nos ajudar bastante, vamos torcer um pelo outro também, porque eu acho que isso é muito importante. E o trabalho em equipe, com certeza, vai ser excelente."

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